Mundo

Guerra na Ucrânia completa 3 anos com tensões entre EUA e Europa após interferência de Trump

Republicano vem conduzindo negociações de paz com a Rússia sem consultar potências europeias ou Kiev

C
Avatar de Giovanna Colossi
Camila Stucaluc, Giovanna Colossi
24/02/2025, 08:10 • Atualizado em 24/02/2025, 15:42
compartilhar
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Flickr

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Flickr

A guerra na Ucrânia ganhou um novo capítulo com a interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde que assumiu o governo, em janeiro deste ano, o republicano vem pressionando por um acordo de cessar-fogo, mas em conversas que envolvem apenas a Rússia. O cenário preocupa tanto Kiev como potências europeias, que temem um acordo que ponha a segurança do continente em risco.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Em meio à ameaça, Alemanha, França, Polônia, Itália, Espanha e Reino Unido promoveram duas cúpulas de emergência para debater o assunto. As nações voltaram a pedir inclusão nas negociações de paz, que, atualmente, estão em andamento na Arábia Saudita. Participam do encontro apenas delegações russas e norte-americanas.

A chance de Trump abrir espaço no diálogo, contudo, é quase nula. Isso porque o interesse do republicano de acabar com a guerra é puramente econômico, visando suspender o financiamento à Ucrânia – fornecido pela antiga gestão desde o início do conflito, em 2022. Isso significa que o acordo não precisa, necessariamente, levar em consideração as garantias impostas por Kiev, como uma “paz justa e duradoura”.

“Trump já comentou sobre o quanto de dinheiro dos Estados Unidos foi revertido para a Ucrânia sem nenhuma contrapartida. Com a suspensão dessa ajuda, ele consegue voltar para base dele e explicar que não vai mais ser uma política dos Estados Unidos de financiar, de verter fundos do país para oprimidos por guerras internacionais”, explica a pesquisadora do Núcleo Direito e Democracia do Cebrap e bolsista da Fundação Rosa Luxemburgo em Berlim, Marina Slhessarenko Barreto.

O mesmo é dito pela professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de Sergipe, Bárbara Motta. Para ela, além da economia, Trump tem interesse em ser o protagonista do acordo. Em declarações anteriores, o republicano afirmou que a guerra não teria acontecido sob sua administração e chegou a acusar os países, incluindo a Ucrânia, de não avançarem nas negociações de paz nos últimos anos.

“A posição que deveria ser o senso comum é que esse acordo possa ser negociado de forma multilateral, com a participação da Europa e dos Estados Unidos. Só que eu acho que isso vai ser inviabilizado por Trump, porque ele quer o grande protagonismo na negociação e ele não vai dividir o protagonismo dele com qualquer outro país ou liderança política”, diz Bárbara.

As especialistas avaliam que é a falta de compromisso de Trump com a segurança europeia que preocupa os países, já que a guerra, se não encerrada com garantias, pode recomeçar e ultrapassar as fronteiras. “Sabemos que o plano da Rússia está muito além de ocupação de território. É de fato uma subjugação pelo não reconhecimento da independência da Ucrânia e de uma identidade do povo ucraniano”, pontua Marina.

Com Trump se colocando a favor da Rússia, os países europeus estão, paralelamente, intensificando os laços com a Ucrânia. Enquanto o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, disse que está “pavimentando” o caminho para a entrada de Kiev na União Europeia, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, sinalizou que o país deve ser parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Apesar dos esforços, Bárbara sinaliza que a posição de Trump – que afasta os Estados Unidos da Europa – não ameaça somente a segurança do continente, mas a própria ideia que construiu o bloco europeu após as suas duas principais guerras.

“Já estamos presenciando uma remilitarização dos países europeus, em que cresce as falas sobre a necessidade de se voltar para as respostas mais individuais, para respostas mais nacionalizadas, que cresce o euroceticismo na Europa. E na história contemporânea, com as duas principais guerras, a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, o projeto de uma União Europeia se construiu pela percepção de que o principal inimigo da Europa era esse passado marcado pelo nacionalismo”, explica a professora.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Ataque a tiros em estabelecimento deixa 2 mortos no Paraná

Ataque a tiros em estabelecimento deixa 2 mortos no Paraná

Imagem da notícia: TJ-SP nega pedido de habeas corpus de Deolane, diz advogado

TJ-SP nega pedido de habeas corpus de Deolane, diz advogado

Imagem da notícia: Flávio e Marinho criticam restrições de Moraes a Bolsonaro

Flávio e Marinho criticam restrições de Moraes a Bolsonaro

Imagem da notícia: Moraes nega pedido de visita de Milei a Bolsonaro

Moraes nega pedido de visita de Milei a Bolsonaro

Imagem da notícia: Ataque a tiros em estabelecimento deixa 2 mortos no Paraná

Ataque a tiros em estabelecimento deixa 2 mortos no Paraná

Imagem da notícia: TJ-SP nega pedido de habeas corpus de Deolane, diz advogado

TJ-SP nega pedido de habeas corpus de Deolane, diz advogado

Imagem da notícia: Flávio e Marinho criticam restrições de Moraes a Bolsonaro

Flávio e Marinho criticam restrições de Moraes a Bolsonaro

Imagem da notícia: Moraes nega pedido de visita de Milei a Bolsonaro

Moraes nega pedido de visita de Milei a Bolsonaro

Últimas notícias

Copa: SBT transmite França e Inglaterra neste sábado (18)

Seleções disputam o terceiro lugar no mundial, após serem derrotadas por Espanha e Argentina, que fazem a final no domingo

Trump sugere sediar futura Copa sem México e Canadá

Presidente fez a declaração em tom de brincadeira durante evento da Fifa ao lado de Gianni Infantino

Veja como fica o tempo no Brasil neste fim de semana

Rio Grande do Sul terá risco de temporais, com sol predominando em áreas do Centro-Sul e chuva no litoral do Nordeste

Deslizamento mata 8 e deixa 34 desaparecidos na China

Acidente derrubou prédios residenciais e obrigou mais de mil moradores a deixarem suas casas em Chongqing

Irã diz ter fechado o Estreito de Ormuz após ataques dos EUA

País relata interceptações e explosões de petroleiros; EUA afirmam reforçar o bloqueio naval na região

EUA: Apoio a Israel perde força no Partido Democrata

Projeto para suspender US$ 3,3 bilhões em ajuda foi rejeitado, mas expôs o crescente desgaste do apoio democrata a Israel em meio à guerra em Gaza