Eleições

Aliado de Flávio, Ciro perde Senado após caso Vorcaro

Presidente do PP fica em terceiro na disputa no Piauí e não consegue se reeleger; senador foi alvo de operação da PF que investiga relação com ex-dono do Master

Avatar de Emanuelle Menezes
Emanuelle Menezes
Ciro Nogueira (Progressistas-PI) | Reprodução/Redes sociais

Ciro Nogueira (Progressistas-PI) | Reprodução/Redes sociais

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e aliado de Flávio Bolsonaro (PL), não conseguiu se reeleger ao Senado pelo Piauí neste domingo (4). As duas vagas em disputa no estado ficaram com Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).

Ciro terminou a disputa na terceira colocação. Às 20h42, com 92,27% das urnas apuradas, ele tinha 24,67% dos votos.

Nas redes sociais, Ciro Nogueira reconheceu a derrota e afirmou que "o povo é soberano em suas escolhas".

A derrota ocorre meses depois de Ciro se tornar alvo das investigações sobre a relação dele com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Em maio, o senador foi alvo de buscas na 5ª fase da Operação Compliance Zero. Segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a ação, Ciro recebia pagamentos mensais de R$ 300 mil de Vorcaro.

A relação com Vorcaro passou a ocupar o centro das investigações da Polícia Federal. Segundo a PF, havia um suposto esquema de pagamentos indevidos do ex-banqueiro ao senador em troca de apoio político no Congresso a interesses do Banco Master. A investigação apontou pagamentos mensais, despesas com viagens e outras vantagens.

A defesa de Ciro negou que ele tenha recebido repasses de Vorcaro em troca de vantagens indevidas.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Emenda de interesse do Master

Entre os pontos investigados está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo a Polícia Federal, a chamada “emenda Master” foi escrita pela assessoria do banco de Vorcaro, impressa e entregue em um envelope na casa do senador. A investigação afirma que Ciro reproduziu o texto integralmente. Em mensagem obtida pela PF, Vorcaro comemorou: “Saiu exatamente como mandei”.

Em relatório divulgado em setembro, a PF afirmou que a atuação parlamentar de Ciro foi acompanhada de “alinhamento direto e contínuo” aos interesses de Vorcaro. Os investigadores citaram a entrega de minutas legislativas, a apresentação de propostas de interesse do banqueiro e mensagens sobre os resultados obtidos.

A PF apontou ainda pagamentos mensais de pelo menos R$ 300 mil, que teriam chegado a R$ 500 mil em determinado momento e somado ao menos R$ 6 milhões entre junho de 2024 e agosto de 2025. A investigação também mencionou custeio de viagens, jatos particulares, hospedagens e outras despesas.

Ciro sempre negou irregularidades. Em nota divulgada após a operação de maio, a defesa afirmou que o senador não teve “qualquer participação em atividades ilícitas” e criticou medidas investigativas tomadas, segundo os advogados, com base em trocas de mensagens.

Relação com Flávio Bolsonaro

Ciro manteve uma relação de apoio político a Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial, embora os dois tenham passado por um período de distanciamento.

Em agosto, Flávio deixou Ciro fora da lista de candidatos ao Senado apoiados por ele. O movimento ocorreu depois que o PP barrou uma aliança formal na disputa presidencial e impediu que Tereza Cristina (PP-MS) assumisse como vice na chapa. Mesmo sem receber o apoio de Flávio, interlocutores de Ciro afirmavam que ele manteria seu voto no candidato do PL.

Já em setembro, Ciro passou a articular uma reunião da federação União-PP para discutir um eventual apoio a Flávio em um segundo turno da eleição presidencial. O encontro foi marcado para terça-feira (6), dois dias depois do primeiro turno.

Últimas notícias