Economia

Índice de preços mensal tem queda em meio a safras positivas

O IGP-M caiu 0,50% no mês de junho. Segundo economista, o recuo é explicado pela normalização do preço do petróleo e boas safras

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Artur Maldaner
29/06/2026, 23:15 • Atualizado em 29/06/2026, 23:15
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Produtos como café, cana-de-açúcar e soja veêm recuo | Agência Brasil

Produtos como café, cana-de-açúcar e soja veêm recuo | Agência Brasil

O Índice Geral de Preços (IGP-M) teve queda de 0,50% em junho. Em maio foi registrado um crescimento de 0,84%. O recuo recente pode ser explicado pelo retorno do preço do petróleo aos níveis pré-conflito no Oriente Médio e resultados positivos das safras de produtos como café, cana-de-açúcar e soja, explica o Coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, André Braz.

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Para o economista, o resultado mensal positivo pode ser visto como um momento de trégua antes de uma possível inflação acelerada no setor alimentício, que deve ser causada por um El Niño mais intenso. “É um fenômeno que pode intensificar o aumento de preços de alimentos que já temos observado, afetando principalmente a população mais pobre”, disse Braz ao SBT News.

Em junho, todos os três indicadores que compõem o IGP-M viram queda ou desaceleração. O destaque foi a queda em 0,97% do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), indicador que observa a variação de preços de produtos agropecuários e industriais ao longo de todos os estágios de processamento. Em maio, o IPA teve alta de 0,91%.

A maior queda do IPA foi no estágio das matérias-primas brutas, que teve queda de 2,76% em junho, após subir 0,43% no mês anterior. O índice de Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, caiu de 0,57% em maio para -0,16% em junho.

Já nas etapas restantes foi visto recuo. O grupo de Bens Finais subiu 0,23%, significativamente menor do que os 1,10% de maio. A taxa do grupo Bens Intermediários foi de 1,43% a 0,45% e índice de Bens Intermediários (ex), que exclui o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção, foi de 0,87% para 0,31%.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caiu de 0,61% em maio para 0,47% em junho. Entre os tipo de despesas do consumidor, teve recuo a habitação (0,95% para 0,64%), alimentação (1,30% para 1,02%), saúde e cuidados pessoais (0,64% para 0,55%), transportes (‑0,31% para ‑0,35%) e vestuário (0,36% para 0,14%).

Segundo o economista do FGV Ibre, o desempenho positivo do IPA pode ajudar a controlar as altas dos índices do IPC, que devem ser diretamente afetados pelas mudanças climáticas do El Niño. “Será importante para absorver possíveis impactos do fenômeno, mas não é o suficiente para apagar o acumulado da inflação de produtos, que está maior do que a inflação média”, explica.

Comparativo anual

Nos últimos 12 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026, o IGP-M acumulou alta de 3,16%. Em maio de 2026, o acumulado de 12 meses foi de 1,95% de alta. De acordo com André Braz, o crescimento do recorte à longo prazo de junho, que pode destoar da queda de preços observadas no mesmo mês, está relacionada ao desempenho do mercado em junho de 2025.

No ano passado, junho teve uma queda de -1,67% do IGP-M impulsionado pelas boas safras do período, gerando queda em 21 produtos agropecuários do IPA, além de impactos significativos no varejo. No recorte de 12 meses, entre junho e julho de 2025, o acumulado foi de 4,39% a 2,96%.

Portanto, a saída do sexto mês de 2025 do recorte foi responsável pelo crescimento em mais de 1% no acúmulo de IGP-M, explica Braz.

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