Drone russo atinge depósito de combustível em Chernobyl
Bombardeio causou danos significativos à instalação e afetou prédios próximos; níveis de radiação permanecem estáveis


Usina Nuclear de Chernobyl | Flickr
Um drone russo atingiu uma instalação de armazenamento de combustível nuclear usado perto da usina de Chernobyl, na Ucrânia, neste domingo (7). Segundo autoridades, o bombardeio causou danos significativos à instalação, incluindo janelas e portas, e afetou prédios próximos. Não houve feridos.
Em comunicado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que, até o momento, os níveis de radiação na instalação permanecem estáveis, conforme informado pelo governo ucraniano. Uma equipe técnica foi mobilizada para inspecionar o impacto do ataque.
“O incidente é profundamente preocupante, pois ocorreu em uma instalação contendo grandes quantidades de material nuclear. Ataques a locais nucleares são completamente inaceitáveis e em direta violação de princípios-chave de segurança nuclear, notadamente os 7 Pilares Indispensáveis para a segurança e proteção nuclear durante um conflito militar”, disse o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi.
O ataque também foi condenado pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que classificou o bombardeio como “extremamente repugnante”. Pelas redes sociais, o líder informou que o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Energia trabalham para “garantir que todos os aliados saibam o que aconteceu”
“A Rússia atacou deliberadamente essa instalação específica de infraestrutura nuclear. Até o momento, não há leituras que excedam os níveis normais de radiação de fundo. Mas certamente há um aumento na ousadia da Rússia”, escreveu Zelensky. “São necessários passos reais do mundo para que os russos sintam que essa guerra terrorista deles é um golpe para a própria Rússia”, acrescentou.
O ataque deixa a AIEA em alerta, uma vez que a usina de Chernobyl foi protagonista de um dos maiores desastres radioativos do mundo. Em 1986, um teste inadequado de baixa potência saiu de controle e causou uma explosão no reator 4, liberando grandes quantidades de radiação e matando 31 pessoas de imediato. Outras milhares morreram ao longo dos anos devido à Síndrome Aguda da Radiação (SAR).
Atualmente, a usina de Chernobyl está em fase de desativação — processo que envolve a remoção e eliminação do combustível e dos resíduos, bem como a descontaminação da área. Desde o início da guerra na Ucrânia, no entanto, a instalação vem sendo um dos alvos das tropas russas, com ataques capazes de prejudicar o funcionamento do local.
Em fevereiro de 2025, por exemplo, o chamado “Novo Confinamento Seguro” (NSC), escudo protetor construído em volta do reator 4 da usina para conter a radiação, foi danificado por um bombardeio de drone. O incidente mobilizou equipes técnicas da AIEA, que realizaram reparos temporários para evitar o vazamento da radiação.
Além de Chernobyl, a Ucrânia possui outras seis usinas nucleares, como a de Zaporizhzhia, que também já foi alvo de ataques russos durante a guerra. Em abril, mês em que o desastre de Chernobyl completou 40 anos, Zelensky classificou os bombardeios como “ameaça à segurança global”, reforçando que um desastre nuclear não atingiria só a Ucrânia, mas também outros países europeus.















