MP pede ao TCU derrubada de sigilo que barrou acesso do Banco Central ao caso Master
Subprocurador afirma que decisão que restringiu acesso aos autos gera desconfiança e compromete transparência em apuração sobre liquidação do banco


Victor Schneider
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) pediu nesta sexta-feira (20) à Corte de Contas a derrubada do sigilo total imposto sobre a investigação que mira a atuação do Banco Central (BC) no processo de liquidação do Master, em novembro do ano passado.
No início deste mês, o ministro Jonathan de Jesus alterou o grau de acesso ao caso para “sigiloso com exigência de autorização específica de leitura", barrando o acesso do BC aos autos sem a sua autorização.
Para o subprocurador Lucas Furtado, a medida comprometeu a imagem do Tribunal de Contas e gerou “profunda desconfiança” pela falta de transparência na investigação.
“Em um cenário já marcado por episódios controversos e suspeitas de favorecimento ao Banco Master, a decisão de ocultar informações cruciais, mesmo do próprio Banco Central e de membros do TCU, é alarmante", escreveu o subprocurador.
Na decisão remetida ao presidente da Corte de Contas, ministro Vital do Rêgo, Furtado também rebateu o argumento apresentado por Jonathan de Jesus de querer tentar coibir o vazamento de dados sensíveis. “A justificativa não se sustenta diante da gravidade do caso e da necessidade de clareza em processos que envolvem bilhões e afetam a credibilidade de órgãos de controle".
O BC já havia solicitado ao TCU acesso às informações, mesmo com a manutenção do sigilo para o público em geral, por ser parte envolvida no processo. O caso Master começou a tramitar no tribunal no fim de 2025 por pressão de políticos e do próprio banco, todos interessados na “desliquidação” da instituição financeira de Daniel Vorcaro.
A investigação apura se o Banco Central demorou a tomar uma ação para impedir que o rombo do Master contaminasse o sistema financeiro, levando à liquidação de outros bancos e um rombo ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) superior a R$ 50 bilhões.
O Master apostou na emissão de papéis de dívida com taxas de juros amplas para atrair investidores e multiplicar exponencialmente seu ativos – que passaram de de R$ 36,8 bilhões em 2023 para R$ 82,7 bilhões em 2024 – em uma estratégia que hoje é investigada como sem lastro e fraudulenta.









