Eleições

Número de ações no TSE cresce 147% em comparação com 2022

Representações na Corte registram alta em relação a 2022; disputa presidencial é marcada por acusações e pedidos de remoção de conteúdos

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Emanuelle Menezes
A sede do TSE, em Brasília | Luiz Roberto/TSE

A sede do TSE, em Brasília | Luiz Roberto/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 804 ações judiciais relacionadas à disputa presidencial em 2026, número que representa um aumento de 147,4% em relação a 2022, quando foram contabilizados 325 processos. O volume também supera o registrado em 2018, quando houve 416 ações.

Os números foram levantados pelo SBT News no painel de estatísticas processuais do TSE, considerando representações originárias da Corte. O levantamento mostra que, mesmo antes do fim do pleito de 2026, o número de ações já ultrapassou os totais registrados ao longo dos anos eleitorais completos de 2018 e 2022.

O crescimento ocorre em meio a uma intensa disputa judicial entre as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que se enfrentam no segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). As duas candidaturas têm recorrido à Justiça Eleitoral com acusações relacionadas à propaganda política, à desinformação e à atuação de plataformas digitais.

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A escalada de ações levou o próprio presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a convocar representantes das duas campanhas para uma reunião em 13 de outubro. No encontro, foram discutidas medidas para reduzir a judicialização da disputa e combater a desinformação.

"Tratamos da judicialização excessiva, buscando o entendimento para a diminuição do número de ações no TSE", afirmou Nunes Marques durante sessão plenária após a reunião.

Veja a evolução das ações eleitorais

O levantamento do SBT News considera duas classes judiciais: representação e representação especial, em processos originários do TSE. Na comparação com 2022, o aumento foi de 479 processos, ou 147,4%. Em relação a 2018, o crescimento chegou a 93,3%, com 388 ações adicionais.

Representações em 2026 tiveram aumento de 147,4% na comparação com 2022 | SBT News
Representações em 2026 tiveram aumento de 147,4% na comparação com 2022 | SBT News

As representações especiais, que aparecem classificadas no tema conduta vedada a agente público, passaram de três em 2022 para 22 em 2026. Em 2018, não houve registros dessa classe no recorte analisado.

Propaganda eleitoral e desinformação lideram registros

Dos 804 processos autuados em 2026, 729 são relacionados à propaganda eleitoral, o equivalente a 90,6% das representações. Em 2022, foram 291 registros sobre o assunto, contra 276 em 2018.

A desinformação eleitoral também aparece entre os principais temas. Neste ano, o TSE contabiliza 264 registros relacionados à desinformação, contra 159 em 2022, um aumento de 66%.

O painel não apresenta uma categoria específica de desinformação eleitoral nos dados de 2018, o que impede uma comparação direta desse tema entre as três eleições.

Disputa entre campanhas chegou às redes sociais

Um dos principais focos de conflito entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro tem sido a atuação de grupos políticos e plataformas digitais.

Em outubro, a campanha de Flávio conseguiu uma decisão para suspender o canal "Exército do Lula", no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A medida foi posteriormente revertida, e o canal voltou a funcionar após ser registrado junto à Justiça Eleitoral.

Na quarta-feira (21), a campanha de Flávio voltou a recorrer ao TSE para pedir maior fiscalização sobre o canal. Os advogados acusaram o grupo de organizar ações coordenadas para manipular algoritmos e impulsionar conteúdos políticos nas redes sociais.

Do outro lado, a campanha de Lula acusou a Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, de favorecer conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro. Em manifestação enviada ao TSE, a empresa negou interferência na distribuição das publicações e atribuiu alterações no número de visualizações a uma falha técnica global.

A troca de acusações também provocou críticas ao próprio tribunal. Lula chegou a afirmar que estava "desconfiado" do TSE e acusou a Corte de tomar decisões tendenciosas contra sua campanha.

Diante do ambiente de confronto, Nunes Marques reuniu coordenadores e advogados das duas candidaturas em 13 de outubro. Após o encontro, o ministro destacou o "espírito de cooperação" dos participantes e afirmou que foram discutidos o excesso de ações judiciais, a desinformação e as regras aplicáveis a canais digitais vinculados ou não às campanhas.

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