Economia

Renegociação das dívidas focará em famílias, informais e pequenas empresas, diz Durigan

Ministro da Fazenda disse que programa está pronto para ser apresentado e será dividido em três frentes

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Ministro da Fazenda, Dario Durigan | Divulgação/Washington Costa/MF
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Em coletiva a jornalistas em Washington depois de uma semana de compromissos no FMI e no Banco Mundial, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (17) que a equipe econômica tem pronto o programa para renegociar dívidas demandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durigan indicou que os termos da proposta podem ser apresentados já na próxima semana com a volta do petista de viagem à Espanha, Alemanha e Portugal.

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Conforme o ministro, a renegociação será dividida em três frentes: para as famílias, para trabalhadores informais e para pequenas empresas.

“O anúncio está pronto hoje. Se o presidente, voltando semana que vem, entender que é a hora de fazer o anúncio, nós estamos prontos", disse.

Durigan explicou que o objetivo central é reduzir as dívidas acumuladas em linhas de crédito caras, como cartões e Crédito Direto ao Consumidor (CDC), que não exigem garantias, mas cobram juros elevados em contrapartida. Feita a renegociação com os bancos, o governo entrará como garantidor para transferir esses tomadores de crédito para linhas “mais racionais e baratas", conforme Durigan, onde se oferece algum bem de garantia ao banco, como o próprio faturamento.

Como mostrou o SBT News, a alta taxa de inadimplência e endividamento entre as famílias brasileiras está associada ao crédito encarecido com a Selic em dois dígitos.Com isso, há um estimulo a alternativas mais custosas de acesso ao dinheiro, como cheques especiais e cartões de crédito, o que traz ums solução para despesas pendentes no curto prazo, mas expande e prolonga a dívida no médio e longo prazo.

A inadimplência com o rotativo do cartão de crédito, por exemplo, chegou a 64,5% em dezembro do ano passado. A linha de crédito é a mais cara do mercado, com juros que superam os 400% ao ano.

O tema ganhou a atenção de Lula nas últimas semanas, que pediu à equipe econômica soluções para que os indicadores da economia sejam traduzidos em qualidade de vida da população. Em ano eleitoral, a preocupação do petista com o endividamento familiar e com a redução do poder de compra dos brasileiros passou a ser externada em agendas recentes.

Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que o endividamento dos brasileiros atingiu recorde histórico em março de 2026, alcançando mais de 80% dos lares.

Facções criminosas e tarifas contra o Brasil

Durigan também afirmou que, nas reuniões bilaterais com representantes dos Estados Unidos – incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent –, não foi abordada a possibilidade de os EUA rotularem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que vinha sendo ventilado pela Casa Branca e abriria brecha para intervenções americanas mais diretas em território brasileiro a contragosto do Planalto.

O ministro também disse que não tratou da investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre supostas práticas comerciais desbalanceadas do Brasil. A questão tem sido tocada pelo Itamaraty e contou com participação de representantes do Ministério da Justiça em audiência realizada na quarta (15), conforme apurou o SBT News.

O processo, invocado por meio da Seção 301 da lei comercial norte-americana, citou o Pix como um dos mecanismos bancários que estaria atrapalhando a competitividade de empresas americanas no Brasil, como as bandeiras de cartão de crédito Visa e Mastercard.

Para Durigan, contudo, a investigação “não pode servir como um mero teatro ou corolário para que se venha com a imposição de uma tarifa depois".

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