PF e BC descartam envolvimento de Campos Neto no caso Master
Até o momento, não foram encontradas evidências que ex-presidente do Banco Central sabia da corrupção dos seus subordinados


Raquel Landim
Fontes com acesso às investigações feitas pela Polícia Federal e pelo Banco Central informaram à coluna que não foram encontradas, até o momento, evidências de que o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, soubesse da corrupção dos seus subordinados no caso Master.
Por enquanto, a PF descarta o envolvimento de Campos Neto na trama.
A terceira fase da Operação Compliance Zero identificou dois dirigentes do BC que recebiam mesada do banqueiro Daniel Vorcaro para atuar como consultores e repassar informações de dentro do órgão.
O ex-chefe de fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe de supervisão bancária, Belline Santana, foram alvos de operação da PF nesta quarta-feira (4) e já tinham sido afastados por investigação interna do BC em janeiro. Na época, Gabriel Gallípolo, indicado por Luiz Inácio Lula da Silva, já havia assumido a presidência do BC.
Campos Neto é muito próximo de políticos do centrão, que fazem parte do círculo de amigos de Vorcaro, e vinha sendo alertado por banqueiros dos empréstimos arriscados do Master. Ele é criticado no mercado por ter demorado a agir.
Em novembro de 2024, ainda na gestão Campos Neto, Vorcaro recebeu um termo de notificação do BC, exigindo que ele resolvesse em 180 dias os problemas do Master. Nesta época, teve uma reunião com Lula no Planalto.
Com a confirmação pela investigação da PF das evidências de corrupção pelos subordinados, Campos Neto vem sendo acusado por ministros políticos próximos ao governo de fazer parte do esquema.
Investigações iniciais feitas pelo BC e, posteriormente, o trabalho da PF com a quebra dos sigilos bancário e telemático de Vorcaro não teriam encontrado referência de pagamentos a Campos Neto, dizem essas fontes.









