Quase 40% da indústria prevê aumento do endividamento
Empresas ouvidas pela CNI em consulta esperam aumentar dívidas bancárias nos próximos três meses

Indústria | Agência Brasil
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) realizou uma consulta pública com a finalidade de captar a percepção das empresas industriais sobre a política monetária do Banco Central. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (3), mostra que 39% das 191 companhias ouvidas esperam aumentar suas dívidas bancárias nos próximos três meses.
A consulta também aponta que:
- 53% das empresas acreditam que será necessário aumentar a busca por crédito para o financiamento de contas a pagar
- 38% esperam tomar esses recursos a juros mais altos
- 47% acreditam que vai se intensificar a necessidade de financiamento associada às contas a receber nos próximos três meses
- 42% preveem ampliar a tomada de crédito para comprar, produzir ou manter mercadorias e insumos armazenados até que eles sejam vendidos ou utilizados no processo produtivo
Segundo a analista de Política e Indústrias da CNI, Maria Virginia Colusso, os empresários esperam "não só aumentar a tomada de crédito, mas fazer isso a um custo ainda mais alto”. Diante desse cenário, os industriais acreditam que, mesmo após os cortes da taxa básica de juros que aconteceram em 2026, a Selic continua muito alta, o que gera consequências negativas sobre a atividade industrial.
Reunião do Copom
A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do Banco Central responsável por definir a taxa de juros no Brasil, terá início nesta terça-feira (4). A expectativa do mercado é que na quarta-feira (5) seja anunciada uma redução de 0,25 ponto percentual, mantendo o ritmo dos últimos cortes.
Para a economista e professora da PUC-SP, Cristina Helena Pinto, uma diminuição de 0,25 ponto percentual seria "compatível com a conjuntura macroeconômica e com a lógica do regime de metas de inflação". Segundo ela, "trata-se de uma resposta prudente diante de um ambiente ainda complexo, marcado pelo elevado endividamento das famílias, pela fragilidade dos investimentos produtivos e pelas incertezas em torno da trajetória da dívida pública."
Apesar disso, a especialista reconhece que "a indústria está entre os segmentos mais sensíveis aos juros elevados, pois depende intensamente de crédito para financiar capital de giro, investimentos e modernização". Mesmo assim, a economista destaca que "a política monetária atua sobre a economia como um todo, e não sobre um setor específico", de forma que "seria um equívoco justificar a decisão exclusivamente pelo endividamento e desempenho industrial".














