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Resenha: ‘Crimson Desert’ impressiona pela ambição, mas expõe limites que ainda travam seu potencial

RPG de mundo aberto aposta em imersão e densidade, porém, sofre com narrativa fraca e sistemas pouco intuitivos; veja análise

Imagem da noticia Resenha: ‘Crimson Desert’ impressiona pela ambição, mas expõe limites que ainda travam seu potencial
RPG de mundo aberto da Pearl Abyss, Crimson Desert já está disponível para PS5, Xbox Series X|S e PC | Reprodução/Pearl Abyss

Crimson Desert’ chega cercado de expectativa. Desde os primeiros trailers, o jogo da Pearl Abyss prometia algo diferente dentro do gênero: um mundo aberto mais denso, mais físico e menos guiado. A proposta parecia ousada e, em muitos momentos, ela realmente se concretiza.

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Mas, também fica claro, após algumas horas, que essa ambição cobra um preço. E ele aparece em forma de sistemas pouco intuitivos, narrativa inconsistente e decisões de design que podem afastar parte do público.

Um mundo que impressiona e engole o jogador

Com cerca de 30 horas de jogo, a principal sensação é direta: você viu muito, mas ainda viu pouco.

Crimson Desert não é apenas grande, ele é denso. A cada objetivo marcado, o jogo parece puxar você para dezenas de outras atividades, eventos aleatórios, puzzles, NPCs, acampamentos, segredos escondidos. É o tipo de experiência que, constantemente, faz você esquecer da missão principal.

Esse é, sem dúvida, o maior acerto do jogo.

A exploração funciona porque há propósito. Não é só preencher o mapa com ícones. Existe descoberta, curiosidade e recompensa. Em vários momentos, a sensação se aproxima de títulos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, The Witcher 3 e Red Dead Redemption 2, não pela estrutura, mas pela forma como o mundo reage ao jogador.

Crimson Desert | Reprodução/Pearl Abyss
Crimson Desert | Reprodução/Pearl Abyss

Desde a movimentação até a interação com o ambiente, tudo em Crimson Desert busca realismo. O personagem tem peso, as animações são detalhadas e o mundo responde fisicamente às ações. O problema é que essa escolha também impacta o ritmo.

Tudo é mais lento, mais cadenciado e menos imediato. Ações simples exigem tempo, posicionamento preciso e, muitas vezes, tentativa e erro.

A ausência de um sistema de navegação claro reforça essa decisão. Em vários momentos, se perder faz parte da experiência. Mas, nem sempre isso é positivo.

Combate é sólido, mas ainda irregular

O combate funciona. Ele tem impacto, variedade e recompensa o jogador que se dedica a aprender seus sistemas.

Existe profundidade: esquivas, contra-ataques, combos, diferentes tipos de armas e habilidades que vão além do básico. Em batalhas maiores e, principalmente, contra chefes, o jogo mostra sua força.

Por outro lado, a curva inicial é confusa. Os comandos não são intuitivos, faltam explicações e o jogo demora para engrenar. Quando isso acontece, a experiência melhora bastante, mas até lá, há um atrito e muita coisa não é explicada.

Ainda assim, mesmo sendo bom, o sistema não atinge o nível de refinamento de outras referências do gênero.

Crimson Desert | Reprodução/Pearl Abyss
Crimson Desert | Reprodução/Pearl Abyss

Narrativa é o ponto mais fraco

Se existe um consenso após as primeiras dezenas de horas, é este: a história não acompanha o restante do jogo.

A trama até tenta construir um mundo político e complexo, com conflitos e personagens relevantes. No entanto, a execução falha. É bem difícil até recordar o nome de alguns personagens, por exemplo.

Faltam conexões, contexto e desenvolvimento. Missões acontecem sem explicação clara, personagens aparecem e desaparecem sem impacto, e muitos eventos parecem desconectados.

Definitivamente, não é uma narrativa memorável. Em um jogo dessa escala, isso pesa.

Sistemas demais, explicação de menos

Crimson Desert é um jogo cheio de sistemas: crafting, gerenciamento de base, exploração, combate avançado, puzzles, progressão indireta.

O problema é que muitos deles não são bem explicados. Você aprende na base da tentativa, erro e curiosidade.

Falta clareza em mecânicas básicas, objetivos e até em interações simples. É uma escolha de design que reforça a imersão, mas compromete a acessibilidade.

Desempenho no PS5 levanta alerta

Durante os testes no PlayStation 5, o desempenho apresentou problemas relevantes.

Ao longo das mais de 30 horas de jogatina, foram encontrados diversos bugs, além de crashes recorrentes, que interromperam a experiência em mais de uma ocasião. Embora nem todos os erros comprometam totalmente o progresso, a frequência chama a atenção para um título desse porte.

A Pearl Abyss já reconheceu parte dos problemas e vem trabalhando em atualizações. Na versão mais recente disponível até o momento deste review, foi possível notar melhorias importantes, com correções que ajudaram na estabilidade.

Por outro lado, novos problemas também surgiram, reforçando a sensação de que o jogo ainda está em processo ativo de ajustes.

A situação inevitavelmente remete ao lançamento conturbado de Cyberpunk 2077, porém, até aqui, há sinais de que a desenvolvedora está comprometida em evoluir o projeto.

Um jogo que ainda está se encontrando

Crimson Desert é, acima de tudo, um jogo com identidade. Apesar de apresentar um monte de mecânicas que parecem recicladas de outros jogos, ele acaba por seguir sua própria fórmula. E isso, por si só, já o coloca em um lugar diferente dentro do mercado atual.

Ao mesmo tempo, essa ambição vem acompanhada de falhas claras. A narrativa não sustenta o mundo que o jogo constrói, os sistemas ainda precisam de ajustes e a falta de acessibilidade acabou gerando até mesmo uma onde de notas baixas no Metacritic e pedidos de reembolso na PSN e demais lojas.

Crimson Desert | Reprodução/Pearl Abyss
Crimson Desert | Reprodução/Pearl Abyss

Conclusão: ambicioso, diferente e ainda em evolução

Com mais de 30 horas de jogo, fica evidente que Crimson Desert entrega algo raro: sensação de descoberta constante. Mas, também fica claro que ele ainda não é uma experiência totalmente refinada.

O jogo acerta na imersão, na construção de mundo e na liberdade oferecida ao jogador. Em contrapartida, tropeça na narrativa, na clareza dos sistemas e em decisões de design que dificultam a entrada.

No estado atual, Crimson Desert é um jogo muito bom, com potencial real de se tornar excelente.

A questão agora é se a Pearl Abyss conseguirá ajustar essas arestas, ou se essa ambição continuará sendo, ao mesmo tempo, sua maior qualidade e seu maior problema.

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