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Espanha rebate críticas de vice-premiê italiano por Ceuta

Mais de 50 mil migrantes tentaram entrar no território da União Europeia pelo enclave espanhol na África; ao menos 72 pessoas morreram

A
André de Sena
Jovens que cruzaram a fronteira com Ceuta voltam ao Marrocos | EFE/JALAL MORCHIDI

Jovens que cruzaram a fronteira com Ceuta voltam ao Marrocos | EFE/JALAL MORCHIDI

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse nesta segunda-feira (3) que o governo da Itália não teve uma reação "à altura" em relação à crise migratória que ocorreu na cidade de Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África.

"Houve Estados que não estiveram à altura, houve governos que não estiveram à altura, houve políticos e partidos que também não estiveram à altura. O governo italiano foi um deles", afirmou Albares em entrevista à emissora de televisão TVE.
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🔎 Um enclave é um território pertencente a um país, mas cercado pelo território de outro. É o caso de Ceuta, cidade espanhola situada na costa norte da África e cercada por Marrocos. Por integrar a Espanha e a União Europeia, a região é uma das principais rotas de migração para quem tenta entrar no continente europeu.

A fala foi uma reação à declaração do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que criticou, no último final de semana, a postura de Madri no que diz respeito aos imigrantes: "A diferença entre as políticas de imigração italiana e espanhola é substancial. A Espanha decidiu regularizar meio milhão de imigrantes, e quase um milhão de pessoas se candidataram. Na nossa opinião, essa política incentiva a imigração irregular."

Além disso, Roma decidiu suspender por um mês a validade do Acordo de Schengen para pessoas vindas do território espanhol. Isso significa que elas terão que apresentar seus documentos para serem autorizadas a entrar na Itália.

Nesta terça-feira (4), a União Europeia vai realizar reuniões de emergência para discutir a crise migratória em Ceuta. Um grupo formado por 22 estados membros do bloco divulgou uma carta conjunta. O texto faz um apelo por uma ação coordenada para proteger as fronteiras externas do continente.

Número de mortes sobe para 72

No domingo (2), o governo espanhol comunicou que os corpos de mais cinco vítimas foram recuperados da costa de Ceuta, o que fez a quantidade total de mortos subir para 72. O número é muito maior do que o dado divulgado pelas autoridades marroquinas. Segundo o Ministério do Interior, houve apenas onze vítimas fatais.

A partir de quinta-feira da semana passada, mais de 50 mil pessoas cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta. Muitas delas fizeram a travessia a nado. De acordo com Madri, quase todos esses migrantes já retornaram ao território marroquino.

Tanto as autoridades espanholas quanto as marroquinas atribuem esse fluxo migratório exacerbado à desinformação nas redes sociais, às redes de tráfico humano e à má interpretação de uma decisão proferida pelo Supremo Tribunal de Justiça da Espanha em 8 de julho, segundo a qual migrantes que chegam por via marítima não podem ter sua entrada negada sumariamente.

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