Economia

Serviços lideram nova onda empreendedora e crescem 86% no Brasil em seis anos

Setor já responde por mais da metade das empresas do país e impulsiona geração de renda e novos negócios

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Serviços lideram nova onda empreendedora e crescem 86% no Brasil em seis anos

O Brasil está vivendo uma nova fase do empreendedorismo, puxada principalmente pelo setor de serviços. Um levantamento do Sebrae, com base em dados da Receita Federal, revela que a abertura de empresas nesse segmento cresceu 86% entre 2019 e 2025. O número saltou de 1,7 milhão para mais de 3 milhões de novos negócios em um único ano, consolidando o setor como o principal motor de abertura de empresas no país.

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Esse movimento não desacelerou. Apenas em 2026, já foram registrados mais de 757 mil novos empreendimentos, incluindo microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). O avanço reforça uma tendência clara: cada vez mais brasileiros estão encontrando no setor de serviços uma porta de entrada para empreender.

Hoje, o Brasil conta com mais de 26,8 milhões de empresas ativas, sendo que o setor de serviços representa mais da metade desse total, com cerca de 13,5 milhões de CNPJs. Na sequência aparecem Comércio, Indústria, Construção e Agropecuária, com participação bem menor. Esse cenário evidencia uma transformação estrutural na economia, cada vez mais orientada por atividades de prestação de serviços, soluções sob demanda, ativos intangíveis e geração de valor baseada em conhecimento.

Além do crescimento no número de empresas, o setor também mostra força na atividade econômica. Dados da Pesquisa Mensal de serviços do IBGE indicam que o volume de serviços cresceu 0,3% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a alta é de 3%, enquanto na comparação anual o avanço chega a 3,3%.

Entre os destaques estão os segmentos de informação e comunicação, serviços profissionais e administrativos, além de transportes e outros serviços, que vêm sustentando esse crescimento. Esses setores refletem uma economia cada vez mais digital, descentralizada e baseada em soluções.

Outro dado relevante é o perfil das empresas abertas. Em 2025, o Brasil registrou um recorde histórico com 5,1 milhões de novos negócios, sendo que 96% deles são pequenos empreendimentos. Só os MEIs representam 3,8 milhões dessas aberturas, reforçando o papel do empreendedorismo individual como principal porta de entrada na formalização e geração de renda no país.

Esse avanço também tem relação direta com o cenário do mercado de trabalho. Em momentos de desemprego ou instabilidade econômica, muitos brasileiros encontram no empreendedorismo uma alternativa de geração de renda. Sem oportunidades formais suficientes, cresce o chamado “empreendedorismo por necessidade”, em que abrir um negócio deixa de ser apenas uma escolha e passa a ser uma saída para sobreviver e sustentar a família. Na prática, o empreendedorismo funciona, em parte, como um mecanismo de adaptação econômica da população diante de um ambiente de empregabilidade ainda pressionado.

Mas há um outro lado dessa dinâmica que precisa ser observado com mais profundidade. Em muitos casos, o MEI acaba funcionando como uma solução rápida de formalização para atividades informais, especialmente em momentos de perda de renda. Isso ajuda a explicar o crescimento acelerado das aberturas, mas não necessariamente reflete a sustentabilidade desses negócios ao longo do tempo. Estudos recorrentes mostram que uma parcela relevante das empresas fecha nos primeiros anos, o que indica que o dado de abertura, isoladamente, não captura toda a realidade do ciclo empreendedor.

Isso não diminui a importância do MEI, que continua sendo uma ferramenta fundamental de inclusão produtiva. Mas revela um ponto mais estrutural. O desafio não é apenas abrir empresas, e sim construir negócios com margem, gestão e capacidade de sustentar crescimento. Empresas que consigam gerar valor real, pagar equipes, crescer com consistência e não depender exclusivamente de um ambiente externo instável.

De qualquer forma, os pequenos negócios, especialmente em serviços, são fundamentais para a geração de renda, além de estimular as pessoas a acreditarem na possibilidade de construir o próprio negócio.

Os dados revelam mais do que crescimento. Eles mostram uma mudança de comportamento. Em vez de depender exclusivamente do mercado formal, milhões de brasileiros estão criando suas próprias oportunidades, impulsionando uma economia mais dinâmica, resiliente e distribuída. O próximo ciclo não será apenas de quem abre mais empresas, mas de quem constrói negócios melhores, mais estruturados e preparados para crescer de forma sustentável.

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