Hackers enviam alertas nucleares falsos na Ucrânia e Rússia
Aplicativos de alerta de emergência foram hackeados durante a madrugada; alertas coincidiram com término de cessar-fogo no sul ucraniano
Reuters
Fumaça se eleva sobre a sede da Kyivstar em Kiev, Ucrânia, em 27 de setembro de 2026 | Reuters/Gleb Garanich
A Ucrânia e a Rússia informaram que seus aplicativos de alerta de emergência foram hackeados durante a madrugada, enviando alertas falsos aos cidadãos sobre possíveis ataques aéreos e ataques químicos e nucleares.
Os alertas coincidiram com o término de um cessar-fogo local de seis dias mediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, em uma pequena área no sul da Ucrânia — a mais longa pausa nos combates desde a invasão em grande escala da Rússia em 2022.
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O aplicativo público de alertas de ataques aéreos da Ucrânia começou a enviar alertas falsos pouco antes das 23h de domingo (01) para a capital, Kiev, e outras regiões, alertando sobre ataques com radiação e armas químicas, além do risco de combates nas ruas em algumas áreas.
Horas depois, a agência de notícias estatal russa TASS citou o Ministério de Emergências, em Moscou, afirmando que seu próprio aplicativo móvel também havia sido alvo de um ataque cibernético que resultou na transmissão de alertas públicos falsos.
A Reuters não conseguiu verificar quais grupos foram os responsáveis. Especialistas atribuíram incidentes anteriores de segurança cibernética, ocorridos durante a guerra que já dura quase cinco anos, a hackers ativistas, bem como a agências de inteligência de ambos os lados.
Na Ucrânia, um dos alertas informava que a Rússia havia lançado um míssil hipersônico Oreshnik — capaz de transportar uma ogiva nuclear — e que um alerta nuclear havia sido declarado.
A Força Aérea da Ucrânia informou logo em seguida, pelo aplicativo de mensagens Telegram, que o sistema de alerta parecia ter sido hackeado pela Rússia, observando que os alertas foram transmitidos em russo. O idioma ucraniano é obrigatório para todas as comunicações oficiais na Ucrânia.
“O aplicativo de alerta aéreo parece ter sido alvo de influência inimiga”, afirmou a Força Aérea. “Não há ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal!”
Mensagens de fim de alerta foram enviadas logo em seguida para cada alerta, e o Ministério da Transformação Digital da Ucrânia informou que o aplicativo havia sido temporariamente suspenso, mas que outros meios de alertar o público estavam funcionando, assim como as sirenes de ataque aéreo.
A Ucrânia sofre com uma grave falta de defesas aéreas, especialmente dos interceptadores Patriot de fabricação norte-americana, que são sua única defesa eficaz contra mísseis balísticos russos. Os EUA anunciaram na sexta-feira um acordo de US$2,1 bilhões para fornecer 500 interceptadores Patriot à Ucrânia, mas duas pessoas a par da decisão disseram que pode levar anos para que os mísseis cheguem.
Nas ruas de Kiev, os moradores minimizaram o impacto do ataque cibernético.
Artem Pyndyk, 37, empresário, disse que ficou surpreso por um breve momento ao ver as mensagens, mas logo percebeu o que havia acontecido.
“Isso não provocou o tipo de reação na sociedade que eles esperavam”, disse Pyndyk, acrescentando que os familiares e amigos com quem ele havia conversado também não entraram em pânico.
“Dá para rir disso, mas, por outro lado, eles conseguiram um certo nível de acesso e foram capazes de invadir o programa.”
Oksana Vostrykova, de 48 anos, também não deu muita importância ao incidente.
“Estou tranquila em relação a isso, meio que entendi imediatamente que poderia ser uma mensagem falsa”, disse a funcionária da pizzaria. “Você se preocupa mais não por si mesma, mas pelos seus filhos que estão por perto.”
Moscou
O Atesh, um grupo de hackers pró-Ucrânia, publicou uma captura de tela da mensagem de alerta exibida na Rússia em seu canal do Telegram na madrugada desta segunda-feira, com a seguinte mensagem: “O aplicativo do Ministério de Situações de Emergência foi hackeado!”
No entanto, o ministério de Moscou minimizou o impacto, afirmando que o aplicativo não era um de seus principais canais do sistema de alerta público, mas apenas o que chamou de fonte suplementar de informação.
Uma mensagem falsa postada pelos hackers, vista pela Reuters, não tentou imitar uma comunicação oficial e estava repleta de expressões coloquiais, palavrões e linguagem depreciativa sobre a Rússia, chamando suas regiões de “pântanos”.
A mensagem falsa informava aos russos que ogivas nucleares haviam sido lançadas contra todas as regiões russas e aconselhava as pessoas a estocarem alimentos para três semanas e a se abrigarem em seus porões.
O ministério russo informou que seus especialistas estavam trabalhando para restaurar o funcionamento normal do aplicativo.
“Pedimos à população que mantenha a calma e confie apenas em fontes oficiais de informação — o site do Ministério de Situações de Emergência da Rússia e as contas oficiais do departamento nas redes sociais”, afirmou.
(Reportagem de Ron Popeski, Bogdan Kochubey, Jekaterīna Golubkova, Vladyslav Smilianets e Lina Golovnya)
Hackers enviam alertas nucleares falsos na Ucrânia e RússiaAplicativos de alerta de emergência foram hackeados durante a madrugada; alertas coincidiram com término de cessar-fogo no sul ucranianoMundo2026-11-02T15:59:06.881ZA Ucrânia e a Rússia informaram que seus aplicativos de alerta de emergência foram hackeados durante a madrugada, enviando alertas falsos aos cidadãos sobre possíveis ataques aéreos e ataques químicos e nucleares. + Os alertas coincidiram com o término de um cessar-fogo local de seis dias mediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, em uma pequena área no sul da Ucrânia — a mais longa pausa nos combates desde a invasão em grande escala da Rússia em 2022. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! . O aplicativo público de alertas de ataques aéreos da Ucrânia começou a enviar alertas falsos pouco antes das 23h de domingo (01) para a capital, Kiev, e outras regiões, alertando sobre ataques com radiação e armas químicas, além do risco de combates nas ruas em algumas áreas. Horas depois, a agência de notícias estatal russa TASS citou o Ministério de Emergências, em Moscou, afirmando que seu próprio aplicativo móvel também havia sido alvo de um ataque cibernético que resultou na transmissão de alertas públicos falsos. A Reuters não conseguiu verificar quais grupos foram os responsáveis. Especialistas atribuíram incidentes anteriores de segurança cibernética, ocorridos durante a guerra que já dura quase cinco anos, a hackers ativistas, bem como a agências de inteligência de ambos os lados. Na Ucrânia, um dos alertas informava que a Rússia havia lançado um míssil hipersônico Oreshnik — capaz de transportar uma ogiva nuclear — e que um alerta nuclear havia sido declarado. A Força Aérea da Ucrânia informou logo em seguida, pelo aplicativo de mensagens Telegram, que o sistema de alerta parecia ter sido hackeado pela Rússia, observando que os alertas foram transmitidos em russo. O idioma ucraniano é obrigatório para todas as comunicações oficiais na Ucrânia. “O aplicativo de alerta aéreo parece ter sido alvo de influência inimiga”, afirmou a Força Aérea. “Não há ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal!” + Kiev Mensagens de fim de alerta foram enviadas logo em seguida para cada alerta, e o Ministério da Transformação Digital da Ucrânia informou que o aplicativo havia sido temporariamente suspenso, mas que outros meios de alertar o público estavam funcionando, assim como as sirenes de ataque aéreo. A Ucrânia sofre com uma grave falta de defesas aéreas, especialmente dos interceptadores Patriot de fabricação norte-americana, que são sua única defesa eficaz contra mísseis balísticos russos. Os EUA anunciaram na sexta-feira um acordo de US$2,1 bilhões para fornecer 500 interceptadores Patriot à Ucrânia, mas duas pessoas a par da decisão disseram que pode levar anos para que os mísseis cheguem. Nas ruas de Kiev, os moradores minimizaram o impacto do ataque cibernético. Artem Pyndyk, 37, empresário, disse que ficou surpreso por um breve momento ao ver as mensagens, mas logo percebeu o que havia acontecido. “Isso não provocou o tipo de reação na sociedade que eles esperavam”, disse Pyndyk, acrescentando que os familiares e amigos com quem ele havia conversado também não entraram em pânico. “Dá para rir disso, mas, por outro lado, eles conseguiram um certo nível de acesso e foram capazes de invadir o programa.” Oksana Vostrykova, de 48 anos, também não deu muita importância ao incidente. “Estou tranquila em relação a isso, meio que entendi imediatamente que poderia ser uma mensagem falsa”, disse a funcionária da pizzaria. “Você se preocupa mais não por si mesma, mas pelos seus filhos que estão por perto.” Moscou O Atesh, um grupo de hackers pró-Ucrânia, publicou uma captura de tela da mensagem de alerta exibida na Rússia em seu canal do Telegram na madrugada desta segunda-feira, com a seguinte mensagem: “O aplicativo do Ministério de Situações de Emergência foi hackeado!” No entanto, o ministério de Moscou minimizou o impacto, afirmando que o aplicativo não era um de seus principais canais do sistema de alerta público, mas apenas o que chamou de fonte suplementar de informação. Uma mensagem falsa postada pelos hackers, vista pela Reuters, não tentou imitar uma comunicação oficial e estava repleta de expressões coloquiais, palavrões e linguagem depreciativa sobre a Rússia, chamando suas regiões de “pântanos”. A mensagem falsa informava aos russos que ogivas nucleares haviam sido lançadas contra todas as regiões russas e aconselhava as pessoas a estocarem alimentos para três semanas e a se abrigarem em seus porões. O ministério russo informou que seus especialistas estavam trabalhando para restaurar o funcionamento normal do aplicativo. “Pedimos à população que mantenha a calma e confie apenas em fontes oficiais de informação — o site do Ministério de Situações de Emergência da Rússia e as contas oficiais do departamento nas redes sociais”, afirmou. (Reportagem de Ron Popeski, Bogdan Kochubey, Jekaterīna Golubkova, Vladyslav Smilianets e Lina Golovnya)São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/hackers-enviam-alertas-nucleares-falsos-na-ucrania-e-russia
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