Economia

Medicamentos para emagrecer viram aliados inesperados das empresas aéreas

Análise mostra que redução de peso médio dos passageiros tem impacto direto nos custos com combustível

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Avião | Rovena Rosa/Agência Brasil

Wall Street está descobrindo um beneficiário inusitado da popularização dos medicamentos para perda de peso nos Estados Unidos: as companhias aéreas. Com a chegada dos primeiros comprimidos à base de GLP-1 — substância originalmente usada no tratamento do diabetes tipo 2 — analistas do Jefferies afirmam que uma sociedade mais magra pode ajudar a reduzir o combustível utilizado, que é o maior custo operacional das aéreas.

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Segundo o relatório do grupo obtido pela CNBC, uma sociedade mais "enxuta" implica em um menor consumo de energia. O banco estima que uma redução de 10% no peso médio dos passageiros pode cortar até 1,5% nos custos com combustível, e gerar aumento de até 4% no lucro por ação das principais companhias americanas.

A projeção é baseada em um cálculo simples: menos peso transportado equivale a menos gasto com querosene de aviação. O peso é um dos principais fatores que afetam a eficiência das aeronaves, reconhecido por fabricantes como a Boeing.

A popularização dos medicamentos pode ganhar ainda mais força com a aprovação, nos próximos meses, de novos produtos orais, eliminando a necessidade de aplicação via injeção.

Pacientes nos EUA já têm acesso ao comprimido da Novo Nordisk e a um concorrente da Eli Lilly. A expectativa é que a conveniência traga uma nova leva de usuários em busca de tratamento para obesidade.

Impacto direto no balanço

A Jefferies usou como referência o modelo 737 Max 8, da Boeing. A aeronave tem peso operacional vazio de 99 mil libras (cerca de 45 toneladas). Em voos com 178 passageiros, cada um pesando em média 180 libras (cerca de 81,5 quilos), o total de peso humano a bordo soma cerca de 32 mil libras (cerca de 14,5 toneladas)

Se o peso médio cair 10%, isso significaria 3.200 libras (cerca de 1,4 tonelada) a menos — aproximadamente 2% do peso total de decolagem. A economia seria multiplicada por milhares de voos ao ano.

Só em 2026, as quatro maiores aéreas dos EUA — American Airlines, Delta, United e Southwest — devem consumir 16 bilhões de galões de combustível, ao custo médio de US$ 2,41 por galão. A fatura de combustível deve ultrapassar US$ 39 bilhões, ou cerca de 19% das despesas totais do setor.

Com a estimativa de que cada 1% de redução de peso melhora a eficiência do combustível em 0,75%, o banco projeta que um corte de 2% no peso total da aeronave pode elevar o lucro por ação em até 4%.

A American, por exemplo, teria o maior ganho estimado: 11,7% de aumento no LPA, diante da sua alta alavancagem operacional. A Southwest viria em seguida, com 4,2%, seguida por United (3,5%) e Delta (2,8%).

O setor aéreo historicamente adota medidas rigorosas para reduzir peso e, com isso, economizar combustível. Em 2018, a United Airlines trocou o papel de sua revista de bordo por uma versão mais leve, reduzindo 30 gramas por exemplar. A medida economizou 170 mil galões de combustível por ano, o equivalente a cerca de US$ 290 mil na época.

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