Eleições

Como a volta de Bolsonaro ao Centrão impacta as eleições de 2022

Projeto de reeleição do presidente visa ampliar bancada no Senado e eleger governadores aliados

G
Gabriela Vinhal
04/12/2021, 14:42 • Atualizado em 31/10/2023, 00:45
compartilhar
Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A ida do presidente Jair Bolsonaro ao PL movimentou o xadrez de alianças políticas nos estados para 2022. Como um dos partidos mais influentes do Centrão, a sigla de Valdemar Costa Neto tem outra missão além de emplacar a reeleição do chefe do Executivo: eleger aliados bolsonaristas no Senado e reforçar apoio estadual com governadores. Para isto, levará consigo alguns ministros que já se colocam como candidatos e palanques certeiros para o ano que vem.

+ Leia as últimas notícias no portal SBT News

Especialistas ouvidos pelo SBT News avaliam que a falta de resultados concretos da gestão Bolsonaro nestes últimos três anos o motivou a buscar apoio de políticos que rejeitou no início do mandato. Com isso, a aproximação não se enquadra apenas ao PL, mas a partidos que já compõem a base no Congresso, como o PP e o Republicanos.  

Com a ida de Bolsonaro ao partido de Valdemar, devem seguir o mesmo caminho alguns ministros, como Onyx Lorenzoni (Trabalho), que concorrerá ao governo no Rio Grande do Sul, e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), que deve disputar o governo de São Paulo. Há, ainda, Gilson Machado (Turismo), que deve se lançar candidato ao Senado, e Marcelo Queiroga (Saúde), que pode concorrer ao governo paraibano. 

Outros aliados, como as ministras Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Tereza Cristina (Agricultura) miram corrida ao Senado, bem como o ex-ministro de Meio Ambiente Ricardo Salles. 

Centrão no Congresso

Diferentemente de 2018, quando Bolsonaro foi eleito pelo PSL -- sigla que tinha apenas um deputado e cresceu para 52 --, agora o presidente está em uma legenda relevante, que participou de todos os antigos governos. É como avalia Thiago Vidal, gerente de análise político da Prospectiva Consultoria. Por isso, independentemente de uma eventual reeleição, a estratégia é ampliar bancadas e encher assembleias legislativas. 

"Entre as principais diferenças entre o Bolsonaro de 2018 e o atual estão a aliança com outros partidos e a questão financeira. Independentemente de acordos, a sigla é estruturada. O PSL não só era pequeno, como desorganizado."

Os mais otimistas da legenda já dizem que, na Câmara, a bancada chegará a 70 deputados. Atualmente, são 43. A expectativa é de que cerca de 25 parlamentares do PSL da ala ideológica migrem do partido na próxima janela partidária, em março, ou na oficialização do União Brasil, sigla criada a partir da fusão do DEM com o PSL. 

No Senado, são cinco parlamentares, entre eles, um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), que assinou filiação na mesma cerimônia de ingresso do pai. Segundo integrantes do PL, o principal objetivo de investir nas candidaturas ao Senado é trocar o perfil da Casa, torná-la tão governista quanto a Câmara está. 

"Se, por um lado, ele fez um esforço para abraçar a Câmara - e tem dado resultados com [o presidente da Casa, Arthur] Lira. No Senado, não tem sido bem sucedido. As principais agendas do governo estão empacadas lá e, quando avançam, é a contragosto. Ele [Bolsonaro] não tem uma base forte entre os parlamentares mais experientes", disse Vidal.

Negociações nos estados

Valdemar e Bolsonaro estão de olho, principalmente, nos três colégios eleitorais mais importantes do país: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, que reúnem cerca de 40% do eleitorado. Mas o PL, por ser tradicionalmente uma sigla de Centro, já se aliou tanto à esquerda quanto à direita -- no resultado que fosse mais conveniente. Há, no entanto, a briga pelos apoios estaduais, que esbarram nas negociações por nomes ao Congresso Nacional e aos Executivos locais. 

É como explicou Geraldo Tadeu, cientista político e coordenador do Cebrade-Uerj (Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas sobre a Democracia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro): "Ampliar a bancada é de onde extrai tempo de televisão, fundo partidário, cláusula de barreira. Alianças que podem garantir esse trunfo, que é a bancada federal. Isso implica em apoiar um governador de esquerda no Nordeste e um de direita no Sul. É uma composição sempre que leva em conta a maior vantagem possível no seu quadro estadual". 

Durante seu discurso no evento de filiação, Bolsonaro acenou publicamente aos partidos do Centrão e disse que "nenhum partido será esquecido". "Queremos sim compor coligação para senador, para governador. (...) O que queremos é cada vez mais ter menos diferenças entre nós. Quem ganha com isso é o Brasil", disse o presidente na ocasião.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Cabo Verde faz história e avança ao mata-mata da Copa

Cabo Verde faz história e avança ao mata-mata da Copa

Imagem da notícia: Resgates dependem de máquinas emprestadas, diz venezuelano

Resgates dependem de máquinas emprestadas, diz venezuelano

Imagem da notícia: Nova Zelândia x Bélgica na Copa; siga em tempo real

Nova Zelândia x Bélgica na Copa; siga em tempo real

Imagem da notícia: Polícia prende líder de falsos motoristas em Guarulhos

Polícia prende líder de falsos motoristas em Guarulhos

Imagem da notícia: Cabo Verde faz história e avança ao mata-mata da Copa

Cabo Verde faz história e avança ao mata-mata da Copa

Imagem da notícia: Resgates dependem de máquinas emprestadas, diz venezuelano

Resgates dependem de máquinas emprestadas, diz venezuelano

Imagem da notícia: Nova Zelândia x Bélgica na Copa; siga em tempo real

Nova Zelândia x Bélgica na Copa; siga em tempo real

Imagem da notícia: Polícia prende líder de falsos motoristas em Guarulhos

Polícia prende líder de falsos motoristas em Guarulhos

Últimas notícias

Promessa do futebol venezuelano morre em terremoto

Yimvert Berroterán, atacante da Universidad Central e da seleção sub-17 da Venezuela, está entre as vítimas dos terremotos que devastaram o país

Alckmin diz que caso Wagner "engrandece" Lula

Ao SBT News, vice-presidente afirma que afastamento de ex-lider do governo no Senado reforça independência da Polícia Federal

Vini Jr. entra no top-4 da Fifa após show contra a Escócia

Atacante sobe cinco posições no Power Ranking da Copa do Mundo após marcar dois gols contra a Escócia e já aparece entre os melhores do torneio

Técnico do Japão admite pedir "ajuda" a Zico

Hajime Moriyasu chamou o Galinho de herói e destacou a influência do ex-camisa 10 no desenvolvimento do futebol japonês antes do duelo pelas 16 avos da Copa

Dívida pública atinge R$ 9 trilhões em maio, mostra Tesouro

O estoque da Dívida Pública Federal cresceu em 2,66% em um mês, registrando acúmulo de R$ 234,40 bilhões

Novo terremoto atinge Venezuela após tragédia

Fenômeno ocorre dias após os fortes tremores que atingiram o norte do país e deixaram centenas de vítimas, além de provocar danos em diferentes regiões