Desaprovação de Trump atinge novo recorde em meio à guerra com o Irã
Pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos mostra 62% de rejeição ao presidente dos EUA devido ao aumento do custo de vida


Camila Stucaluc
A desaprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atingiu 62%, maior nível registrado em seus dois mandatos. Os dados são da pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos, divulgada no domingo (3).
Segundo o levantamento, o resultado foi influenciado pela guerra contra o Irã. O conflito, lançado para conter o programa nuclear iraniano (leia mais abaixo), se expandiu para o Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo mundial, pressionando a economia global.
Nos Estados Unidos, o preço da gasolina, por exemplo, subiu mais de 40%, chegando a cerca de US$ 4,18 (R$ 20,89) por galão desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Ao todo, 66% dos entrevistados disseram desaprovar a condução de Trump na crise, ante 33% que afirmaram aprovar as decisões do presidente.
A pior avaliação está ligada ao custo de vida, categoria em que Trump é desaprovado por 76% dos norte-americanos e aprovado por 23%. Em relação à inflação, a aprovação do presidente chega a 27%. No cenário econômico geral, 34% disseram aprovar as decisões de Trump — sete pontos a menos do que o registrado na última pesquisa..
A alta desaprovação de Trump preocupa aliados republicanos, que temem que o presidente perca o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, em novembro deste ano. Conforme a pesquisa, os democratas lideram a preferência para a Câmara por 5 pontos percentuais (p.p) entre os eleitores registrados, vantagem que sobe para 9 p.p entre os que dizem ter certeza que irão votar.
A pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos foi realizada de forma online, entre 24 e 28 de abril, com 2.560 adultos nos Estados Unidos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Guerra no Irã
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.









