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América do Sul vive 'empate' entre esquerda e direita; veja mapa

Eleição no Peru iguala espectros ideológicos na região. Especialista avalia influência da pandemia

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Fernando Jordão
13/06/2021, 17:00 • Atualizado em 30/10/2023, 22:52
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Alberto Fernández e Mauricio Macri

Alberto Fernández e Mauricio Macri

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Depois de perder força -com as eleições de Mauricio Macri na Argentina e de Jair Bolsonaro no Brasil -a esquerda volta a ganhar espaço na América do Sul. Com a recente vitória de Pedro Castillo no Peru, o tabuleiro geopolítico do subcontinente chegou a uma situação de empate.

+ Peru: com 50,2% dos votos, Castilho já se considera vencedor

Reduzindo a classificação a esquerda e direita, é possível dizer que, dos 12 países sul-americanos, seis são governados por cada um dos espectros. No mapa abaixo, os países em azul têm governos de direita e os em vermelho, de esquerda:

País Presidente Espectro
Argentina Alberto Fernández Esquerda
Bolívia Luis Arce Esquerda
Brasil Jair Bolsonaro Direita
Chile Sebastián Piñera Direita
Colômbia Iván Duque Direita
Equador Guillermo Lasso Direita
Guiana Irfaan Ali Esquerda
Peru Pedro Castillo Esquerda
Paraguai Mario Benítez Direita
Suriname Chan Santokhi Esquerda
Uruguai Luis Lacalle Pou Direita
Venezuela Nicolás Maduro Esquerda


Movimento pendular

Professor e ex-vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Amâncio Jorge de Oliveira avalia que esses movimentos são pendulares -ou seja, ora apontam para um crescimento da direita, ora para a esquerda. Neste momento, opina o docente, "a crise social, agravada pela pandemia, fez com que a população passasse a demandar o retorno da esquerda".

"Os ciclos de esquerda observaram distribuição de renda e classes sociais C e D tornaram-se emergentes. Os efeitos, do que podemos chamar de populismos de esquerda, geraram reflexos em crescimento disfuncional do setor público e todas as consequências derivadas deste crescimento. Isso abriu a brecha para que o espectro político se deslocasse para a direita ou, mais precisamente, para o campo liberal", analisa Oliveira.

E no Brasil?

Questionado sobre se a guinada à esquerda na América do Sul pode ter reflexos nas eleições brasileiras do próximo ano, o professor pondera que o país tem uma diferença significativa em relação a seus vizinhos: "Aqui, o componente não é apenas o componente liberal que sustenta o poder. Aliás, este é até menos relevante. O pilar da pauta de costumes da força de direita, no caso brasileiro, joga um papel importante de suporte do atual governo".

Ele acrescenta que a situação econômica do país em 2022 também deve estar diferente da que é observada agora. "É possível que o país esteja crescendo a taxas significativas. É muito diferente do quadro do último governo liberal argentino, por exemplo", pontua. "Não dá para dizer o que vai acontecer. Apenas que o jogo de forças no Brasil é um pouco distinto", arremata.

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