Eleição na Zâmbia é marcada por suspeita de fraude
Autoridades do governo prenderam membros da oposição no dia do pleito; candidato derrotado contesta resultado da votação
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André de Sena, com informações da Reuters
Atual presidente de Zâmbia, Hakainde Hichilema vota | Reprodução/Reuters
O candidato derrotado na eleição presidencial da Zâmbia, Brian Mundubile, afirmou nesta quarta-feira (19) que houve fraude no pleito e que vai entrar na Justiça para contestar o resultado. De acordo com a comissão eleitoral, ele recebeu 38% dos votos válidos, ante 60% de seu adversário, o atual presidente do país, Hakainde Hichilema.
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"Nossa campanha documentou sérias irregularidades, inconsistências e outras circunstâncias em torno da condução, contagem, transmissão e declaração dos resultados", disse Mundubile, em um comunicado.
O período de campanha foi marcado por relativa tranquilidade, mas a tensão aumentou rapidamente no dia da eleição, quinta-feira (13), quando as autoridades zambianas prenderam 11 pessoas, inclusive figuras importantes da oposição, em uma operação que envolveu troca de tiros.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, demonstrou preocupação com as detenções.
"Exorto as autoridades a pararem de prender pessoas arbitrariamente e a respeitarem integralmente o direito ao devido processo legal de todos os detidos", afirmou.
Brian Mundubile, líder da oposição na Zâmbia | Reprodução/Reuters
Mundubile lidera a oposição no país da África Meridional, que possui cerca de 22 milhões de habitantes. Por conta dos episódios de violência, ele teve buscar proteção.
O comunicado que contesta o resultado oficial da eleição foi escrito de um esconderijo não revelado.
Observadores europeus
Uma missão de observadores da União Europeia levantou dúvidas sobre a transparência do processo eleitoral.
"Em quase metade das anotações, os observadores relataram longas pausas durante o processo de tabulação dos resultados, uma vez que os oficiais responsáveis pelo retorno pareciam estar aguardando instruções da sede, antes de anunciar os resultados", relatou a equipe europeia.
Além disso, a contagem foi suspensa por horas na sexta-feira (14), após surgirem relatos de violência contra funcionários das seções eleitorais e roubo de cédulas.
A missão da União Europeia acrescentou, ainda, que houve um número menor de observadores nos locais onde ocorreu a contagem, devido à forte presença de militares.
Recuperação econômica
Até o fechamento desta reportagem, Hichilema, do UPND (Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional), ainda não havia se manifestado sobre as acusações de Mundubile, líder do NRPUP (Partido da Reconciliação Nacional para a Unidade e a Prosperidade).
Ele ocupa o cargo de presidente desde 2021 e, de acordo com o resultado divulgado pela comissão eleitoral, foi reeleito para mais um mandato de cinco anos.
Sua campanha teve um discurso alavancado pela recuperação econômica de Zâmbia no período pós-pandemia de covid-19. Outro fator de peso na economia do país são as ricas reservas de cobre, que têm despertado o interesse da China e dos Estados Unidos.
Eleição na Zâmbia é marcada por suspeita de fraudeAutoridades do governo prenderam membros da oposição no dia do pleito; candidato derrotado contesta resultado da votaçãoMundo2026-08-19T19:51:55.945ZO candidato derrotado na eleição presidencial da Zâmbia, Brian Mundubile, afirmou nesta quarta-feira (19) que houve fraude no pleito e que vai entrar na Justiça para contestar o resultado. De acordo com a comissão eleitoral, ele recebeu 38% dos votos válidos, ante 60% de seu adversário, o atual presidente do país, Hakainde Hichilema. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique e siga o canal do SBT News. "Nossa campanha documentou sérias irregularidades, inconsistências e outras circunstâncias em torno da condução, contagem, transmissão e declaração dos resultados", disse Mundubile, em um comunicado. O período de campanha foi marcado por relativa tranquilidade, mas a tensão aumentou rapidamente no dia da eleição, quinta-feira (13), quando as autoridades zambianas prenderam 11 pessoas, inclusive figuras importantes da oposição, em uma operação que envolveu troca de tiros. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, demonstrou preocupação com as detenções. "Exorto as autoridades a pararem de prender pessoas arbitrariamente e a respeitarem integralmente o direito ao devido processo legal de todos os detidos", afirmou. Mundubile lidera a oposição no país da África Meridional, que possui cerca de 22 milhões de habitantes. Por conta dos episódios de violência, ele teve buscar proteção. O comunicado que contesta o resultado oficial da eleição foi escrito de um esconderijo não revelado. Observadores europeus Uma missão de observadores da União Europeia levantou dúvidas sobre a transparência do processo eleitoral. "Em quase metade das anotações, os observadores relataram longas pausas durante o processo de tabulação dos resultados, uma vez que os oficiais responsáveis pelo retorno pareciam estar aguardando instruções da sede, antes de anunciar os resultados", relatou a equipe europeia. Além disso, a contagem foi suspensa por horas na sexta-feira (14), após surgirem relatos de violência contra funcionários das seções eleitorais e roubo de cédulas. A missão da União Europeia acrescentou, ainda, que houve um número menor de observadores nos locais onde ocorreu a contagem, devido à forte presença de militares. Recuperação econômica Até o fechamento desta reportagem, Hichilema, do UPND (Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional), ainda não havia se manifestado sobre as acusações de Mundubile, líder do NRPUP (Partido da Reconciliação Nacional para a Unidade e a Prosperidade). Ele ocupa o cargo de presidente desde 2021 e, de acordo com o resultado divulgado pela comissão eleitoral, foi reeleito para mais um mandato de cinco anos. Sua campanha teve um discurso alavancado pela recuperação econômica de Zâmbia no período pós-pandemia de covid-19. Outro fator de peso na economia do país são as ricas reservas de cobre, que têm despertado o interesse da China e dos Estados Unidos. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/eleicao-na-zambia-e-marcada-por-suspeita-de-fraude
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