Governo vende apenas cinco dos 92 blocos ofertados à exploração de petróleo
Áreas próximas de Fernando de Noronha não atraem interessados e leilão arrecada R$ 36 milhões

Leilão da ANP arrecadou R$ 36 milhões com concessão de blocos para exploração de petróleo | Divulgação ANP
Dos 92 blocos para exploração de petróleo e gás que foram a leilão na manhã desta 5ª feira, no Rio de Janeiro, apenas cinco despertaram interesse. Entre os blocos que encontraram interessados estão os que englobam áreas próximas ao arquipélago de Fernando de Noronha e ao Atol das Rocas, considerados santuários ecológicos. Com o resultado, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) arrecadou R$ 37 milhões em bônus de assinatura, com investimentos estimados em R$ 136 milhões.
Dos cinco blocos vendidos, a Shell comprou quatro integralmente. O quinto foi arrematado também pela Shell, mas em consórcio com a Ecopetrol. Em entrevista coletiva, no fim do leilão, o diretor-presidente da ANP, Rodolfo Saboia, considerou o certame um sucesso, mas ressalvou que a rodada "teve foco em novas fronteiras exploratórias, ou seja, áreas com muitos riscos exploratórios para as empresas, risco de perfurarem e não encontrarem acumulações de petróleo cuja produção seja viável".
O leilão ocorreu em um hotel da Zona Oeste do Rio de Janeiro e reuniu apenas nove empresas interessadas, o menor número de participantes já registrado nas 17 rodadas de licitação de campos de petróleo e gás feitas até agora pela agência. Os 92 blocos ofertados foram agrupados em 11 setores das bacias de Campos, Pelotas, Santos e a Bacia Potiguar.
Risco ambiental
Entre os 92 blocos oferecidos, 14 estão em áreas próximas a santuários de vida marinha, como o Parque Nacional de Fernando de Noronha, e a Reserva Biológica do Atol das Rocas. Por isso, o leilão gerou reação de entidades de defesa do meio ambiente e cientistas pelos riscos que a atividade exploratória oferece. Mas ninguém se interessou pelos blocos.
Na abertura do leilão, o próprio presidente da ANP tentou convencer os investidores de que não há insegurança jurídica para exploração dessas áreas. Saboia disse que o país precisa "continuar garantindo operações seguras para o meio ambiente" e que a ANP não licita blocos que apresentem "objeções preliminares" dos órgãos de fiscalização e controle.














