Governo

Marina alerta para fim do Pantanal e pede marco para emergência climática

Bioma vem sendo um dos mais afetados pelas recentes queimadas; Amazônia e Cerrado também enfrentam focos de incêndio

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Camila Stucaluc
05/09/2024, 07:37 • Atualizado em 05/09/2024, 11:00
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Ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva | Senado Federal

Ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva | Senado Federal

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, voltou a alertar sobre o avanço da crise climática. Segundo ela, se nada for feito, as altas temperaturas associadas ao fenômeno de baixa precipitação continuarão ocasionando queimadas pelo país, o que poderá gerar grandes perdas da biodiversidade brasileira, como o Pantanal.

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“Se continuar o mesmo fenômeno em relação ao Pantanal, o diagnóstico é de que poderemos perder o Pantanal até o fim deste século. Isso tem um nome: baixa precipitação, alto processo de evapotranspiração, não conseguindo alcançar a cota de cheia, nem dos rios nem da planície alagada. E, portanto, a cada ano se vai perdendo cobertura vegetal. Seja em função de desmatamento ou de queimadas”, disse Marina.

A declaração foi dada durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado, na quarta-feira (4). Ela foi convidada a prestar esclarecimentos sobre as ações do governo federal diante da escalada de queimadas e incêndios florestais em biomas, principalmente em regiões da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal.

Em meio ao cenário, Marina defendeu que o Congresso crie um marco regulatório de emergência climática. A ideia recebeu apoio da presidente da Comissão, senadora Leila Barros (PDT-DF), que enfatizou que as queimadas que assolam o Brasil atualmente são um reflexo direto da emergência climática, além das ações criminosas.

Brasil em chamas

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificaram 68,3 mil focos de queimadas apenas em agosto deste ano – um crescimento de 144% em relação ao mesmo período de 2023. Segundo Marina, o cenário é resultado da combinação entre a crise climática, a escassez hídrica e a pior seca dos últimos 40 anos.

"Estamos vivendo sob um novo normal que vai exigir do poder público capacidade de dar resposta que nem sabemos como vão se desdobrar daqui para a frente. Somos cobrados para que se faça investimento que são retro alimentadores do fogo", disse.

O aumento de queimadas criminosas também está prejudicando os biomas. Na Amazônia, por exemplo, 27% dos incêndios florestais estão em áreas com atividade agropecuária e 41% em áreas de vegetação não florestal. Cerca de 85% dos incêndios ocorrem em propriedades privadas e 15%, em terras indígenas ou unidades de conservação.

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