Eleições

Campanha de Lula aciona TSE e acusa Meta de favorecer Flávio

Ação aponta supostas restrições no alcance de publicações pró-Lula e questiona critérios do Instagram e da ferramenta de inteligência artificial Meta AI

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Caroline Vale, Eduardo Gayer
Lula (PT) durante evento de campanha em Belém (PA) | Divulgação/Ricardo Stuckert

Lula (PT) durante evento de campanha em Belém (PA) | Divulgação/Ricardo Stuckert

A coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, detentora do Instagram, Facebook e WhatsApp, sob a acusação de restringir o alcance de publicações ligadas à campanha petista e favorecer conteúdos associados à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições.

Em petição apresentada nesta quarta-feira (14), a aliança aponta uma suposta "seletividade algorítmica" na distribuição de conteúdos pelas plataformas e questiona o funcionamento da ferramenta de inteligência artificial Meta AI, disponível no WhatsApp.

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Segundo a coligação, testes realizados com o recurso indicariam tratamento diferente na geração de imagens de propaganda eleitoral para os dois candidatos. Pedidos relacionados a Lula são recusados sob a justificativa de restrições da legislação eleitoral brasileira, enquanto solicitações favoráveis a Flávio são atendidas, como mostrou a coluna de Eduardo Gayer, no SBT News.

"Isso não é um mero erro técnico; é a manipulação do debate público que afeta diretamente a igualdade de oportunidades garantida por lei", diz a campanha.

A coligação pede medidas urgentes para interromper as restrições que alega sofrer, remover perfis considerados inautênticos e recompor, em dobro, o alcance que afirma ter perdido.

Coligação aponta diferença no alcance de publicações

A petição cita dados de publicações no Instagram para sustentar a acusação de tratamento desigual. Segundo um levantamento apresentado pela coligação, entre 1º e 7 de outubro, os vídeos curtos (reels) publicados no perfil de Flávio Bolsonaro tiveram média de 15,64 milhões de visualizações, ante 5,91 milhões nas publicações de Lula.

O documento também compara o número de seguidores dos candidatos. De acordo com os dados apresentados, Flávio tinha cerca de 13,6 milhões de seguidores, enquanto Lula reunia aproximadamente 16,4 milhões. Apesar da base menor, o perfil do candidato do PL registrou, segundo a análise citada na petição, médias superiores de visualizações e interações.

A coligação também menciona publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), apoiador de Flávio Bolsonaro. Um dos exemplos apresentados é um vídeo que teria alcançado 56,1 milhões de visualizações no Instagram, número muito superior ao registrado pela mesma publicação no TikTok, onde, segundo a petição, foram contabilizadas 396,4 mil visualizações.

Para os advogados da coligação, as diferenças justificam que a Meta esclareça os critérios de distribuição dos conteúdos.

Sobre as acusações da coligação, a Meta ainda não respondeu ao pedido de comentário do SBT News. O espaço segue aberto.

A coligação de Lula já havia acionado o TSE contra a Meta por suspeitas de restrições algorítmicas a conteúdos ligados à campanha de Lula. Em resposta na terça-feira (13), a empresa atribuiu as oscilações nas visualizações de publicações em 7 de outubro a uma “falha técnica global”, que teria afetado criadores em mais de 100 países, e afirmou que o problema atingiu a exibição das métricas, mas não a distribuição dos conteúdos.

A Meta também contestou a suficiência das provas apresentadas pela coligação e disse aplicar de forma uniforme as regras eleitorais do TSE sobre a recomendação de perfis oficiais de candidatos.

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