Lula nega uso eleitoral de Bolsa Família e MP das bets
Presidente afirmou que reajuste do benefício foi possível por espaço no orçamento e que decisão contra as bets enfrentou resistência política
Sofia Pilagallo
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante participação no podcast 'Flow' | Foto: Reprodução/YouTube/@FlowPodcast - 01.10.2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quinta-feira (1º) que o reajuste do Bolsa Família, anunciado a menos de três semanas do primeiro turno, tenha sido motivado pelas eleições. Durante entrevista ao Flow Podcast, Lula afirmou que a correção foi possível porque havia espaço no orçamento e que o aumento apenas recompõe as perdas provocadas pela inflação.
O reajuste de 15,04% elevou o valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 e passa a valer em outubro. A medida, anunciada em 17 de setembro, terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões neste ano e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027.
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"Por que eu dei aumento do Bolsa Família? Você acha que foi por causa das eleições? Não. É porque sobrou espaço fiscal, é porque o orçamento permitia. A gente estava há quatro anos sem dar reajuste do Bolsa Família, e eu fiquei puto com meus ministros da área econômica. Como é possível a gente não dar reajuste da inflação?", afirmou.
"Doa a quem doer, o reajuste da inflação a gente tem que dar para todo mundo. Você não está dando aumento, está repondo o que a inflação comeu. E aí nós demos o dinheiro porque sobrou espaço fiscal. Vamos fazer o quê? Eu vou deixar de dar? Eu dei", acrescentou.
Questionado sobre o aumento do Auxílio Brasil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, às vésperas da eleição de 2022, Lula afirmou que a ampliação foi aprovada pelo Congresso e que, na época, apoiou a medida. Segundo ele, benefícios destinados à população de baixa renda não deveriam deixar de ser concedidos por causa da proximidade das eleições.
Em 2022, o valor mínimo do Auxílio Brasil passou de R$ 400 para R$ 600 a partir de agosto, após a aprovação pelo Congresso de uma emenda constitucional que criou um adicional de R$ 200 até dezembro daquele ano. A ampliação começou a ser paga menos de dois meses antes do primeiro turno das eleições, realizado em 2 de outubro.
"Eu disse na época que ele estava certo e que tinha que fazer mesmo. Por que vai levar o povo pobre ao sacrifício? Se é para dar, vamos dar agora", disse. "Você vai pegar um cara que vai ganhar R$ 80 a mais e vai descontar nele? Não. Vamos dar o dinheiro para o pobre comer, para se divertir."
Bets
Na entrevista, o apresentador Igor Coelho também questionou Lula sobre a decisão de proibir as bets no país, anunciada nove dias antes do primeiro turno, e afirmou ter dificuldade em não enxergar caráter eleitoral na medida. Lula rejeitou a avaliação e disse que integrantes de seu entorno político chegaram a recomendar que ele não adotasse a proibição por causa da reação de clubes de futebol e parlamentares.
A medida provisória (MP) assinada em 25 de setembro proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas on-line no Brasil. As plataformas autorizadas têm um período de transição para encerrar as operações, e os sites e aplicativos devem sair do ar a partir de 6 de outubro.
"Não há nenhuma prova de que isso tenha me dado voto até agora. Tomei a decisão de não permitir que o povo pobre seja extorquido, usando o dinheiro do pão do filho para jogar", declarou. "Decidi que não vou mais brincar com as bets. Não conseguiram regular; cada vez que se regula, aparece mais uma. Então isso tem que acabar."
Ao ser lembrado de que a MP ainda precisa ser analisada pelo Legislativo para continuar em vigor, Lula afirmou acreditar na manutenção da medida. O presidente disse "duvidar" que o Congresso tenha coragem de derrubá-la.
Lula nega uso eleitoral de Bolsa Família e MP das betsPresidente afirmou que reajuste do benefício foi possível por espaço no orçamento e que decisão contra as bets enfrentou resistência políticaEleições2026-10-02T02:30:06.792ZO presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quinta-feira (1º) que o reajuste do Bolsa Família, anunciado a menos de três semanas do primeiro turno, tenha sido motivado pelas eleições. Durante entrevista ao Flow Podcast, Lula afirmou que a correção foi possível porque havia espaço no orçamento e que o aumento apenas recompõe as perdas provocadas pela inflação. O reajuste de 15,04% elevou o valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 e passa a valer em outubro. A medida, anunciada em 17 de setembro, terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões neste ano e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique "Por que eu dei aumento do Bolsa Família? Você acha que foi por causa das eleições? Não. É porque sobrou espaço fiscal, é porque o orçamento permitia. A gente estava há quatro anos sem dar reajuste do Bolsa Família, e eu fiquei puto com meus ministros da área econômica. Como é possível a gente não dar reajuste da inflação?", afirmou. "Doa a quem doer, o reajuste da inflação a gente tem que dar para todo mundo. Você não está dando aumento, está repondo o que a inflação comeu. E aí nós demos o dinheiro porque sobrou espaço fiscal. Vamos fazer o quê? Eu vou deixar de dar? Eu dei", acrescentou. Questionado sobre o aumento do Auxílio Brasil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, às vésperas da eleição de 2022, Lula afirmou que a ampliação foi aprovada pelo Congresso e que, na época, apoiou a medida. Segundo ele, benefícios destinados à população de baixa renda não deveriam deixar de ser concedidos por causa da proximidade das eleições. Em 2022, o valor mínimo do Auxílio Brasil passou de R$ 400 para R$ 600 a partir de agosto, após a aprovação pelo Congresso de uma emenda constitucional que criou um adicional de R$ 200 até dezembro daquele ano. A ampliação começou a ser paga menos de dois meses antes do primeiro turno das eleições, realizado em 2 de outubro. "Eu disse na época que ele estava certo e que tinha que fazer mesmo. Por que vai levar o povo pobre ao sacrifício? Se é para dar, vamos dar agora", disse. "Você vai pegar um cara que vai ganhar R$ 80 a mais e vai descontar nele? Não. Vamos dar o dinheiro para o pobre comer, para se divertir." Bets Na entrevista, o apresentador Igor Coelho também questionou Lula sobre a , e afirmou ter dificuldade em não enxergar caráter eleitoral na medida. Lula rejeitou a avaliação e disse que integrantes de seu entorno político chegaram a recomendar que ele não adotasse a proibição por causa da reação de clubes de futebol e parlamentares. A medida provisória (MP) assinada em 25 de setembro proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas on-line no Brasil. As plataformas autorizadas têm um período de transição para encerrar as operações, e os sites e aplicativos devem sair do ar a partir de 6 de outubro. "Não há nenhuma prova de que isso tenha me dado voto até agora. Tomei a decisão de não permitir que o povo pobre seja extorquido, usando o dinheiro do pão do filho para jogar", declarou. "Decidi que não vou mais brincar com as bets. Não conseguiram regular; cada vez que se regula, aparece mais uma. Então isso tem que acabar." Ao ser lembrado de que a MP ainda precisa ser analisada pelo Legislativo para continuar em vigor, Lula afirmou acreditar na manutenção da medida. O presidente disse "duvidar" que o Congresso tenha coragem de derrubá-la.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/lula-nega-uso-eleitoral-de-bolsa-familia-e-mp-das-bets
Emissora havia sido obrigada por Gilmar Mendes a incluir Renan Santos no encontro, que seria o último antes do primeiro turno; Flávio Bolsonaro havia desistido