De sapatada a "diabo": os momentos mais memoráveis da ONU
Líderes mundiais voltam a se reunir na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que ocorre a partir de terça-feira (22)
Emanuelle Menezes, com informações da Reuters
António Guterres, secretário-geral da ONU, discursa na primeira reunião plenária da 79ª Sessão da Assembleia Geral, em 10 de setembro de 2024 | ONU/Eskinder Debebe
Líderes mundiais voltam a se reunir a partir de terça-feira (22) para os debates da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao longo das décadas, o encontro foi palco de discursos históricos, provocações, protestos diplomáticos e momentos que ultrapassaram – e muito – o limite voluntário de 15 minutos reservado a cada orador.
Criada em 1945 com 51 países fundadores, a ONU reúne atualmente 193 Estados-membros. Também podem discursar representantes de Estados observadores não membros, como a Santa Sé e o Estado da Palestina, além da União Europeia, que tem status de observador.
De discursos com mais de quatro horas a ameaças de “destruir totalmente” um país, passando por sapatadas na mesa e um presidente chamando outro de “diabo”, relembre alguns dos episódios mais marcantes da história da Assembleia Geral da ONU.
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Em 13 de outubro de 1960, o então primeiro-ministro soviético Nikita Khrushchev reagiu com irritação ao discurso do representante das Filipinas, que acusava a União Soviética de ter “engolido” países da Europa Oriental e privado essas nações de seus direitos.
Khrushchev bateu os punhos na mesa e, segundo relatos que se tornaram célebres, tirou um dos sapatos e o usou para golpear a bancada em protesto.
Nikita Khrushchev na Assembleia da ONU de 1960 | Reprodução/REUTERS
A história da “sapatada”, no entanto, é controversa. O historiador William Taubman, autor da biografia Khrushchev: The Man and His Era, reuniu testemunhas que afirmam que o líder soviético teria retirado o sapato e o levantado de forma ameaçadora, mas não chegado a bater com ele na mesa. Depois, teria deixado o calçado sobre a bancada.
Fidel Castro fala por quatro horas e meia
O líder cubano Fidel Castro também entrou para a história da Assembleia Geral de 1960 – com o discurso mais longo da história das Nações Unidas.
Fidel Castro em seu primeiro discurso na Assembleia da ONU | Reprodução/REUTERS
Em seu primeiro pronunciamento na ONU, 19 meses após a vitória da revolução cubana, Fidel falou por cerca de quatro horas e meia. O longo discurso ocorreu logo após o líder cubano prometer brevidade.
“Apesar de terem nos dado a fama de nos estendermos muito na fala, não se preocupem. Vamos fazer o possível para sermos breve”, disse.
Hugo Chávez chama George W. Bush de "diabo"
Hugo Chávez chama George W. Bush de 'diabo' na Assembleia Geral de 2006 | Reprodução/REUTERS
Um dia depois de o então presidente dos Estados Unidos George W. Bush discursar sobre as ambições nucleares do Irã, em 2006, o venezuelano Hugo Chávez subiu ao mesmo púlpito e protagonizou uma das provocações mais conhecidas da história recente da ONU.
“Ontem, o diabo esteve aqui, neste mesmo lugar. Ainda cheira a enxofre – este pódio onde estou falando”, afirmou Chávez.
O venezuelano continuou: “Ontem, senhoras e senhores, deste mesmo lugar, o presidente dos Estados Unidos – a quem chamo de diabo – veio aqui falar como dono do mundo, como dono do mundo.”
Gaddafi chama órgão da ONU de "Conselho do Terror"
Em 2009, em seu primeiro discurso na ONU após 40 anos no poder na Líbia, Muammar Gaddafi tinha 15 minutos previstos para falar. Acabou permanecendo no púlpito por cerca de 95 minutos.
Muammar Gaddafi discursa pela primeira vez na ONU, em 2009 | Reprodução/REUTERS
O líder líbio criticou duramente o Conselho de Segurança e o poder de veto dos cinco integrantes permanentes do órgão. Gaddafi chegou a rebatizar o órgão durante o discurso.
“Não deveria ser chamado de Conselho de Segurança, deveria ser chamado de Conselho do Terror.”
O líbio ainda chamou a atenção dos presentes ao reclamar do aparente cansaço dos delegados: “Todos vocês estão dormindo! Todos vocês estão cansados!”.
Abbas pede reconhecimento do Estado palestino
O presidente palestino Mahmoud Abbas usou a tribuna para anunciar formalmente o pedido de admissão da Palestina como membro pleno das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2011.
“Submeti a Sua Excelência, o Sr. Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, um pedido de admissão da Palestina, com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967, tendo Jerusalém como sua capital, como membro pleno das Nações Unidas”, declarou.
Mahmoud Abbas anuncia pedido de admissão da Palestina como membro pleno da ONU | Reprodução/REUTERS
Abbas mostrou aos presentes uma cópia da carta entregue ao então secretário-geral e recebeu uma ovação de pé de parte dos delegados. Representantes dos Estados Unidos e de Israel permaneceram sentados sem aplaudir.
Trump ameaça "destruir totalmente" Coreia do Norte
Donald Trump ameaça “destruir totalmente” a Coreia do Norte | Reprodução/REUTERS
Em meio às tensões provocadas pelo programa nuclear norte-coreano, em 2017, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ameaçou “destruir totalmente” a Coreia do Norte caso Washington fosse obrigado a defender a si próprio ou seus aliados.
“O homem-foguete está em uma missão suicida para si mesmo e para seu regime”, afirmou Trump, usando um apelido para se referir ao líder norte-coreano Kim Jong Un.
“Os Estados Unidos estão prontos, dispostos e aptos, mas esperamos que isso não seja necessário”, acrescentou.
Embaixador de Israel tritura Carta da ONU
Em maio de 2024, o então embaixador israelense na ONU Gilad Erdan levou uma pequena trituradora de papel ao púlpito.
Embaixador israelense na ONU Gilad Erdan tritura cópia da Carta da ONU | Reprodução/REUTERS
O diplomata destruiu páginas de uma cópia da Carta da ONU em protesto após a Assembleia Geral apoiar amplamente a candidatura palestina para se tornar membro pleno das Nações Unidas.
“Este é o seu espelho, para que você possa ver exatamente o que está infligindo à Carta da ONU com este voto destrutivo”, afirmou Erdan antes de triturar as páginas.
“Você está destruindo a Carta da ONU com suas próprias mãos.”
Netanyahu exibe mapas e delegados deixam plenário
Meses depois, em setembro de 2024, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, levou dois mapas ao púlpito da Assembleia Geral.
Um deles foi apresentado como “A Bênção” e representava, segundo Netanyahu, um futuro de integração e infraestrutura regional. O outro, chamado de “A Maldição”, fazia referência ao Irã, Iraque e Síria.
“Por um lado, uma bênção brilhante. Um futuro de esperança. Por outro lado, um futuro sombrio de desespero”, declarou.
Benjamin Netanyahu levou mapas ao púlpito da Assembleia Geral em 2024 | Reprodução/REUTERS
A chegada de Netanyahu ao púlpito provocou reações distintas no plenário: enquanto houve aplausos prolongados, delegados também deixaram o local em protesto.
De sapatada a "diabo": os momentos mais memoráveis da ONULíderes mundiais voltam a se reunir na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que ocorre a partir de terça-feira (22)Mundo2026-09-19T15:35:13.508ZLíderes mundiais voltam a se reunir a partir de terça-feira (22) para os debates da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao longo das décadas, o encontro foi palco de discursos históricos, provocações, protestos diplomáticos e momentos que ultrapassaram – e muito – o limite voluntário de 15 minutos reservado a cada orador. Criada em 1945 com 51 países fundadores, a ONU reúne atualmente 193 Estados-membros. Também podem discursar representantes de Estados observadores não membros, como a Santa Sé e o Estado da Palestina, além da União Europeia, que tem status de observador. De discursos com mais de quatro horas a ameaças de “destruir totalmente” um país, passando por sapatadas na mesa e um presidente chamando outro de “diabo”, relembre alguns dos episódios mais marcantes da história da Assembleia Geral da ONU. Khrushchev e o sapato Em 13 de outubro de 1960, o então primeiro-ministro soviético Nikita Khrushchev reagiu com irritação ao discurso do representante das Filipinas, que acusava a União Soviética de ter “engolido” países da Europa Oriental e privado essas nações de seus direitos. Khrushchev bateu os punhos na mesa e, segundo relatos que se tornaram célebres, tirou um dos sapatos e o usou para golpear a bancada em protesto. A história da “sapatada”, no entanto, é controversa. O historiador William Taubman, autor da biografia Khrushchev: The Man and His Era, reuniu testemunhas que afirmam que o líder soviético teria retirado o sapato e o levantado de forma ameaçadora, mas não chegado a bater com ele na mesa. Depois, teria deixado o calçado sobre a bancada. Fidel Castro fala por quatro horas e meia O líder cubano Fidel Castro também entrou para a história da Assembleia Geral de 1960 – com o discurso mais longo da história das Nações Unidas. Em seu primeiro pronunciamento na ONU, 19 meses após a vitória da revolução cubana, Fidel falou por cerca de quatro horas e meia. O longo discurso ocorreu logo após o líder cubano prometer brevidade. “Apesar de terem nos dado a fama de nos estendermos muito na fala, não se preocupem. Vamos fazer o possível para sermos breve”, disse. Hugo Chávez chama George W. Bush de "diabo" Um dia depois de o então presidente dos Estados Unidos George W. Bush discursar sobre as ambições nucleares do Irã, em 2006, o venezuelano Hugo Chávez subiu ao mesmo púlpito e protagonizou uma das provocações mais conhecidas da história recente da ONU. “Ontem, o diabo esteve aqui, neste mesmo lugar. Ainda cheira a enxofre – este pódio onde estou falando”, afirmou Chávez. O venezuelano continuou: “Ontem, senhoras e senhores, deste mesmo lugar, o presidente dos Estados Unidos – a quem chamo de diabo – veio aqui falar como dono do mundo, como dono do mundo.” Gaddafi chama órgão da ONU de "Conselho do Terror" Em 2009, em seu primeiro discurso na ONU após 40 anos no poder na Líbia, Muammar Gaddafi tinha 15 minutos previstos para falar. Acabou permanecendo no púlpito por cerca de 95 minutos. O líder líbio criticou duramente o Conselho de Segurança e o poder de veto dos cinco integrantes permanentes do órgão. Gaddafi chegou a rebatizar o órgão durante o discurso. “Não deveria ser chamado de Conselho de Segurança, deveria ser chamado de Conselho do Terror.” O líbio ainda chamou a atenção dos presentes ao reclamar do aparente cansaço dos delegados: “Todos vocês estão dormindo! Todos vocês estão cansados!”. Abbas pede reconhecimento do Estado palestino O presidente palestino Mahmoud Abbas usou a tribuna para anunciar formalmente o pedido de admissão da Palestina como membro pleno das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2011. “Submeti a Sua Excelência, o Sr. Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, um pedido de admissão da Palestina, com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967, tendo Jerusalém como sua capital, como membro pleno das Nações Unidas”, declarou. Abbas mostrou aos presentes uma cópia da carta entregue ao então secretário-geral e recebeu uma ovação de pé de parte dos delegados. Representantes dos Estados Unidos e de Israel permaneceram sentados sem aplaudir. Trump ameaça "destruir totalmente" Coreia do Norte Em meio às tensões provocadas pelo programa nuclear norte-coreano, em 2017, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ameaçou “destruir totalmente” a Coreia do Norte caso Washington fosse obrigado a defender a si próprio ou seus aliados. “O homem-foguete está em uma missão suicida para si mesmo e para seu regime”, afirmou Trump, usando um apelido para se referir ao líder norte-coreano Kim Jong Un. “Os Estados Unidos estão prontos, dispostos e aptos, mas esperamos que isso não seja necessário”, acrescentou. Embaixador de Israel tritura Carta da ONU Em maio de 2024, o então embaixador israelense na ONU Gilad Erdan levou uma pequena trituradora de papel ao púlpito. O diplomata destruiu páginas de uma cópia da Carta da ONU em protesto após a Assembleia Geral apoiar amplamente a candidatura palestina para se tornar membro pleno das Nações Unidas. “Este é o seu espelho, para que você possa ver exatamente o que está infligindo à Carta da ONU com este voto destrutivo”, afirmou Erdan antes de triturar as páginas. “Você está destruindo a Carta da ONU com suas próprias mãos.” Netanyahu exibe mapas e delegados deixam plenário Meses depois, em setembro de 2024, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, levou dois mapas ao púlpito da Assembleia Geral. Um deles foi apresentado como “A Bênção” e representava, segundo Netanyahu, um futuro de integração e infraestrutura regional. O outro, chamado de “A Maldição”, fazia referência ao Irã, Iraque e Síria. “Por um lado, uma bênção brilhante. Um futuro de esperança. Por outro lado, um futuro sombrio de desespero”, declarou. A chegada de Netanyahu ao púlpito provocou reações distintas no plenário: enquanto houve aplausos prolongados, delegados também deixaram o local em protesto.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/de-sapatada-a-diabo-os-momentos-mais-memoraveis-da-onu
Ao SBT News, Sérgio Leonardo disse que seu cliente teria informações relevantes para contribuir com as investigações, mas que não houve interesse nesse sentido