Ingerência política marcou prisão e soltura de Ramagem, diz especialista
Ao SBT News, Priscila Caneparo avalia "confusão jurídica" entre asilo e extradição e diz que soltura rápida foge ao padrão da imigração dos EUA




Vicklin Moraes
Cézar Feitoza
Ranier Bragon
Nathalia Fruet
A advogada especialista em Direito Internacional, Priscila Caneparo, afirmou nesta terça-feira (21), em entrevista ao SBT News, que o processo de detenção e libertação do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo serviço de imigração dos EUA (ICE) foi marcado por ingerência política.
O ex-deputado federal foi detido pelo órgão de imigração norte-americano, mas acabou liberado na última quarta-feira (15). As circunstâncias da prisão e da soltura, segundo a advogada, ainda carecem de esclarecimentos por parte das autoridades.
“Há uma confusão de institutos. Cada hora se apresenta uma justificativa diferente, sem clareza sobre qual foi, de fato, o fundamento da prisão”, explica a advogada.
A especialista também destacou que, embora Brasil e Estados Unidos tenham aprimorado acordos de cooperação contra o crime transnacional em 2025 e 2026, a utilização do ICE para fins de extradição indireta gera insegurança jurídica. Para ela, a soltura rápida de Ramagem indica uma decisão política de Washington, e não um procedimento de rotina da imigração.
A advogada também citou o pedido formal de extradição de Ramagem, feito pelo Brasil em dezembro de 2025, como um dos elementos que aumentam a complexidade do caso.
Pesquisa e cenário político
A especialista em direito internacional também comentou a pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira (21), que aponta desaprovação de 62% ao governo do presidente Donald Trump, com aprovação de 36%.
"O público interno consome o discurso de que os EUA derrotaram os aiatolás. No entanto, o objetivo real da tensão no Irã e no Estreito de Ormuz é estrangular a economia da China, que depende do petróleo da região", afirmou.
Caneparo definiu o estilo de Trump como uma "diplomacia mercadológica". Diferente do diálogo tradicional, o republicano utiliza bravatas e técnicas de negociação do setor privado para obter lucros políticos. "Ele fala muito para conseguir o mínimo. Não é destempero, é a lógica de mercado aplicada ao Estado", concluiu.








