Aliado de Flávio, Ciro perde Senado após caso Vorcaro
Presidente do PP fica em terceiro na disputa no Piauí e não consegue se reeleger; senador foi alvo de operação da PF que investiga relação com ex-dono do Master
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e aliado de Flávio Bolsonaro (PL), não conseguiu se reeleger ao Senado pelo Piauí neste domingo (4). As duas vagas em disputa no estado ficaram com Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).
Ciro terminou a disputa na terceira colocação. Às 20h42, com 92,27% das urnas apuradas, ele tinha 24,67% dos votos.
Nas redes sociais, Ciro Nogueira reconheceu a derrota e afirmou que "o povo é soberano em suas escolhas".
A derrota ocorre meses depois de Ciro se tornar alvo das investigações sobre a relação dele com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Em maio, o senador foi alvo de buscas na 5ª fase da Operação Compliance Zero. Segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a ação, Ciro recebia pagamentos mensais de R$ 300 mil de Vorcaro.
A relação com Vorcaro passou a ocupar o centro das investigações da Polícia Federal. Segundo a PF, havia um suposto esquema de pagamentos indevidos do ex-banqueiro ao senador em troca de apoio político no Congresso a interesses do Banco Master. A investigação apontou pagamentos mensais, despesas com viagens e outras vantagens.
A defesa de Ciro negou que ele tenha recebido repasses de Vorcaro em troca de vantagens indevidas.
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Entre os pontos investigados está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo a Polícia Federal, a chamada “emenda Master” foi escrita pela assessoria do banco de Vorcaro, impressa e entregue em um envelope na casa do senador. A investigação afirma que Ciro reproduziu o texto integralmente. Em mensagem obtida pela PF, Vorcaro comemorou: “Saiu exatamente como mandei”.
Em relatório divulgado em setembro, a PF afirmou que a atuação parlamentar de Ciro foi acompanhada de “alinhamento direto e contínuo” aos interesses de Vorcaro. Os investigadores citaram a entrega de minutas legislativas, a apresentação de propostas de interesse do banqueiro e mensagens sobre os resultados obtidos.
A PF apontou ainda pagamentos mensais de pelo menos R$ 300 mil, que teriam chegado a R$ 500 mil em determinado momento e somado ao menos R$ 6 milhões entre junho de 2024 e agosto de 2025. A investigação também mencionou custeio de viagens, jatos particulares, hospedagens e outras despesas.
Ciro sempre negou irregularidades. Em nota divulgada após a operação de maio, a defesa afirmou que o senador não teve “qualquer participação em atividades ilícitas” e criticou medidas investigativas tomadas, segundo os advogados, com base em trocas de mensagens.
Relação com Flávio Bolsonaro
Ciro manteve uma relação de apoio político a Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial, embora os dois tenham passado por um período de distanciamento.
Em agosto, Flávio deixou Ciro fora da lista de candidatos ao Senado apoiados por ele. O movimento ocorreu depois que o PP barrou uma aliança formal na disputa presidencial e impediu que Tereza Cristina (PP-MS) assumisse como vice na chapa. Mesmo sem receber o apoio de Flávio, interlocutores de Ciro afirmavam que ele manteria seu voto no candidato do PL.
Já em setembro, Ciro passou a articular uma reunião da federação União-PP para discutir um eventual apoio a Flávio em um segundo turno da eleição presidencial. O encontro foi marcado para terça-feira (6), dois dias depois do primeiro turno.
Aliado de Flávio, Ciro perde Senado após caso VorcaroPresidente do PP fica em terceiro na disputa no Piauí e não consegue se reeleger; senador foi alvo de operação da PF que investiga relação com ex-dono do MasterEleições2026-10-04T23:44:22.852ZO senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e aliado de Flávio Bolsonaro (PL), não conseguiu se reeleger ao Senado pelo Piauí neste domingo (4). As duas vagas em disputa no estado ficaram com Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). Ciro terminou a disputa na terceira colocação. Às 20h42, com 92,27% das urnas apuradas, ele tinha 24,67% dos votos. Nas redes sociais, Ciro Nogueira reconheceu a derrota e afirmou que "o povo é soberano em suas escolhas". A derrota ocorre meses depois de Ciro se tornar alvo das investigações sobre a relação dele com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Em maio, o senador foi alvo de buscas na 5ª fase da Operação Compliance Zero. Segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a ação, Ciro recebia pagamentos mensais de R$ 300 mil de Vorcaro. A relação com Vorcaro passou a ocupar o centro das investigações da Polícia Federal. Segundo a PF, havia um suposto esquema de pagamentos indevidos do ex-banqueiro ao senador em troca de apoio político no Congresso a interesses do Banco Master. A investigação apontou pagamentos mensais, despesas com viagens e outras vantagens. A defesa de Ciro negou que ele tenha recebido repasses de Vorcaro em troca de vantagens indevidas. Emenda de interesse do Master Entre os pontos investigados está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo a Polícia Federal, a chamada “emenda Master” foi escrita pela assessoria do banco de Vorcaro, impressa e entregue em um envelope na casa do senador. A investigação afirma que Ciro reproduziu o texto integralmente. Em mensagem obtida pela PF, Vorcaro comemorou: “Saiu exatamente como mandei”. Em relatório divulgado em setembro, a PF afirmou que a atuação parlamentar de Ciro foi acompanhada de “alinhamento direto e contínuo” aos interesses de Vorcaro. Os investigadores citaram a entrega de minutas legislativas, a apresentação de propostas de interesse do banqueiro e mensagens sobre os resultados obtidos. A PF apontou ainda pagamentos mensais de pelo menos R$ 300 mil, que teriam chegado a R$ 500 mil em determinado momento e somado ao menos R$ 6 milhões entre junho de 2024 e agosto de 2025. A investigação também mencionou custeio de viagens, jatos particulares, hospedagens e outras despesas. Ciro sempre negou irregularidades. Em nota divulgada após a operação de maio, a defesa afirmou que o senador não teve “qualquer participação em atividades ilícitas” e criticou medidas investigativas tomadas, segundo os advogados, com base em trocas de mensagens. Relação com Flávio Bolsonaro Ciro manteve uma relação de apoio político a Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial, embora os dois tenham passado por um período de distanciamento. Em agosto, Flávio deixou Ciro fora da lista de candidatos ao Senado apoiados por ele. O movimento ocorreu depois que o PP barrou uma aliança formal na disputa presidencial e impediu que Tereza Cristina (PP-MS) assumisse como vice na chapa. Mesmo sem receber o apoio de Flávio, interlocutores de Ciro afirmavam que ele manteria seu voto no candidato do PL. Já em setembro, Ciro passou a articular uma reunião da federação União-PP para discutir um eventual apoio a Flávio em um segundo turno da eleição presidencial. O encontro foi marcado para terça-feira (6), dois dias depois do primeiro turno.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/aliado-de-flavio-ciro-perde-senado-apos-caso-vorcaro