Canadá suspende negociações e anuncia retaliação aos EUA
Primeiro-ministro Mark Carney alega que mudanças de última hora em proposta foram "injustas, antieconômicas e colocaram em dúvida a confiabilidade do acordo"

Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá. | Foto: Divulgação/Fórum Econômico Mundial
Sem chegar em um acordo com os Estados Unidos, que impuseram tarifas de 50% sobre produtos canadenses, o primeiro-ministro Mark Carney anunciou ter interrompido as negociações, e disse que vai retaliar o país vizinho “dólar por dólar”.
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As tarifas estabelecidas pelo governo de Donald Trump começaram a valer neste sábado (22), e incidem sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, em itens como tacos de madeira de hóquei no gelo. Isso representa pouco mais de 5% das exportações do Canadá para os EUA.
Entretanto, as novas tarifas marcam um aumento nas tensões entre Trump e Carney, e devem dificultar negociações mais amplas para renovar o acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá.
“Decidi suspender as negociações comerciais com os EUA e instruí os negociadores do Canadá a retornarem a Ottawa”, disse Carney, em comunicado.
O país é o segundo maior parceiro comercial dos EUA, atrás apenas do México.
“Eles [os negociadores] trabalharam arduamente, de boa-fé, para defender os interesses dos canadenses ao longo dessas negociações até o último minuto”, disse.
Horas antes da suspensão das negociações, os dois lados pareciam estar próximos de um acordo que, segundo fontes, reduziria as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, e poderia levar bebidas alcoólicas americanas de volta às lojas canadenses.
“No entanto, as mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA foram injustas, antieconômicas e colocaram em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo”, completou o primeiro-ministro.
Não há novas negociações agendadas, já que os EUA estão implementando as novas tarifas, disse o funcionário.
No mês passado, Trump ameaçou impor uma série de tarifas sobre diversos produtos canadenses, como vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei, que não se qualificam para tratamento preferencial sob o Acordo de Livre Comércio entre EUA, México e Canadá.
Especialistas em comércio internacional afirmam que as tarifas expõem alguns setores já vulneráveis a possíveis danos graves, que poderiam levar à perda de empregos e ao fechamento de empresas.
As novas tarifas se somam às já existentes nos EUA sobre aço, madeira serrada e automóveis, que sofreram forte impacto nos últimos 18 meses, embora o mal-estar tenha sido amplamente contido dentro desses setores.
Sem 'política da boa vizinhança'
Mark Carney é economista e se tornou primeiro-ministro do Canadá em 2025. Ele já chefiou bancos centrais de duas grandes economias: o do Canadá, entre 2008 e 2013, e o da Inglaterra, de 2013 a 2020.
Foi eleito no ano passado, com a promessa de enfrentar Trump, e continua amplamente popular. Pesquisas mostram que a maioria dos canadenses se opõe a fazer quaisquer concessões a Trump.
“Esta noite, o Canadá se recusou a finalizar o acordo comercial nos termos acordados no início desta semana. É é uma oportunidade perdida para o Canadá se associar aos Estados Unidos, que são a economia que mais cresce no G7”, disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, durante uma coletiva na Casa Branca.
Uma autoridade de alto escalão do governo Trump disse que a oferta dos amercanos teria colocado o Canadá na melhor posição tarifária entre todos os principais exportadores, mas que o país queria concessões adicionais, especialmente em relação ao aço, ao alumínio, aos automóveis e à madeira macia.
















