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Cubanos lideram pedidos de refúgio no Brasil em 2025

Dados divulgados pelo governo e pela ACNUR mostram que cubanos ultrapassam venezuelanos entre os solicitantes de proteção internacional no país

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SBT News
22/06/2026, 18:10 • Atualizado em 22/06/2026, 18:50
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Os cubanos ultrapassaram os venezuelanos e lideraram os pedidos de refúgio ao Brasil em 2025. O dado integra a edição 2026 do relatório Refúgio em Números, divulgada nesta segunda-feira (22) pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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Segundo o levantamento, o número total de solicitações de refúgio cresceu mais de 10% em 2025 na comparação com o ano anterior. Foram mais de 75 mil pedidos apresentados por cidadãos de diferentes nacionalidades. Desses, 42 mil eram cubanos. A mudança no perfil dos solicitantes ocorre em meio à grave crise econômica enfrentada por Cuba, marcada por escassez de produtos, apagões frequentes e tensões com os Estados Unidos.

Os dados foram apresentados em conjunto com o relatório global Tendências Globais, da ACNUR, a agência da ONU para refugiados. Em entrevista ao Radar News, a oficial de proteção da ACNUR, Silvia Sander, destacou que o mundo registrou, pela primeira vez em uma década, uma redução no número de pessoas em situação de deslocamento forçado.

De acordo com a agência, cerca de 118 milhões de pessoas estavam deslocadas à força no mundo, uma queda de aproximadamente 4% em relação a 2024. No entanto, Sander alertou que a redução não está necessariamente associada à diminuição de guerras ou perseguições.

“Como principal razão para essa redução, a gente não encontra uma maior promoção da paz ou uma redução dos conflitos, mas sim um retorno, não raro involuntário, de pessoas refugiadas para seus países de origem”, afirmou.

A representante da ACNUR citou o caso de quase 2 milhões de afegãos que estavam em países como Irã e Paquistão e retornaram ao Afeganistão após pressões dos governos locais, mesmo diante de condições ainda consideradas inseguras. Situações semelhantes também foram observadas em países como Síria e Sudão.

Américas

Enquanto os números globais apontam para uma queda, o cenário nas Américas segue em direção oposta. Segundo a ACNUR, a região registrou aumento de cerca de 4% no número de deslocados forçados, alcançando mais de 22 milhões de pessoas.

A maior parte desse contingente é formada por venezuelanos, mas também inclui haitianos e cidadãos de outras nacionalidades que buscam proteção e oportunidades de reconstruir suas vidas em países da região. Para Silvia Sander, a América Latina e o Caribe se consolidaram como uma das principais regiões de acolhida do mundo.

“A região é considerada um celeiro de práticas interessantes de integração, com acesso à educação, ao mercado de trabalho e à documentação”, destacou.

Apesar de os cubanos terem liderado os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, os venezuelanos continuam representando a maior população deslocada das Américas. Segundo a ACNUR, cerca de 6,5 milhões de venezuelanos permanecem fora de seu país de origem em busca de proteção internacional.

Brasil

O Brasil é atualmente o terceiro país que mais acolhe venezuelanos na América Latina. Embora o fluxo de entrada pela fronteira de Roraima tenha diminuído em relação aos anos anteriores, a chegada de migrantes continua constante.

Pesquisa recente realizada pela ACNUR mostra que apenas 9% dos venezuelanos entrevistados acreditam ser possível retornar ao país nos próximos 12 meses. A maioria considera que ainda não existem condições adequadas de segurança e estabilidade para o retorno.

Segundo Silvia Sander, muitos dos venezuelanos que chegaram ao Brasil avaliam positivamente as oportunidades encontradas no país e pretendem permanecer, contribuindo para as comunidades que os acolheram.

"O que a gente percebe dessa população é que, por um lado, [eles] não entendem ser seguro o retorno e, por outro lado, consideram que o Brasil é um país que tem conseguido ofertar boas oportunidades de recomeço, de retomada dos projetos dessas pessoas. Então, a tendência é continuarem aqui contribuindo com essa comunidade brasileira que os tem acolhido"

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