Economia

Medicamentos para emagrecer viram aliados inesperados das empresas aéreas

Análise mostra que redução de peso médio dos passageiros tem impacto direto nos custos com combustível

Avatar de Exame.com
Exame.com
19/01/2026, 12:29 • Atualizado em 19/01/2026, 12:29
compartilhar
Avião | Rovena Rosa/Agência Brasil

Avião | Rovena Rosa/Agência Brasil

Wall Street está descobrindo um beneficiário inusitado da popularização dos medicamentos para perda de peso nos Estados Unidos: as companhias aéreas. Com a chegada dos primeiros comprimidos à base de GLP-1 — substância originalmente usada no tratamento do diabetes tipo 2 — analistas do Jefferies afirmam que uma sociedade mais magra pode ajudar a reduzir o combustível utilizado, que é o maior custo operacional das aéreas.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Segundo o relatório do grupo obtido pela CNBC, uma sociedade mais "enxuta" implica em um menor consumo de energia. O banco estima que uma redução de 10% no peso médio dos passageiros pode cortar até 1,5% nos custos com combustível, e gerar aumento de até 4% no lucro por ação das principais companhias americanas.

A projeção é baseada em um cálculo simples: menos peso transportado equivale a menos gasto com querosene de aviação. O peso é um dos principais fatores que afetam a eficiência das aeronaves, reconhecido por fabricantes como a Boeing.

A popularização dos medicamentos pode ganhar ainda mais força com a aprovação, nos próximos meses, de novos produtos orais, eliminando a necessidade de aplicação via injeção.

Pacientes nos EUA já têm acesso ao comprimido da Novo Nordisk e a um concorrente da Eli Lilly. A expectativa é que a conveniência traga uma nova leva de usuários em busca de tratamento para obesidade.

Impacto direto no balanço

A Jefferies usou como referência o modelo 737 Max 8, da Boeing. A aeronave tem peso operacional vazio de 99 mil libras (cerca de 45 toneladas). Em voos com 178 passageiros, cada um pesando em média 180 libras (cerca de 81,5 quilos), o total de peso humano a bordo soma cerca de 32 mil libras (cerca de 14,5 toneladas)

Se o peso médio cair 10%, isso significaria 3.200 libras (cerca de 1,4 tonelada) a menos — aproximadamente 2% do peso total de decolagem. A economia seria multiplicada por milhares de voos ao ano.

Só em 2026, as quatro maiores aéreas dos EUA — American Airlines, Delta, United e Southwest — devem consumir 16 bilhões de galões de combustível, ao custo médio de US$ 2,41 por galão. A fatura de combustível deve ultrapassar US$ 39 bilhões, ou cerca de 19% das despesas totais do setor.

Com a estimativa de que cada 1% de redução de peso melhora a eficiência do combustível em 0,75%, o banco projeta que um corte de 2% no peso total da aeronave pode elevar o lucro por ação em até 4%.

A American, por exemplo, teria o maior ganho estimado: 11,7% de aumento no LPA, diante da sua alta alavancagem operacional. A Southwest viria em seguida, com 4,2%, seguida por United (3,5%) e Delta (2,8%).

O setor aéreo historicamente adota medidas rigorosas para reduzir peso e, com isso, economizar combustível. Em 2018, a United Airlines trocou o papel de sua revista de bordo por uma versão mais leve, reduzindo 30 gramas por exemplar. A medida economizou 170 mil galões de combustível por ano, o equivalente a cerca de US$ 290 mil na época.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: EUA atacam radares no Irã e abatem drones em Ormuz

EUA atacam radares no Irã e abatem drones em Ormuz

Imagem da notícia: Fifa libera entrada com garrafa de água nos estádios da Copa

Fifa libera entrada com garrafa de água nos estádios da Copa

Imagem da notícia: Governo prorroga prazo de inscrição do Enem 2026

Governo prorroga prazo de inscrição do Enem 2026

Imagem da notícia: Defesa de Robinho tenta facilitar progressão de pena

Defesa de Robinho tenta facilitar progressão de pena

Imagem da notícia: EUA atacam radares no Irã e abatem drones em Ormuz

EUA atacam radares no Irã e abatem drones em Ormuz

Imagem da notícia: Fifa libera entrada com garrafa de água nos estádios da Copa

Fifa libera entrada com garrafa de água nos estádios da Copa

Imagem da notícia: Governo prorroga prazo de inscrição do Enem 2026

Governo prorroga prazo de inscrição do Enem 2026

Imagem da notícia: Defesa de Robinho tenta facilitar progressão de pena

Defesa de Robinho tenta facilitar progressão de pena

Últimas notícias

Dezenas de pessoas morrem de sede no deserto do Saara

Tragédia ocorreu após caminhão que transportava cidadãos nigerianos quebrar em uma área remota perto das fronteiras do Mali e da Argélia

Lula sanciona Lei que garante renovação automática da CNH

Legislação alcança apenas os bons condutores, sem infrações nos últimos 12 meses

Paramount e Warner: Fusão pode ter novo desafio nos EUA

Com governo Trump menos rigoroso, autoridades estaduais buscam ampliar atuação na fiscalização da concorrência

Bolsonaro segue em recuperação e tem crises de soluços

Ex-presidente se encontra no 35º dia após cirurgia no ombro direito e permanece em prisão domiciliar por motivos de saúde, segundo boletim médico

Dólar fecha a R$ 5,15, maior nível em dois meses

Moeda americana acumulou alta de 2,26% na semana; real teve um dos piores desempenhos entre emergentes

Congo alerta para rápida disseminação comunitária do Ebola

71 novos casos de Ebola foram confirmados em um período de 24 horas