Economia

MDIC: acordo entre Mercosul e Índia não deve avançar em 2026

Ministro destaca complexidade na conciliação de interesses; declaração ocorre após acordo entre ApexBrasil e indústria indiana

Avatar de Caio Barcellos
Caio Barcellos
Ministro Márcio Elias Rosa durante coletiva | Foto: Júlio César Silva/MDIC

Ministro Márcio Elias Rosa durante coletiva | Foto: Júlio César Silva/MDIC

A ampliação do acordo de preferências tarifárias entre Mercosul e Índia dificilmente será concluída ainda em 2026, afirmou nesta quinta-feira (27) o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

O governo brasileiro pretende aumentar significativamente o alcance do entendimento atual, limitado a cerca de 450 linhas tarifárias, mas considera que a negociação exigirá mais tempo para conciliar interesses dos dois lados.

“Realisticamente falando, eu acho que é pouco provável que [seja concluída] nesse ano [...] porque essa é uma discussão demorada, não é simples”, disse Elias Rosa.

Segundo o ministro, Brasil, Mercosul e Índia já possuem algum grau de integração produtiva, mas uma expansão do acordo precisa levar em consideração questões consideradas sensíveis pelas partes.

Entre elas estão a segurança alimentar, tratada como prioridade pelo governo indiano, e o interesse brasileiro em aumentar a agregação de valor à produção nacional. “Nós precisamos sentar e discutir por onde nós vamos expandir”, afirmou.

As declarações foram dadas após a assinatura de um memorando de entendimento entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas (CII), em Brasília. O documento cria uma estrutura de cooperação para troca de informações de mercado, promoção de feiras, internacionalização de pequenas e médias empresas e desenvolvimento de projetos voltados à atração de investimentos e à facilitação de negócios entre os dois países.

A delegação indiana presente no encontro reuniu representantes de companhias como UPL e Kirloskar Brothers, além da CII e do Export-Import Bank of India. A agenda em Brasília também inclui contatos com entidades empresariais brasileiras e órgãos do governo para apresentar oportunidades de concessões, infraestrutura e investimentos.

Negociação continua nesta semana

Apesar de considerar improvável a conclusão da ampliação do acordo ainda neste ano, Elias Rosa afirmou que as discussões continuam imediatamente. Segundo ele, estão previstas reuniões técnicas e políticas, inclusive uma conversa nesta sexta-feira (28) entre a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, e representantes indianos.

A pauta inclui convergência regulatória, adequação de padrões em setores como o farmacêutico e a própria ampliação do acordo entre Mercosul e Índia. O ministro ponderou, porém, que essas reuniões ainda não deverão resultar em decisões definitivas e servirão principalmente para esclarecer as posições de cada lado.

A tentativa de ampliar o acordo faz parte da estratégia do governo Lula (PT) de diversificar os destinos das exportações brasileiras em meio ao esforço para reduzir a dependência de mercados específicos, especialmente após as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

A Índia ganhou peso nessa estratégia pelo tamanho e pelo ritmo de expansão de sua economia, que cresceu 7,7% em 2025, quando o país alcançou um Produto Interno Bruto (PIB) nominal de US$ 4,1 trilhões e se consolidou como a quinta maior economia do mundo. Com cerca de 1,5 bilhão de habitantes, o mercado indiano registrou ainda consumo interno de US$ 2,9 trilhões e figurou como o oitavo maior importador mundial.

Segundo dados do MDIC, a corrente de comércio entre Brasil e Índia alcançou o recorde histórico de US$ 15,2 bilhões em 2025, resultado de US$ 6,9 bilhões em exportações brasileiras e US$ 8,4 bilhões em importações de produtos indianos, o que deixou um déficit de US$ 1,5 bilhão para o Brasil.

Além disso, as vendas brasileiras ao mercado indiano cresceram, em média, 9,4% ao ano entre 2021 e 2025, acima da expansão média de 5,6% das exportações totais brasileiras no mesmo período.

Apesar desse avanço, o Brasil ainda ocupa uma fatia pequena do mercado indiano, aparecendo como o 26º maior fornecedor do país, com participação de apenas 0,8% em 2024. Em sentido contrário, a Índia já ocupava em 2025 a décima posição entre os principais destinos das exportações brasileiras, o que, na avaliação do governo, demonstra tanto o avanço recente da relação quanto o espaço existente para ampliar as vendas.

A pauta brasileira de exportações é concentrada em poucos produtos de pouco valor agregado. Óleos brutos de petróleo lideraram as vendas à Índia em 2025, com US$ 1,94 bilhão e participação de 28,3%.

Em seguida, aparecem

  • açúcares e melaços, com US$ 1,08 bilhão (15,7%);
  • gorduras e óleos vegetais, com US$ 965,4 milhões (14,1%);
  • minério de ferro, com US$ 441,9 milhões (6,4%);
  • algodão em bruto, com US$ 411,3 milhões (6,0%).

A ApexBrasil identificou novas 378 oportunidades para produtos brasileiros no mercado indiano e mantém dez projetos setoriais estratégicos voltados ao país, envolvendo segmentos que vão de máquinas, equipamentos médicos e calçados a alimentos, produtos agropecuários e outras atividades industriais.

Do lado das importações, o Brasil comprou principalmente produtos industriais e de maior valor agregado, reforçando a diferença de perfil entre parte relevante das vendas brasileiras e os produtos adquiridos da Índia.

Os compostos químicos lideraram a pauta, com US$ 1,47 bilhão e participação de 17,6%, seguidos por:

  • combustíveis de petróleo, com US$ 1,11 bilhão (13,3%);
  • medicamentos, com US$ 568,8 milhões (6,8%);
  • defensivos agrícolas, com US$ 543,5 milhões (6,5%);
  • partes de veículos, comUS$ 308,4 milhões (3,7%).

Farmacêuticos, energia e fertilizantes

Elias Rosa disse que o encontro desta hoje revelou interesse indiano em ampliar investimentos no Brasil em áreas como indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos.

Segundo o ministro, a maior aproximação entre empresas dos dois países pode avançar paralelamente à negociação tarifária, mesmo que a revisão do acordo Mercosul-Índia leve mais tempo para ser concluída.

A cooperação também envolve minerais críticos, tema que ganhou espaço na agenda bilateral durante a visita do presidente Lula à Índia em fevereiro, quando os dois países assinaram um memorando de entendimento sobre o setor. Elias Rosa afirmou que o governo brasileiro pretende ampliar parcerias para a exploração desses recursos com diferentes países, sem privilegiar um parceiro em detrimento de outro.

O ministro ressaltou, porém, que a política brasileira não deve se restringir à extração e exportação das matérias-primas.

“É preciso que haja mais do que a simples exploração dos minerais críticos, é preciso que haja adensamento de algum valor, agregação de algum valor. Essa é a política que o Brasil precisa seguir e que o governo federal já definiu como prioritária também”, declarou

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Relator da 6x1 rejeita emendas e mantém redução para 40h

Relator da 6x1 rejeita emendas e mantém redução para 40h

Imagem da notícia: VÍDEO: Acidente com caminhonete da Saúde mata 5 em RO

VÍDEO: Acidente com caminhonete da Saúde mata 5 em RO

Imagem da notícia: Renan diz que STF é "hiperpoderoso" e ultrapassa limites

Renan diz que STF é "hiperpoderoso" e ultrapassa limites

Imagem da notícia: Justiça suspende imposto de exportação de petróleo

Justiça suspende imposto de exportação de petróleo

Imagem da notícia: Relator da 6x1 rejeita emendas e mantém redução para 40h

Relator da 6x1 rejeita emendas e mantém redução para 40h

Imagem da notícia: VÍDEO: Acidente com caminhonete da Saúde mata 5 em RO

VÍDEO: Acidente com caminhonete da Saúde mata 5 em RO

Imagem da notícia: Renan diz que STF é "hiperpoderoso" e ultrapassa limites

Renan diz que STF é "hiperpoderoso" e ultrapassa limites

Imagem da notícia: Justiça suspende imposto de exportação de petróleo

Justiça suspende imposto de exportação de petróleo

Últimas notícias

Uefa prepara ação contra Fifa por venda de direitos

Entidade do futebol europeu recua de boicote, mas solicita documentos nos EUA para ingressar na Justiça suíça contra Gianni Infantino

Lula exonera chefe das redes, que irá socorrer Campos em PE

Ex-prefeito do Recife aparece nas pesquisas de intenção de voto atrás da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição

Brasil vai negociar com EUA sem oferta inicial

Ministro Elias Rosa diz estar “animadíssimo” para reunião de segunda-feira (31), mas prevê diálogo difícil

Depoimento de Vorcaro à PF é adiado novamente

PF alegou 'questões técnicas' para mudar a data; defesa do ex-banqueiro disse que não houve 'sinal estável' para a audiência virtual

Lago no Nepal pode romper e provocar novo desastre; entenda

Autoridades chinesas monitoram o risco de uma nova onda de inundação na região afetada

Ataques israelenses matam três palestinos na Faixa de Gaza

Informação foi divulgada pelas autoridades de saúde do território, que são subordinadas ao Hamas; Israel não se pronuncia