Economia

Inflação deve fechar 2025 na meta, mas núcleo de serviços deve pressionar

Projeções para o IPCA de dezembro consultadas pela EXAME giram entre 0,30% e 0,35%, com pressões vindas de passagens aéreas e reajustes pós-Black Friday

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de dezembro, a ser divulgado nesta sexta-feira (9), deve confirmar o encerramento de 2025 com inflação dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta é de inflação de 3% ao ano, com tolerância para 1,5 ponto percentual para mais ou menos — 1,5% a 4,5%.

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Se confirmada a estimativa, será a primeira vez que a inflação fica dentro da meta desde 2023.

Apesar disso, projeções consultadas pela EXAME alertam para sinais persistentes de pressão inflacionária em serviços, o que pode impactar o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic.

As estimativas de alta mensal para o IPCA variam entre 0,30% e 0,35%, puxadas por passagens aéreas, alimentos in natura e recomposição de preços no comércio após os descontos da Black Friday.

O cenário será de aceleração na comparação com novembro de 2025, quando o indicador fechou em 0,18%.

Mesmo com esse avanço, a inflação no acumulado de 12 meses deve fechar entre 4,2% e 4,3%, abaixo dos 4,46% registrados em novembro e inferior aos 4,8% de 2024.

Com a inflação sob controle no agregado, o debate no mercado se desloca para a dinâmica dos núcleos, especialmente os serviços subjacentes, que continuam acima do ideal para o cenário de meta de 3% no médio prazo.

O IPCA de dezembro deve ser moderado, mas ainda com núcleos elevados. Projetamos alta de 0,30%, com núcleos em 0,41%”, escreveu a equipe da Consultória da Warren Estratégia em relatório.

A casa aponta como principais vetores de pressão a aceleração de preços de alimentos, especialmente frutas (+2,35%) e carnes (+1,84%), e a disparada das passagens aéreas (+12,71%), típica do fim de ano.

Para o grupo habitação, a expectativa é de deflação, puxada pela mudança na bandeira tarifária da energia elétrica — de vermelha para amarela —, o que deve resultar em queda de 0,15% nas tarifas.

A Warren destaca ainda que artigos de residência e vestuário devem registrar altas após devolverem descontos de novembro.

"Entretanto, parte dessas altas foi provavelmente mitigada por novos descontos de Natal", disse a análise.

IPCA de 2025 deve fechar entre 4,2% e 4,3%

O Banco Daycoval também projeta IPCA de 0,35% em dezembro e inflação acumulada de 4,3% em 2025.

A instituição reforça a pressão concentrada no setor de serviços, notadamente passagens aéreas, mas chama atenção para um movimento mais acomodado nos chamados núcleos — que excluem itens voláteis.

"Embora a inflação tenha apresentado surpresa benigna recente, ela permanecerá distante do centro da meta de 3%", disse o relatório do Daycoval. "Nossa expectativa é que o início do ciclo de cortes da Selic ocorra apenas em março de 2026, com taxa terminal de 12% ao final do ano."

Alimentos e bens industriais devem deixar para trás a deflação registrada em novembro, refletindo a recomposição de preços pós-Black Friday.

Ainda assim, esses itens registram desempenho bem mais favorável no acumulado do ano, ajudando na desaceleração da inflação.

Já o Banco BMG estima IPCA de 0,31% no mês e variação acumulada de 4,2% no ano. O economista-chefe da instituição, Flávio Serrano, ressaltou que a leitura de dezembro será beneficiada por alívio em preços monitorados — como energia e combustíveis —, mas alerta para a resiliência da inflação de serviços.

"Esperamos inflação de serviços pressionada nessa leitura, com alta de 0,7%”, disse Serrano. “Pesam os preços das passagens aéreas, de recreação e de serviços pessoais."

Segundo o economista, o mercado de trabalho ainda apertado explica parte da piora no comportamento da inflação de serviços ao longo de 2025. Para ele, mesmo com a desaceleração frente a 2024 — quando o IPCA subiu 4,8% — o Banco Central deve manter postura cautelosa.

"Assim, ainda que a expectativa para o IPCA de dezembro seja uma leitura modesta, o cenário ainda demanda cautela por parte do BC", afirmou. O BMG também projeta início do corte da Selic apenas em março, com taxa terminal de 12,00% ao fim de 2026.

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