Eleições

Campanha de Lula vai levar denúncia contra Meta ao exterior

Após acionar o TSE por suposto favorecimento a Flávio nas redes, coordenação quer levar indícios de interferência estrangeira a observadores internacionais

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Caroline Vale, Victor Schneider

A coordenação nacional da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (14) que vai levar à comunidade internacional as denúncias de suposta manipulação eleitoral envolvendo plataformas da Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp.

Em coletiva no QG de campanha, o senador Camilo Santana (PT-CE) e o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, disseram ter reunido indícios de que o algoritmo da rede social está prejudicando perfis de Lula deliberadamente.

A campanha esteve durante a tarde em reunião com representantes de partidos e entidades internacionais de doze países: Espanha, Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Chile, Colômbia, Guatemala, Honduras, Moçambique, Uruguai e Venezuela. Camilo disse que, em um período de 72h, a página oficial da campanha recebeu 2.500 denúncias de irregularidades.

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Uma nova reunião com observadores internacionais cadastrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está marcada para quinta (15), com o objetivo de levar a denúncia de interferência estrangeira via big techs à esfera internacional.

Dentre as queixas da campanha está a limitação do alcance de stories e postagens de Lula no Instagram, além de restrições ao compartilhamento de publicações. Outra questão a viralizar nesta quarta foi o bloqueio que a IA da Meta fez para a produção de conteúdos de campanha para o PT, enquanto materiais com termos como "Flávio 22" foram produzidos sem restrições.

“O processo de manipulação da vontade popular, individual e coletiva não é novidade nas democracias e disputas eleitorais mundo afora. mas o que aconteceu no Nepal, na Malásia, em Madagascar, no México, na Colômbia, em Honduras, no Chile e o que está acontecendo agora no Brasil é um outro patamar de manipulação. Não é razoável que a página do atual presidente da República, candidato à reeleição, fique sem o botão de repost disponível durante tantas horas como tem ficado”, criticou Valadares.

Uma das frentes de denúncia será a Organização dos Estados Americanos (OEA), que rege relações no continente. A sede da OEA é Washington D.C, nos EUA.

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Campanha acusa Meta de favorecer Flávio

A declaração ocorre após a coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia Lula, acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta. A aliança acusa a empresa de restringir o alcance de publicações ligadas à campanha petista e favorecer conteúdos associados ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

A ação também questiona a ferramenta de inteligência artificial Meta AI, disponível no WhatsApp. Segundo a coligação, testes, feitos também pelo SBT News, indicaram tratamento diferente na geração de imagens eleitorais: pedidos relacionados a Lula teriam sido recusados, enquanto solicitações favoráveis a Flávio foram atendidas.

Sobre isso, a Meta disse ao SBT News que, em cumprimento às regras eleitorais do Brasil, proibiu temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. "Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens", disse em nota.

A petição cita ainda diferenças nas visualizações de vídeos publicados pelos candidatos no Instagram. Segundo levantamento apresentado pela campanha, os reels de Flávio tiveram média de 15,64 milhões de visualizações ante 5,91 milhões nos vídeos de Lula entre 1º e 7 de outubro. Os dados integram os argumentos da coligação.

Em resposta a uma representação anterior da coligação, a Meta afirmou que uma “falha técnica global” afetou a exibição das visualizações de vídeos no Instagram em 7 de outubro, mas não interferiu na distribuição dos conteúdos. A empresa disse que o problema atingiu criadores em mais de 100 países e contestou a suficiência das provas apresentadas pela campanha.

Ação do Psol

A deputada estadual recém-eleita Sofia Favero (Psol) também acionou nesta quarta-feira a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para denunciar a Meta por suspeita de interferência nas eleições presidenciais.

A parlamentar pede que o Ministério Público Eleitoral solicite à Justiça a suspensão imediata da Meta AI.

Sofia afirma que uma empresa estrangeira não pode utilizar seu poder econômico e tecnológico para favorecer uma candidatura e prejudicar outra, comprometendo a igualdade de condições entre os candidatos. A representação aponta que as práticas denunciadas podem violar a legislação eleitoral, que proíbe expressamente que sistemas de inteligência artificial favoreçam ou prejudiquem candidatos, inclusive por meio de respostas automatizadas.

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