Política

Dino vê preconceito regional de 'matriz racista' em críticas

Em post no Instagram, ministro afirmou que ataques tentam desqualificar sua formação e afirma que críticas ultrapassam limites da dignidade e da decência

Avatar de SBT News
SBT News
O ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 | Foto: Alejandro Zambrana/STF

O ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 | Foto: Alejandro Zambrana/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (20) que parte das críticas dirigidas a ele desde que chegou à Corte revela um "preconceito regional" de "matriz racista". Em publicação no Instagram, o magistrado disse perceber "ódio" à sua origem regional em textos publicados por jornais.

O post é acompanhado por um mapa do Brasil em que as regiões Norte e Nordeste aparecem destacadas, respectivamente, em verde e laranja, enquanto o Maranhão está marcado em azul-marinho — Dino nasceu em São Luís, capital maranhense. As demais regiões do país aparecem em cinza.

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

Sem citar nominalmente os veículos, Dino reproduziu expressões que afirma terem sido usadas para se referir a ele, como "jurista de província", "pessoa destituída de qualquer qualificação" e "oratória grandiloquente de província". Para o ministro, as críticas também buscam desqualificar seu conhecimento sobre Aristóteles e outros pensadores citados por ele em manifestações no Supremo.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover
"Como derivação desse indisfarçável preconceito regional, de matriz racista, fazem tudo para desqualificar o meu conhecimento sobre Aristóteles e outros pensadores. Sim, eu estudei a sua obra, sob a orientação do erudito professor Agostinho Ramalho Marques Neto, na UFMA. E no mestrado na UFPE, nas aulas do professor João Maurício Adeodato", escreveu.

Dino também rebateu questionamentos sobre citações a Aristóteles feitas de improviso durante sessões do STF. Segundo o ministro, críticos classificaram as referências como "frases que constam em qualquer manual de ensino médio" e "citações de algibeira", além de afirmarem que alguns dos trechos não estariam literalmente na obra do filósofo.

O ministro reconheceu que o exercício de funções públicas o submete ao debate e a críticas, mas afirmou considerar também seu dever apontar situações em que entende que determinadas manifestações ultrapassam esses limites. Dino disse esperar que o alerta contribua para críticas com maior "qualidade ética e técnica".

"O exercício das minhas funções públicas exige me submeter ao debate e às críticas. Mas é também meu dever indicar quando acho que certas expressões ofendem as leis, a dignidade, a decência. Quem sabe o alerta serve para que melhorem a qualidade ética e técnica das 'críticas'? E para que escrevam textos menos raivosos e mais consistentes."

Dino afirmou ainda que continuará recorrendo às referências que considerar pertinentes em suas manifestações. Entre elas, citou a Constituição Federal, as leis e os pensadores Aristóteles, Max Weber e Thomas Hobbes, além do cantor Chico César e do humorista Fábio Porchat.

Ao final da publicação, o ministro disse ter orgulho de sua "província", do Nordeste e da Amazônia e afirmou que não se submeterá a "gritos e imposições" de quem se considera intérprete das "metrópoles" brasileiras ou estrangeiras. Dino também relacionou a declaração à independência do Poder Judiciário.

Últimas notícias