PF pede para ouvir Torres em investigação sobre falsidade ideológica e maus tratos a aves
Ex-ministro da Justiça é acusado de falsidade ideológica e mutilação de ave em criadouro alvo de operações do Ibama em 2023; ele está preso na Papudinha



Cézar Feitoza
Victor Schneider
A Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente da Polícia Federal solicitou nesta segunda-feira (6) ao Supremo Tribunal Federal que o ex-ministro da Justiça Anderson Torres seja ouvido em um inquérito que apura suspeitas de maus-tratos a animais, falsificação de selos e falsidade ideológica envolvendo um criadouro de aves no Jardim Botânico, bairro de Brasília.
O pedido, encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, solicita a realização de depoimento presencial ou por videoconferência, já que Torres está preso na Papudinha. O caso é conduzido pelo delegado Daniel Josef Lerner.
Relatórios do Ibama e do Ministério Público Federal indicam que o ex-ministro teria fraudado o Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (SisPass) para acobertar crimes ambientais. Segundo as investigações, uma das estratégias foi utilizar sua mãe, Amélia Gomes da Silva Torres, como “laranja” para burlar o limite de 35 transferências anuais de aves permitido a criadores amadores.
A investigação elenca os indícios de que o criadouro operava, na realidade, sob controle de Torres: gaiolas com seu nome, e-mail do espaço vinculado a ele e funcionários pagos diretamente pelo ex-ministro. Já sua mãe negou conhecimento sobre a atividade e não soube distinguir as espécies mantidas no local. Os fiscais também identificaram a existência irregular de dois registros de criadores amadores no mesmo endereço.
O espaço foi alvo de operações do Ibama e do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) no início de 2023. Em abril daquele ano, 59 aves foram apreendidas, e a fiscalização identificou ao menos cinco anilhas (anéis de identificação) falsas, prática associada à ocultação da origem de animais capturados ilegalmente na natureza.
Também foi encontrado um pássaro bicudo (Sporophila maximiliani), espécie ameaçada de extinção, com a pata mutilada. O animal não foi localizado em fiscalização posterior, o que levantou a suspeita de ocultação de provas.
Torres, que era secretário de Segurança do Distrito Federal durante o 8 de Janeiro, está preso desde 26 de novembro. Ele foi condenado a 24 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, relacionados à tentativa de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.









