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FBI assume investigação de morte de mulher por agente de imigração nos EUA

Autoridades de Minnesota criticaram decisão, demonstrando preocupação com o resultado das apurações

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Camila Stucaluc
09/01/2026, 05:35 • Atualizado em 09/01/2026, 15:36
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O Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI, na sigla em inglês) irá assumir a investigação envolvendo a morte de uma mulher por um agente de imigração em Minnesota. A informação foi divulgada pelo superintendente do Departamento de Apreensão Criminal do estado, Drew Evans, na quinta-feira (8).

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Segundo Evans, o departamento havia sido chamado inicialmente para participar das investigações, mas, após consulta com o Gabinte da Procuradoria dos Estados Unidos, o FBI decidiu conduzir as apurações sozinho. Sem acesso às provas e aos depoimentos das testemunhas, o superintendente demonstrou preocupação com um “resultado justo”.

“O departamento deixou de ter acesso aos materiais do processo, às provas do local ou às entrevistas de investigação necessárias para efetuar uma investigação completa e independente. Sem acesso completo às provas, testemunhas e informações recolhidas, não podemos cumprir os padrões de investigação que a lei de Minnesota e o público exigem”, disse.

Falando em coletiva de imprensa, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, negou que o departamento de Minnesota tenha sido excluído da investigação, dizendo que era uma questão de jurisdição. "Eles não foram cortados. Eles não têm jurisdição nessa investigação”, justificou.

O governador de Minnesota, Tim Walz, rebateu, afirmando que o estado deveria fazer parte da investigação. “Parece muito, muito difícil que tenhamos um resultado justo. E digo isso apenas porque pessoas em posições de poder já fizeram julgamento”, disse ele, referindo-se às declarações do presidente Donald Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio, que alegaram que o agente agiu em legítima defesa.

O caso

A norte-americana Renee Nicole Good, de 37 anos, foi morta a tiros durante uma operação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) na cidade de Minneapolis, em Minnesota. Autoridades do governo afirmaram que o disparo ocorreu em legítima defesa, uma vez que a mulher teria tentado atropelar um dos agentes com o próprio veículo.

A versão, contudo, é contestada pelo prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, que acusa os agentes de imigração de “usarem o poder de forma imprudente”.

“O que posso dizer é que a narrativa de que isso foi apenas legítima defesa é absurda. Não é verdade, não tem fundamento e precisa ser esclarecida, especialmente porque vimos o vídeo”, disse Frey. “Saiam de Minneapolis. Não queremos vocês aqui. Vocês dizem que estão aqui para promover segurança, mas estão fazendo exatamente o oposto”, acrescentou o prefeito, referindo-se aos agentes do ICE.

O vídeo mencionado por Frey foi compartilhado nas redes sociais. Nas imagens é possível ver o SUV vinho de Renee parcialmente parado na via. A motorista avança lentamente e depois para, deixando outro carro passar. Com o vidro abaixado, ela faz um gesto para que uma caminhonete que se aproxima siga adiante. O veículo, porém, para, e dois agentes de imigração descem e se aproximam do carro.

Um dos agentes ordena que a motorista saia do veículo e tenta abrir a porta. O SUV dá ré por alguns segundos, enquanto um terceiro agente se posiciona à frente do veículo, vindo do lado do passageiro. Em seguida, a motorista avança, vira o volante para a direita e aparenta tentar sair do local. O agente à frente saca a arma, recua e dispara ao menos três vezes.

Revolta nas ruas

O caso aumenta a tensão entre o ICE e a população norte-americana. Desde que o presidente Donald Trump voltou ao poder, em 2025, os agentes vêm realizando operações violentas para capturar e expulsar imigrantes ilegais no país, visando consagrar a maior deportação em massa da história dos Estados Unidos.

A morte de Renee é pelo menos a quinta desde o início da repressão. Em resposta, manifestantes foram às ruas próximas ao local do tiroteio para protestar. As manifestações também ocorreram em cidades fora de Minneapolis, com em Nova Orleans, Miami, Seattle e Nova York. Na quinta-feira (8), moradores fizeram uma vigília em homenagem à vítima, que deixa um filho de seis anos.

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