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Após travessia, milhares deixam Ceuta de volta ao Marrocos

Mais de 48 mil migrantes retornaram em 48 horas; Espanha reforçou a fronteira após crise que deixou ao menos 67 mortos

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Emanuelle Menezes, com informações da Reuters
Jovens que cruzaram a fronteira com Ceuta voltam ao Marrocos | EFE/JALAL MORCHIDI

Jovens que cruzaram a fronteira com Ceuta voltam ao Marrocos | EFE/JALAL MORCHIDI

Mais de 48 mil migrantes que haviam chegado a Ceuta, enclave espanhol no norte da África, retornaram ao Marrocos, segundo o governo da Espanha. O movimento ocorre após uma travessia em massa que levou cerca de 50 mil pessoas ao território espanhol desde quinta-feira (30) e deixou ao menos 67 mortos.

🔎 Um enclave é um território pertencente a um país, mas cercado pelo território de outro. É o caso de Ceuta, cidade espanhola situada na costa norte da África e cercada por Marrocos. Por integrar a Espanha e a União Europeia, a região é uma das principais rotas de migração para quem tenta entrar no continente europeu.

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As autoridades afirmam que a pressão na fronteira diminuiu significativamente após o retorno da maioria dos migrantes. Ainda assim, imagens registradas pela agência de notícias Reuters neste domingo (2) mostram que algumas pessoas continuam tentando chegar a Ceuta pelo mar, apesar do reforço na segurança.

Espanha instala barreira flutuante

Como resposta à crise migratória, a Guarda Civil espanhola iniciou a instalação de uma barreira flutuante de 500 metros no quebra-mar de Tarajal, um dos principais pontos usados por migrantes para contornar a fronteira terrestre com Marrocos.

Segundo o governo, a estrutura ficará entre 30 e 70 centímetros acima da água e se estenderá até um metro abaixo da superfície, em conjunto com uma linha de boias ancoradas. Um canal será mantido para permitir o patrulhamento de embarcações da Guarda Civil.

O sindicato que representa agentes da corporação alertou que a barreira pode não ser suficiente para impedir novas travessias a nado e pediu o envio de pelo menos 200 policiais para reforçar a vigilância.

Travessia deixou ao menos 67 mortos

A entrada em massa de migrantes provocou uma das maiores crises recentes na fronteira entre a União Europeia e a África. Segundo as autoridades espanholas, 67 corpos foram recuperados no lado espanhol da fronteira. Parte das vítimas morreu afogada, enquanto outras foram esmagadas ao tentar escalar o quebra-mar e a cerca de proteção.

As operações de busca continuam, e o número de mortos pode aumentar.

Entre os sobreviventes está Iman, que afirmou ter perdido as duas filhas durante a travessia.

"Estou aqui com meu filho, mas não sei onde minhas filhas estão. Os nomes delas são Aya e Malak. Não sei onde elas estão", disse à Reuters.

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