Brasil e UE fecham parceria em IA em contraponto aos EUA
Bloco europeu foi quem procurou o governo brasileiro para propor atuação conjunta no setor digital


Lula cumprimenta Ursula Von der Leyen próximo à bandeira do Brasil e à da União Europeia (Ricardo Stuckert/PR)
A ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck, e a vice-presidente da Comissão Europeia, Henna Virkkuen, assinaram nesta sexta-feira (12), em Brasília, um documento que oficializa a parceria digital entre o Brasil e o bloco de países da Europa.
No tratado assinado entre o governo brasileiro e a União Europeia (UE), eles justificam que a aceleração da transformação digital na economia e na sociedade e o impacto geopolítico das tecnologias digitais impõe a necessidade de fortalecimento da cooperação digital entre o Brasil e a UE.
O documento defende ainda que a tecnologia precisa ser usada para o desenvolvimento sustentável em três pilares - econômico, social e e ambiental - e fundamentada em valores democráticos e no pleno respeito aos direitos humanos.
Brasil e UE também prometem trabalhar de forma conjunta para o avanço da agenda multilateral de governança digital nas Nações Unidas. A ideia é ampliar a agenda em foros selecionados para defender posições conjuntas e estratégias compartilhadas.
A parceria prevê ainda o intercâmbio contínuo de informações e boas práticas sobre a evolução da fronteira regulatória das tecnologias das tecnologias emergentes, incluindo, inteligência artificial, robótica e 6G. O texto cita que "cooperação visará promover intercâmbios sobre os aspectos de inovação e regulação da IA, bem como sobre governança global da IA em foros multilaterais".
O acordo é encarado também por integrantes da diplomacia brasileira como uma forma de reduzir a dependência das tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos. Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura já haviam assinado parceria com a UE. No início do ano passado, Estados Unidos e Reino Unido se recusaram a assinar uma declaração global subscrita por 61 países incluindo membro da UE e a China com a defesa de uma inteligência artificial aberta, inclusiva e ética.















