EUA escoltarão petroleiros no Estreito de Ormuz, diz Trump à TV americana
Presidente norte-americano afirmou que espera que esforços de guerra liderados pelos EUA sejam bem-sucedidos



Emanuelle Menezes
com informações da Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (13) que os Estados Unidos escoltarão embarcações pelo Estreito de Ormuz, se necessário, mas acrescentou que espera que os esforços de guerra liderados pelos EUA sejam bem-sucedidos.
A fala foi dada em uma entrevista ao canal norte-americano Fox News. Trump também prometeu atacar o Irã "com muita força na próxima semana".
O Estreito de Ormuz, que separa o norte do Irã de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, é uma das principais vias marítimas de passagem de navios transportando petróleo no mundo. Por lá, passam cerca de 20% do petróleo mundial.
A rota marítima foi fechada pelo Irã após o país ser atacado por Estados Unidos e Israel. Petroleiros estrangeiros que navegavam no Golfo Pérsico foram atacados. Em meio ao cenário de instabilidade, o preço do barril de petróleo, geralmente fixado em US$ 90, ultrapassou US$ 100, atingindo o nível mais alto em quase quatro anos.
Sob pressão, os EUA emitiram, na quinta-feira (12), uma licença de 30 dias que permite a países comprar petróleo e derivados da Rússia retidos no mar. Essa é a primeira vez que Washington suspende as sanções contra Moscou desde 2022, ano em que o país iniciou a invasão na Ucrânia.
A compra e venda vale para navios russos carregados até 12 de março.
"Estamos tomando medidas decisivas para promover a estabilidade nos mercados globais de energia e trabalhando para manter os preços baixos enquanto enfrentamos a ameaça e instabilidade representadas pelo regime terrorista iraniano", disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent. "O aumento dos preços do petróleo é temporário e de curto prazo", acrescentou.
Bessent reforçou que a licença não proporcionará "ganho financeiro significativo" ao governo russo. A fala foi contrariada por Kirill Dmitriev, enviado do Kremlin, que afirmou que a medida permitirá a venda de cerca de 100 milhões de barris de petróleo russo atualmente retidos no mar.
"Isso, sem dúvida, atrairá críticas dos democratas no Congresso, que criticaram a administração por flexibilizar as sanções ao petróleo russo que permitiam vendas limitadas apenas para a Índia. A nova licença é muito mais ampla e permite vendas em qualquer lugar do mundo. A suspensão das sanções faz do [presidente Vladimir] Putin um dos principais beneficiários da guerra no Oriente Médio", disse Dmitriev.
Temor de escassez
A volatilidade dos preços reflete a preocupação dos investidores com possíveis interrupções prolongadas no fornecimento global de petróleo. Segundo relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o conflito no Oriente Médio já provoca a maior interrupção de oferta registrada no mercado global, afetando cerca de 7,5% do suprimento mundial.
Em meio ao temor de escassez, os 32 países membros da IEA decidiram liberar 400 milhões de barris no mercado internacional. Ao mesmo tempo, governos estão anunciando suas próprias medidas para conter o possível aumento dos preços de alimentos e combustíveis.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou o imposto sobre a importação do diesel (R$ 0,32 por litro) e assinou uma medida provisória (MP) com subvenção ao diesel para produtores e importadores. As medidas, que visam gerar um alívio de R$ 0,64 por litro do combustível nas bombas, foram anunciadas em caráter temporário – até dia 31 de dezembro deste ano.









