Economia

O verdadeiro significado da famosa frase ‘Fake it Till You Make It’?

Essa frase quando bem utilizada, pode ser validadora, mas também muito perigosa

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João Kepler
28/10/2024, 12:10 • Atualizado em 28/10/2024, 12:10
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Cuddy sugere que adotar posturas de poder pode influenciar nossas emoções e hormônios, elevando nossa sensação de controle | Cido Coelho/SBT News/Imagem gerada por IA

Cuddy sugere que adotar posturas de poder pode influenciar nossas emoções e hormônios, elevando nossa sensação de controle | Cido Coelho/SBT News/Imagem gerada por IA

A frase “fake it till you make it”, que em português significa "faça de conta até se tornar realidade", virou um mantra popular no mundo das startups e dos negócios.

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Refere-se a apresentar algo ao mercado como se já estivesse praticamente pronto, enquanto, nos bastidores, a versão completa ainda está em desenvolvimento. No entanto, fingir ser algo que não somos pode representar um risco, dependendo de como entendemos e aplicamos o conceito.

Essa frase, quando bem utilizada, pode ser válida, mas também muito perigosa se a expectativa estiver errada e mal compreendida.

No âmbito pessoal, a psicóloga social Amy Cuddy, famosa pelo TED Talk sobre “Power Poses”, vê o fingir como uma ferramenta poderosa para conquistar confiança real.

Cuddy sugere que adotar posturas de poder pode influenciar nossas emoções e hormônios, elevando nossa sensação de controle.

Para ela, o “fingimento” temporário ajuda a enfrentar a síndrome do impostor e outros sentimentos de inadequação. "Esse exercício, repetido com intenção, pode se transformar em confiança genuína."

Por outro lado, Brené Brown, especialista em vulnerabilidade e autenticidade, adverte que o “Fake it Till You Make It” pode nos levar a construir uma armadura emocional que nos isola da nossa verdade e dos outros.

Ela acredita que o crescimento pessoal real ocorre ao enfrentarmos nossa vulnerabilidade, e não ao mascará-la com uma persona artificial.

Na mesma linha, Barbara Ehrenreich também critica o excesso de “positividade” em seu livro Smile or Die.

Ela aponta os perigos de ignorar desafios reais e criar uma pressão irreal sobre nós mesmos para alcançar metas.

Ehrenreich defende que a cultura do “fingir até conseguir” pode levar à negação das dificuldades e a sentimentos de culpa em caso de fracasso. Para ela, o fingimento constante não é uma ferramenta de superação, mas uma forma de escapar da realidade.

No mundo dos negócios, Simon Sinek acrescenta outra dimensão: ele observa que o “fingir” pode ser prejudicial para líderes.

Para Sinek, um líder que esconde suas dúvidas e incertezas perde a oportunidade de ser autêntico e de fortalecer a confiança da sua equipe.

Ele acredita que liderar com vulnerabilidade aproxima o líder de seu time e cria um ambiente de colaboração genuína. Fingir constantemente, por outro lado, pode minar essa conexão e fomentar a desconfiança.

Apesar das críticas, Napoleon Hill, autor de Pense & Enriqueça, defende que se imaginar em uma posição de sucesso pode ajudar a criar resultados positivos.

Hill acredita que atitudes e pensamentos positivos podem atrair sucesso, mas reforça que esse fingimento precisa ser sustentado por esforço e aprendizado constantes. Para ele, a confiança imaginada pode abrir portas, mas só o trabalho duro traz resultados concretos.

A questão central é: até onde fingir realmente ajuda?

Minha percepção é que o conhecimento eleva nosso nível de consciência e, com isso, gera confiança. Assim, se temos clareza do que estamos "fingindo", do que queremos ser e das consequências dessa prática, podemos usá-la de forma intencional, como uma estratégia com começo, meio e fim. No mundo empresarial, o que importa é o caminho do meio — o perigo está em permanecer nos extremos.

Portanto, o equilíbrio é fundamental. Use o “Fake it Till You Make It” de forma consciente e temporária, tanto no mundo dos negócios quanto no pessoal, como sugere Cuddy: enquanto pratica o autoconhecimento e busca apoio para crescer.

O “Fake it Till You Make It”, no sentido de “pretend to be”, pode ser um primeiro passo para validar MVPs (protótipos) e testar hipóteses, mas ATENÇÃO: ele não pode durar para sempre e não substitui o crescimento sustentável e verdadeiro. Que essa prática sirva apenas como uma ferramenta momentânea de validação e não como uma desculpa para evitar o confronto com nossas fraquezas.

Portanto, da próxima vez que considerar usar o “Fake it Till You Make It”, pergunte-se: isso pode me ajudar a evoluir ou está apenas adiando mudanças necessárias? A resposta pode ser a diferença entre o sucesso autêntico e uma máscara vazia.

Pense nisso.

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