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Governador de Buenos Aires critica falas de Milei no Brasil

Presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" durante convenção do PL

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Camila Stucaluc
Governador de Buenos Aires, Axel Kicillof | Divulgação

Governador de Buenos Aires, Axel Kicillof | Divulgação

O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, criticou as declarações do presidente argentino Javier Milei durante a convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo. Em publicação nas redes sociais no domingo (26), o político classificou as falas como “vergonha”.

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"Ontem vimos, com vergonha alheia, o presidente Milei ofender e insultar o governo do Brasil, seu presidente e todo um país. Da província de Buenos Aires, defendemos que a Argentina respeita as nações irmãs e aposta na integração regional", escreveu Kicillof.

O governador afirmou ainda que entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para “transmitir que Milei não representa os sentimentos do povo argentino”.

“O Brasil é nosso principal parceiro comercial. Com essas provocações, Milei coloca investimentos, exportações, milhares de empregos e os interesses da Argentina em risco, tudo para apoiar um candidato a pedido de Trump. A relação com o Brasil merece responsabilidade, não provocações”, acrescentou o político.

No sábado, Milei participou da convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à presidência pelo PL. Durante o discurso, o presidente argentino chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de presidiário e defendeu a derrota do petista nas eleições de outubro.

Milei também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou, sem citar o nome, de “lixo careca”. A declaração foi feita em resposta à decisão que o impediu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

As declarações levaram o Itamaraty a convocar o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas – uma medida séria nas relações internacionais. Mauro Vieira também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi para “transmitir repulsa do governo brasileiro aos impropérios” dirigidos pelo argentino.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, disse o ministro.

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