Venezuela: após EUA assumirem petróleo, Chevron amplia ação
Washington diz que novos investimentos vão preparar país latino para futuro governo eleito
Patrícia Vasconcellos
O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: REUTERS/Kylie Cooper
Washington DC - A Chevron deve anunciar uma ampliação das operações na Venezuela durante uma visita do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, ao país. A informação foi antecipada por duas autoridades do governo norte-americano em uma conversa por telefone com jornalistas da qual o SBT News participou.
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Segundo uma das fontes, Wright vai liderar uma delegação à Venezuela e a expansão da Chevron deve aumentar a capacidade de produção de petróleo do país.
“A Chevron vai anunciar que está ampliando suas atuais operações dentro da Venezuela. Isso também vai aumentar a capacidade de produção”, afirmou uma das autoridades. Washington também espera novos investimentos privados. Segundo as autoridades, vários acordos de pequeno e médio porte foram anunciados nos últimos dias e outros estão em negociação.
A estratégia faz parte de um plano mais amplo dos Estados Unidos para recuperar a indústria petrolífera venezuelana enquanto o país avança em direção a uma eleição. O governo norte-americano argumenta que recuperação econômica e transição política precisam ocorrer simultaneamente.
Um dos integrantes da administração Trump disse que o objetivo é que um futuro governo eleito democraticamente na Venezuela receba “não um país destruído, mas um país que pelo menos tenha sido estabilizado e esteja funcionando”.
“Os Estados Unidos não estão investindo dólares. Estão dando seu respaldo ao acordo em troca de 35% de participação acionária”, afirmou uma delas.
O acordo também garante aos Estados Unidos acesso privilegiado à produção. De acordo com uma das autoridades, 20% do petróleo produzido poderá ser adquirido pelos EUA pelo custo de produção. Sobre os outros 80%, Washington terá direito de preferência. “Vinte por cento da produção está reservada e teremos o direito de adquiri-la pelo custo de produção. Sobre os outros 80%, temos direito de preferência”, afirmou.
Também foi dito que o mecanismo funciona como uma garantia de segurança energética de longo prazo. Dependendo das decisões de futuros governos norte-americanos, o petróleo poderia, por exemplo, ser destinado à Reserva Estratégica dos Estados Unidos.
Uma das fontes disse que a operação envolve cerca de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas e que o apoio dos EUA deve facilitar a entrada de capital privado necessário para elevar a produção. O governo norte-americano estima que o novo modelo possa resultar em US$ 100 bilhões ou mais em investimentos privados. Segundo as autoridades, o teto de royalties pagos à Venezuela será de até 30%, além de um imposto sobre hidrocarbonetos de até 15%.
Disputa com China e Rússia
As autoridades deixaram claro que a estratégia também tem um objetivo geopolítico: reduzir a influência de China e Rússia sobre as reservas de petróleo venezuelanas.
“Queremos empresas russas e chinesas controlando a riqueza de um país no nosso hemisfério ou queremos os Estados Unidos tendo influência sobre esses recursos?”, questionou.
Eleições ainda sem data
Apesar dos novos investimentos e dos acordos com as atuais autoridades venezuelanas, o governo dos EUA afirma que isso não significa uma consolidação do governo interino.
As duas autoridades disseram que a transição para um governo democraticamente eleito continua sendo o objetivo, mas não apresentaram uma data para a realização das eleições.
Questionada se a transição poderia levar um, dois, cinco anos ou até uma década, a resposta foi: “Não acho que alguém ficaria satisfeito com cinco anos ou uma década.” Segundo o funcionário do governo norte-americano, Washington quer que as eleições ocorram “o mais rápido possível”, assim que existirem condições para uma votação considerada livre e confiável.
Os jornalistas ainda receberam a informação de que representantes da Assembleia Nacional eleita em 2015 (que representou o último parlamento controlado pela oposição chavista) estão envolvidos nas negociações. Duas rodadas de conversas já foram realizadas e uma terceira está em andamento para discutir, entre outros pontos, um cronograma para a transição.
“É preciso ter uma eleição. Isso certamente é uma condição necessária para que haja democracia. Mas democracia é mais do que apenas eleições”, afirmou uma das autoridades.
Segundo Washington, será necessário reconstruir instituições, garantir liberdade de imprensa, permitir que partidos políticos se organizem e criar um sistema eleitoral capaz de conquistar a confiança dos venezuelanos.
Recursos para um futuro governo
Com o aumento da produção, Washington espera que royalties e impostos gerem recursos inicialmente para as atuais autoridades e, posteriormente, para o governo eleito. “O governo democraticamente eleito da Venezuela vai herdar essas receitas, esses royalties”, disse.
A avaliação de Washington é que essas receitas poderão financiar estradas, escolas, habitação e outros serviços públicos, além de ajudar na reconstrução da economia.
Críticas ao modelo de Maduro
As autoridades criticaram a administração de Nicolás Maduro em relação ao petróleo. Segundo uma das fontes, US$ 64 bilhões em petróleo teriam sido fornecidos gratuitamente ou de forma subsidiada a Cuba. A mesma fonte disse que a China chegou a receber descontos de até US$ 21 por barril em relação ao Brent, enquanto a Rússia recebeu petróleo para pagamento de dívidas.
Venezuela: após EUA assumirem petróleo, Chevron amplia açãoWashington diz que novos investimentos vão preparar país latino para futuro governo eleitoMundo2026-09-01T20:25:54.357ZWashington DC - A Chevron deve anunciar uma ampliação das operações na Venezuela durante uma visita do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, ao país. A informação foi antecipada por duas autoridades do governo norte-americano em uma conversa por telefone com jornalistas da qual o SBT News participou. Segundo uma das fontes, Wright vai liderar uma delegação à Venezuela e a expansão da Chevron deve aumentar a capacidade de produção de petróleo do país. “A Chevron vai anunciar que está ampliando suas atuais operações dentro da Venezuela. Isso também vai aumentar a capacidade de produção”, afirmou uma das autoridades. Washington também espera novos investimentos privados. Segundo as autoridades, vários acordos de pequeno e médio porte foram anunciados nos últimos dias e outros estão em negociação. A estratégia faz parte de um plano mais amplo dos Estados Unidos para recuperar a indústria petrolífera venezuelana enquanto o país avança em direção a uma eleição. O governo norte-americano argumenta que recuperação econômica e transição política precisam ocorrer simultaneamente. Um dos integrantes da administração Trump disse que o objetivo é que um futuro governo eleito democraticamente na Venezuela receba “não um país destruído, mas um país que pelo menos tenha sido estabilizado e esteja funcionando”. Petróleo e interesse estratégico dos EUA As duas autoridades defenderam o acordo que privada no setor petrolífero venezuelano, sem investimento direto de recursos públicos dos Estados Unidos. “Os Estados Unidos não estão investindo dólares. Estão dando seu respaldo ao acordo em troca de 35% de participação acionária”, afirmou uma delas. O acordo também garante aos Estados Unidos acesso privilegiado à produção. De acordo com uma das autoridades, 20% do petróleo produzido poderá ser adquirido pelos EUA pelo custo de produção. Sobre os outros 80%, Washington terá direito de preferência. “Vinte por cento da produção está reservada e teremos o direito de adquiri-la pelo custo de produção. Sobre os outros 80%, temos direito de preferência”, afirmou. Também foi dito que o mecanismo funciona como uma garantia de segurança energética de longo prazo. Dependendo das decisões de futuros governos norte-americanos, o petróleo poderia, por exemplo, ser destinado à Reserva Estratégica dos Estados Unidos. Uma das fontes disse que a operação envolve cerca de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas e que o apoio dos EUA deve facilitar a entrada de capital privado necessário para elevar a produção. O governo norte-americano estima que o novo modelo possa resultar em US$ 100 bilhões ou mais em investimentos privados. Segundo as autoridades, o teto de royalties pagos à Venezuela será de até 30%, além de um imposto sobre hidrocarbonetos de até 15%. Disputa com China e Rússia As autoridades deixaram claro que a estratégia também tem um objetivo geopolítico: reduzir a influência de China e Rússia sobre as reservas de petróleo venezuelanas. “Queremos empresas russas e chinesas controlando a riqueza de um país no nosso hemisfério ou queremos os Estados Unidos tendo influência sobre esses recursos?”, questionou. Eleições ainda sem data Apesar dos novos investimentos e dos acordos com as atuais autoridades venezuelanas, o governo dos EUA afirma que isso não significa uma consolidação do governo interino. As duas autoridades disseram que a transição para um governo democraticamente eleito continua sendo o objetivo, mas não apresentaram uma data para a realização das eleições. Questionada se a transição poderia levar um, dois, cinco anos ou até uma década, a resposta foi: “Não acho que alguém ficaria satisfeito com cinco anos ou uma década.” Segundo o funcionário do governo norte-americano, Washington quer que as eleições ocorram “o mais rápido possível”, assim que existirem condições para uma votação considerada livre e confiável. Os jornalistas ainda receberam a informação de que representantes da Assembleia Nacional eleita em 2015 (que representou o último parlamento controlado pela oposição chavista) estão envolvidos nas negociações. Duas rodadas de conversas já foram realizadas e uma terceira está em andamento para discutir, entre outros pontos, um cronograma para a transição. “É preciso ter uma eleição. Isso certamente é uma condição necessária para que haja democracia. Mas democracia é mais do que apenas eleições”, afirmou uma das autoridades. Segundo Washington, será necessário reconstruir instituições, garantir liberdade de imprensa, permitir que partidos políticos se organizem e criar um sistema eleitoral capaz de conquistar a confiança dos venezuelanos. Recursos para um futuro governo Com o aumento da produção, Washington espera que royalties e impostos gerem recursos inicialmente para as atuais autoridades e, posteriormente, para o governo eleito. “O governo democraticamente eleito da Venezuela vai herdar essas receitas, esses royalties”, disse. A avaliação de Washington é que essas receitas poderão financiar estradas, escolas, habitação e outros serviços públicos, além de ajudar na reconstrução da economia. Críticas ao modelo de Maduro As autoridades criticaram a administração de Nicolás Maduro em relação ao petróleo. Segundo uma das fontes, US$ 64 bilhões em petróleo teriam sido fornecidos gratuitamente ou de forma subsidiada a Cuba. A mesma fonte disse que a China chegou a receber descontos de até US$ 21 por barril em relação ao Brent, enquanto a Rússia recebeu petróleo para pagamento de dívidas.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/apos-eua-assumirem-petroleo-chevron-ampliara-operacao-na-venezuela
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