União Europeia convoca reunião de emergência sobre Ceuta
Autoridades repercutem entrada de 50 mil imigrantes em enclave espanhol na África

Milhares de imigrantes atravessam para Ceuta a nado. | Reprodução/X - Reuters
A União Europeia convocou uma reunião de emergência para a próxima terça-feira (4) para discutir a crise migratória em Ceuta. A entrada de mais de 50 mil imigrantes em situação irregular no enclave espanhol no norte da África nos últimos dias levou países do bloco a reforçarem controles nas fronteiras e elevou a tensão política entre os governos europeus.
A Itália suspendeu por 30 dias a livre circulação de pessoas com a Espanha – antes permitida por meio do Espaço Schengen. Em resposta, o governo espanhol convocou o embaixador da Itália em Madri para apresentar um protesto formal.
Na Finlândia, a ministra do Interior, Mari Rantanen, acusou a Espanha de falhar na proteção da fronteira externa do bloco e defendeu que países que não cumpram essa obrigação sejam excluídos do sistema de livre circulação.
Portugal e França, que fazem fronteira terrestre com a Espanha, também anunciaram o reforço dos controles na fronteira. O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, informou que a medida foi determinada pelo presidente Emmanuel Macron e inclui o acionamento da Força de Intervenção Rápida de Fronteira para ampliar as inspeções.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, afirmou que a UE precisa manter a vigilância nos principais pontos de entrada e ampliar a coordenação entre os países-membros. Em publicação nas redes sociais, Von der Leyen reforçou as falas de autoridades espanholas sobre a maior parte dos imigrantes que entrou em Ceuta já ter retornado ao Marrocos. Segundo a presidente, nenhum dos migrantes chegou à Espanha continental ou a outros países da União Europeia.
Neste sábado (1º), autoridades espanholas instalaram uma barreira flutuante de 500 metros no mar, nas proximidades de Ceuta, para dificultar novas travessias.
A crise também repercutiu fora da Europa. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a situação na Espanha representa uma "catástrofe" e usou o episódio para defender o endurecimento das políticas migratórias americanas. Trump disse que, caso os republicanos não vençam as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, os Estados Unidos poderão enfrentar um fluxo migratório ainda maior do que o de Ceuta.















