Política

Frente evangélica lança jingle e tenta virar votos para Lula

Grupo de fiéis articula estratégia para melhorar a aprovação do presidente no segmento com refrão que diz que votar no petista “não é pecado não”

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Victor Schneider
Lula recebe orações em outubro de 2024 ao sancionar o Dia Nacional da Música Gospel | Ricardo Stuckert/PR

Lula recebe orações em outubro de 2024 ao sancionar o Dia Nacional da Música Gospel | Ricardo Stuckert/PR

Em um esforço para melhorar a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no eleitorado evangélico, grupos de fiéis progressistas lançaram nos últimos dias um jingle no estilo “brega gospel” com o mote de que votar em Lula “não é pecado não".

A estratégia faz parte das articulações da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento criado em 2016 e que formalizou apoio à reeleição do petista já no primeiro turno, diferentemente das últimas eleições.

“Crente pode sim em Lula votar. Ele pode sim, não é pecado não”, diz o refrão do jingle, que passou a circular nas redes na quinta (17).

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O movimento já vinha sendo planejado desde antes do encontro realizado por Lula e pela primeira-dama Janja com representantes evangélicos do Brasil e dos Estados Unidos na quarta (16), no Palácio do Planalto. Uma das presentes na reunião foi Nilza Valéria, coordenadora do Evangélicos pelo Estado de Direito e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social da Presidência, o Conselhão.

Ao SBT News, ela diz que a campanha vira-votos foca em linguajar acessível ao público evangélico como um todo, com panfletos, músicas e boca a boca em cidades de todas as regiões. O objetivo é reduzir a rejeição de Lula e convencer que as ações sociais do governo estão alinhadas com a mensagem do Evangelho.

Ela frisa que esse debate político fica da porta da igreja para fora, sem adentrar o púlpito dos templos.

“Quando a gente chega na rua, fazemos diálogo e disputamos esse voto. Escutamos o motivo pelo qual a pessoa não vota no nosso candidato e apresentamos motivos para que vote. Por outro lado, ele tenta apresentar motivos para votar no candidato dele. Às vezes a gente consegue ganhar o voto, às vezes não. Isso é um processo eleitoral normal e saudável [...] Crentes precisam ser conhecidos como o povo do amor", afirma.
Lula discursa durante evento que reuniu lideranças evangélicas; Nilza Valéria está de vermelho ao lado da primeira-dama Janja | Ricardo Stuckert/Flickr
Lula discursa durante evento que reuniu lideranças evangélicas; Nilza Valéria está de vermelho ao lado da primeira-dama Janja | Ricardo Stuckert/Flickr

Pesquisa Quaest divulgada na segunda (14) mostra que, no primeiro turno, 41% dos que se declaram evangélicos vão votar em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente, com 24% ao lado da reeleição de Lula. Em um 2º turno, o filho mais velho de Jair Bolsonaro consegue somar mais 10 pontos e vai a 51%, enquanto Lula cresce só 4 pontos e tem 28%. Há cerca de 47 milhões de evangélicos no país, segundo o último Censo.

Sem nova “Carta aos Evangélicos”

Apesar do gesto de aproximação durante o encontro, não há expectativa de que Lula reedite a “Carta aos Evangélicos" feita em 2022, documento que contou com forte incentivo da frente liderada por Nilza. O texto foi lançado antes do segundo turno e destacou ter sido responsabilidade de governos petistas a criação da Marcha para Jesus, do Dia Nacional dos Evangélicos e das condições para a proliferação de igrejas pentecostais e neopentecostais na primeira década deste século.

Agora, a coordenadora avalia que há um movimento majoritário para afastar a política dos templos depois de uma guinada conservadora iniciada em 2018, com pastores se alinhando ao bolsonarismo e pedindo votos abertamente para candidatos de direita.

O afastamento natural que se seguiu entre igreja e esquerda alimentou, na visão de Nilza, uma tese preconceituosa de que o Brasil caminhava para virar um “Evangelistão” – ou seja, uma teocracia conservadora baseada na Bíblia. Ao contrário, ela avalia que a religião avança sobre o catolicismo por abraçar elementos da cultura popular e abarcar, em sua maioria, fiéis pretos, pobres e mulheres, três recortes demográficos historicamente inclinados a Lula.

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