Crise no STF pode decidir eleição, diz Financial Times
Embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça levou o Supremo a uma situação 'sem precedentes', avalia o jornal britânico
Sofia Pilagallo
Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes durante sessão plenária no STF | Foto: Antonio Augusto/STF
A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) pode ter impacto decisivo na eleição presidencial brasileira de outubro, avaliou o jornal britânico Financial Times. A reportagem, divulgada neste domingo (13), afirma que o embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça mergulhou a Corte em uma situação sem precedentes.
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De acordo com o Financial Times, a disputa entre os ministros lança uma sombra sobre a corrida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois aparecem tecnicamente empatados em levantamentos recentes que simulam um eventual segundo turno.
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A crise se intensificou após a divulgação de informações sobre supostas ligações entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e acusado de envolvimento em uma fraude bancária bilionária. O ministro já estava sob pressão devido ao contrato de R$ 130 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa.
Moraes negou ter atuado em favor da instituição financeira. As revelações, porém, ampliaram o desgaste do ministro, que exerceu papel central nas investigações contra Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados nos últimos anos. O magistrado foi, inclusive, relator do processo em que o ex-presidente foi condenado por tentativa de golpe de Estado, em setembro de 2025.
Na avaliação do Financial Times, a crise no STF pode prejudicar Lula. Embora o presidente não seja acusado de envolvimento nas irregularidades investigadas, parte do eleitorado associa Moraes ao governo petista, percepção explorada pela campanha de Flávio. O jornal recorda que o senador declarou a apoiadores: "Um voto em Lula é um voto em Moraes."
O Financial Times ressalta, no entanto, que Flávio também foi citado no caso Banco Master. Em maio, veio a público que o senador solicitou recursos a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, o ex-banqueiro teria repassado aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto.
Flávio nega ter cometido qualquer ilegalidade em relação à produção de Dark Horse e afirma que apenas buscou patrocínio privado para o projeto. Posteriormente, classificou as investigações sobre o financiamento do longa como uma forma de “perseguição estatal” contra ele e sua família.
Apesar das revelações, o senador reduziu a diferença em relação a Lula nas pesquisas. No levantamento Quaest divulgado nesta segunda-feira (14), o presidente aparece com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio — na rodada anterior, os percentuais eram de 36% e 29%, respectivamente.
Na mesma pesquisa Quaest, em uma eventual disputa de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, enquanto Lula registra 40%. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Na rodada anterior do levantamento, ambos tinham 41%.
Para o Financial Times, o escândalo também abalou a credibilidade do Supremo, anteriormente elogiado no exterior por sua atuação diante da tentativa de golpe após as eleições de 2022. A crise teria ainda fortalecido a direita brasileira, que há anos acusa Moraes de perseguir conservadores e restringir a liberdade de expressão.
A esquerda, por outro lado, acusa Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro e considerado aliado do ex-presidente, de adotar medidas destinadas a favorecer Flávio. O jornal conclui que o conflito levou o tribunal à beira de um colapso institucional e intensificou as cobranças por uma reforma do Judiciário.
Crise no STF pode decidir eleição, diz Financial TimesEmbate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça levou o Supremo a uma situação 'sem precedentes', avalia o jornal britânicoEleições2026-09-15T01:52:52.107ZA crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) pode ter impacto decisivo na eleição presidencial brasileira de outubro, avaliou o jornal britânico Financial Times. A reportagem, divulgada neste domingo (13), afirma que o embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça mergulhou a Corte em uma situação sem precedentes. De acordo com o Financial Times, a disputa entre os ministros lança uma sombra sobre a corrida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois aparecem tecnicamente empatados em levantamentos recentes que simulam um eventual segundo turno. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. A crise se intensificou após a divulgação de informações sobre supostas ligações entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e acusado de envolvimento em uma fraude bancária bilionária. O ministro já estava sob pressão devido ao contrato de R$ 130 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa. Moraes negou ter atuado em favor da instituição financeira. As revelações, porém, ampliaram o desgaste do ministro, que exerceu papel central nas investigações contra Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados nos últimos anos. O magistrado foi, inclusive, relator do processo em que o ex-presidente foi condenado por tentativa de golpe de Estado, em setembro de 2025. Na avaliação do Financial Times, a crise no STF pode prejudicar Lula. Embora o presidente não seja acusado de envolvimento nas irregularidades investigadas, parte do eleitorado associa Moraes ao governo petista, percepção explorada pela campanha de Flávio. O jornal recorda que o senador declarou a apoiadores: "Um voto em Lula é um voto em Moraes." O Financial Times ressalta, no entanto, que Flávio também foi citado no caso Banco Master. Em maio, veio a público que o senador solicitou recursos a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, o ex-banqueiro teria repassado aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto. Flávio nega ter cometido qualquer ilegalidade em relação à produção de Dark Horse e afirma que apenas buscou patrocínio privado para o projeto. Posteriormente, classificou as investigações sobre o financiamento do longa como uma forma de “perseguição estatal” contra ele e sua família. Apesar das revelações, o senador reduziu a diferença em relação a Lula nas pesquisas. No levantamento Quaest divulgado nesta segunda-feira (14), o presidente aparece com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio — na rodada anterior, os percentuais eram de 36% e 29%, respectivamente. Na mesma pesquisa Quaest, em uma eventual disputa de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, enquanto Lula registra 40%. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Na rodada anterior do levantamento, ambos tinham 41%. Para o Financial Times, o escândalo também abalou a credibilidade do Supremo, anteriormente elogiado no exterior por sua atuação diante da tentativa de golpe após as eleições de 2022. A crise teria ainda fortalecido a direita brasileira, que há anos acusa Moraes de perseguir conservadores e restringir a liberdade de expressão. A esquerda, por outro lado, acusa Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro e considerado aliado do ex-presidente, de adotar medidas destinadas a favorecer Flávio. O jornal conclui que o conflito levou o tribunal à beira de um colapso institucional e intensificou as cobranças por uma reforma do Judiciário.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/crise-no-stf-pode-decidir-eleicao-diz-financial-times