Correspondente do SBT é ameaçado após denúncia sobre morte de brasileiro na Ucrânia
Sérgio Utsch e o repórter americano Jared Goyette estão sendo intimidados por chefe de unidade militar onde brasileiro foi torturado e morto
SBT Brasil
Há pouco mais de um mês, o SBT Brasil exibiu uma reportagem exclusiva que denunciou a morte do soldado pernambucano Bruno Gabriel Leal da Silva, na Ucrânia. Ele foi torturado em uma unidade militar, chefiada pelo também brasileiro Leanderson Paulino. A matéria foi feita pelo nosso correspondente em Londres, Sérgio Utsch, em parceria com o repórter americano Jared Goyette, do jornal ucraniano Kyiv Indepéndent. Desde então, os dois profissionais vêm sofrendo ameaças e tentativas de intimidação por parte de Paulino.
O caso provocou reações de entidades internacionais de proteção aos jornalistas. O Comitê para Proteção dos Jornalistas, organização sem fins lucrativos, com sede em Nova York, publicou que as autoridades ucranianas devem investigar, de forma imediata e completa, as recentes ameaças, que os jornalistas devem poder reportar temas de interesse público com segurança e liberdade, e que é particularmente crucial que possam fazê-lo ao cobrir assuntos militares em tempos de guerra.
A Associação de Imprensa Estrangeira em Londres declarou que está muito preocupada com as múltiplas ameaças recebidas por Sérgio Utsch. A entidade destaca que o correspondente do SBT tem feito reportagens na Ucrânia nos últimos quatro anos e é um membro altamente respeitado pela imprensa internacional na capital britânica, manifestando total apoio e solidariedade a ele.
A diretoria de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia emitiu um documento oficial em que enfatiza que quaisquer manifestações de ameaças, pressão ou comportamento inadequado em relação a representantes da mídia são inaceitáveis e não correspondem aos princípios do serviço, e que quaisquer comentários e publicações nas páginas pessoais de militares, nas redes sociais, não refletem a posição oficial da unidade, nem da diretoria de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia.
"Quaisquer comentários e publicações nas páginas pessoais de militares nas redes sociais não refletem a posição oficial da unidade nem da diretoria principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia como um todo. O Comando da Legião nunca tolerou pressão sobre a imprensa".
No Brasil, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou as ameaças contra o correspondente do SBT. A Abraji reiterou o apoio ao jornalista e espera que autoridades da Ucrânia investiguem o caso com a devida seriedade e transparência.









