Justiça

TSE forma maioria para tornar Cláudio Castro inelegível; Nunes Marques votou contra condenação

Ex-governador do Rio de Janeiro é acusado de abuso de poder em supostas contratações irregulares

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Jessica Cardoso, José Matheus Santos
Cláudio Castro | Joédson Alves/Agência Brasil

Cláudio Castro | Joédson Alves/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria para tornar o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), inelegível por oito anos por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O placar está 4 a 2 pela condenação. Os ministros Nunes Marques e André Mendonça votaram contra a condenação no julgamento desta terça-feira (24). Falta a manifestação da ministra Cármen Lúcia, que é presidente do tribunal.

A Corte analisa recursos do Ministério Público Eleitoral (MPE) e da coligação “Vida Vai Melhorar”, do ex-deputado Marcelo Freixo, contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que absolveu Castro e outros investigados em maio de 2024.

O TSE havia interrompido a análise em 10 de março após pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Nunes Marques. Nesta terça-feira (24), o magistrado divergiu da relatora do caso, ministra Isabel Gallotti, que já encerrou seu mandato na Corte eleitoral.

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Em seu voto, Nunes Marques afirmou que não há provas de participação direta de Castro no esquema investigado. Segundo o ministro, os elementos reunidos não atingem o grau de certeza necessário para a aplicação das sanções previstas.

O ministro também disse não haver provas de que contratados da Fundação Ceperj tenham sido pressionados a participar da campanha.

Para Nunes Marques, o fato de Castro ter sido reeleito em primeiro turno também enfraquece a tese de que as contratações teriam sido usadas com finalidade eleitoral.

O julgamento poderia resultar na cassação do mandato de Castro, mas ele anunciou a renúncia ao cargo de governador do Rio de Janeiro na noite de segunda-feira (23). Nos bastidores, a decisão foi interpretada como uma tentativa de evitar a perda direta do mandato.

Entenda o caso

O processo investiga suspeitas de um esquema de contratações irregulares de cerca de 27 mil servidores temporários pela Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Segundo as acusações, os contratados teriam sido utilizados como cabos eleitorais durante a campanha ao governo do estado.

A ação teve origem em investigações eleitorais apresentadas pela coligação que apoiou Marcelo Freixo na disputa ao governo do estado e pelo próprio MPE. Freixo foi adversário de Castro nas eleições de 2022 e atualmente preside a Embratur.

Também são alvos do processo:

  • o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj);
  • Thiago Pampolha (MDB), ex-vice-governador do RJ que que deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ); e
  • Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Fundação Ceperj.

Voto da relatora

A então ministra Isabel Gallotti votou pela então cassação do mandato de governador de Cláudio Castro e pela declaração de inelegibilidade por oito anos. A relatora também defendeu a inelegibilidade de Rodrigo Bacellar, Thiago Pampolha e Gabriel Rodrigues Lopes. O entendimento foi seguido pelos ministros Antonio Carlos Ferreira, Floriano Peixoto de Azevedo e Estela Aranha.

No voto, Gallotti propôs ainda a aplicação de multa individual no valor máximo de R$ 106 mil a Castro, Bacellar e Lopes, além de multa de R$ 10 mil a Pampolha.

A ministra também determinou a realização de novas eleições para governador e vice-governador do Rio de Janeiro e a retotalização dos votos para o cargo de deputado estadual ocupado por Bacellar na Alerj.

Segundo Gallotti, as condutas investigadas indicariam a existência de um “elaborado esquema” de uso da estrutura administrativa do governo estadual para influenciar o resultado das eleições.

Para a ministra, a cronologia dos fatos, a extensão territorial das ações, os valores envolvidos e a exposição pública dos investigados reforçariam a gravidade das irregularidades.

A defesa de Castro, por sua vez, sustentou que não há provas que relacionem diretamente o governador às supostas contratações irregulares. Os advogados também argumentaram que inaugurações de obras citadas no processo ocorreram antes do período eleitoral e sem vínculo com a campanha.

* Texto em atualização.

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