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Cibercrimes: Brasil é o 5º país mais afetado por ataques no mundo

Grandes empresas são os principais alvos dos hackers, que pedem muito dinheiro pelo resgate dos dados

Cibercrimes: Brasil é o 5º país mais afetado por ataques no mundo
Investimento nas áreas da tecnologia tendem a diminuir os problemas envolvendo ataques cibernéticos | Unsplash
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Segundo pesquisa da Check Point, dados globais alertam para o aumento dos ataques cibernéticos. Há 40% mais violações a dados de organizações neste ano em comparação ao ano passado. O Brasil também sofre com essa realidade, é o quinto país mais afetado do mundo. Recentemente, grandes empresas privadas, como Renner, Porto Seguro, JBS e CVC, foram vítimas de cibercrimes. A área do ambiente digital que atua na prevenção dos ataques, na mitigação de danos e na recuperação de dados traz um aviso sobre a importância da prevenção digital.

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Na opinião do advogado especialista em direito digital e também proprietário da Leme Advocacia João Carlos Leme da Costa, os ataques de ransomware - um tipo de ataque virtual no qual um computador, quando infectado, tem seus dados criptografados, impedindo que eles possam ser acessados -  tendem a aumentar.  "As grandes empresas são os principais alvos, pois podem pagar alta quantia pelo resgate dos dados", afirma João Carlos.

A varejista Renner sofreu ataque cibernético via ransomware no mês de agosto. Os canais de venda online da companhia ficaram mais de 48 horas sem funcionar. Após o ocorrido, a empresa se pronunciou em comunicado oficial sobre o caso. "As equipes permanecem mobilizadas de acordo com o plano de proteção e recuperação, com todos os seus protocolos de controle e segurança, e com um trabalho de apuração, documentação e investigação sobre o ocorrido", destacou a empresa.

Com a chegada da pandemia do coronavírus, milhares de pessoas e empresas precisaram se isolar. Nesse momento, a tecnologia ganhou espaço cada vez maior no dia a dia das pessoas, com o consequente aumento da preocupação com as informações que circulam nas redes.

Leme da Costa, aponta que a pandemia trouxe os "invisíveis do sistema", pessoas que inexistem para o Estado. "O cenário atual trouxe ao sistema 30 milhões de brasileiros que estavam fora de qualquer cadastro governamental, agora tendo que lidar com os meios digitais, vítimas fáceis para os criminosos", alerta. Desse modo, o combate contra os cibercrimes se torna essencial. Os criminosos atuam na vulnerabilidade da rede para atacar e roubar dados de uma empresa.

Proteção de dados 

Mas afinal, é possível se proteger de ataques cibernéticos? Apesar do foco muitas vezes ser nos meios jurídicos, são inúmeras as pessoas físicas que já enfrentaram problemas, apesar de menores, com invasão de dados. O analista de rede e segurança da informação Gabriel Moreira Silva pede a conscientização sobre o perigo da internet e completa que, atualmente, é preciso "sempre desconfiar, até mesmo de usuários conhecidos". Ele atenta também para o recebimento de algo inesperado, e reforça a necessidade de confirmar se, de fato, está conversando com a pessoa que diz estar do outro lado da tela.

No dia 20 de outubro, o Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna a proteção de dados pessoais um direito fundamental. No Brasil, há três leis que tratam de crimes cibernéticos: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que atua em sanções administrativas; o Marco Civil da Internet, que é aplicado na área civil; e a Lei de Crimes Cibernéticos, que tem mais abrangência na área penal; além de decretos e portarias que regulamentam o tema.

Especialista em direito digital, Leme dá instruções sobre como agir após um ataque: "Há uma obrigação legal de comunicar (o ocorrido), pela Lei Geral de Proteção de Dados, assim como fez a Renner. Num segundo momento, o programa de compliance em proteção de dados e segurança da informação deve prever a contenção de danos após ataque, dando transparência às informações".

Nos últimos tempos, profissionais de tecnologia da informação (TI) se tornaram uma parte importante desse processo, na medida em que utilizam a computação para proteger, guardar e produzir informação. O analista de segurança da informação reforça a importância desses profissionais nas empresas e diz acreditar que um início é "investir em bons profissionais, bons equipamentos e conscientizar que a segurança do ambiente depende de todos, e não somente do setor de TI da empresa", recomenda Gabriel Moreira.

O investimento nas áreas de tecnologia tendem a evitar problemas de grandes proporções e, consequentemente, impactar positivamente a questão econômica de possíveis alvos, uma vez que o pedido feito pelos hackers para reativação das mais diversas operações podem custar muito caro, como cita o advogado Leme da Costa, ao trazer à tona um caso no qual atuou para um cliente.

"Atuei negociando com os criminosos o valor a ser pago em Ethereum (moeda digital escolhida por eles). Após o pagamento os dados foram liberados da criptografia. Houve uma contenção de danos após a comunicação e, no dia seguinte, começamos a implementar um programa de proteção de dados e segurança da informação".

Semelhante ao problema mencionado pelo advogado especialista em direito digital, no caso da JBS, outra grande corporação vítima dos hackers, o valor solicitado foi em criptomoedas, estimando-se cerca de US$ 11 milhões a reativação da rede nos Estados Unidos e na Austrália. 

O SBT News entrou em contato com algumas empresas que sofreram ciberataques, porém não obteve respostas até o fechamento da reportagem.
 

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