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Sob coro de ‘prendeu, matou’, Renan Santos lança candidatura

Presidenciável do Missão abriu campanha em São Paulo com colete à prova de balas, discurso em tom de guerra, críticas a Lula e Flávio e apresentação musical

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Caio Barcellos
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Sob o coro de “prendeu, matou” entoado por apoiadores, Renan Santos (Missão) lançou neste domingo (16) sua candidatura à Presidência da República em um ato no Largo São Francisco, no centro de São Paulo.

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O fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) subiu ao palanque vestindo um colete à prova de balas e concentrou o discurso em críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seus principais adversários na disputa pelo Palácio do Planalto.

O uso do colete ocorre após dois dias de a campanha informar à Polícia Federal (PF) que Renan havia recebido uma ameaça de morte atribuída a um suposto aluno da Universidade de São Paulo (USP). Segundo a equipe, mensagens publicadas na internet afirmavam que o autor acompanhava os passos do candidato e o mataria caso ele comparecesse ao Largo São Francisco.

A escolha do local para a largada da campanha remete à trajetória política de Renan, que ingressou no curso de Direito da USP em 2003, mas não chegou a concluir a graduação. Durante a passagem pela faculdade, começou a atuar na política estudantil e disputou a presidência do Centro Acadêmico XI de Agosto, mas não conseguiu se eleger.

"Aqui foi onde eu comecei minhas primeiras aventuras políticas. Aqui é um lugar muito simbólico. Boa parte da luta contra a ditadura militar, o que aconteceu em 1932 no Brasil, a luta contra a ditadura do Vargas, contra o regime fechado, aconteceu aqui no Largo. E por ter esse lugar que eu estudei, o lugar que eu comecei a aprender tudo o que eu sei sobre democracia, sobre política, esse torno natural vem aqui", afirmou em entrevista coletiva após o discurso.

O ato reuniu integrantes e militantes do Missão e do Movimento Brasil Livre (MBL), que deu origem à sigla partidária após anos de participação de seus membros em eleições por outros partidos.

Entre os presentes estavam o candidato a vice-presidente, Aroldo Medina (Missão), o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), a coordenadora de campanha e vereadora de São Paulo Amanda Vettorazzo (União Brasil) e o ex-deputado estadual Arthur do Val, inelegível após ter o mandato cassado em 2022 por declarações sexistas sobre mulheres em situação de guerra na Ucrânia.

Antes da chegada de Renan, o Missão também anunciou Guto Schiavetto como candidato ao Senado por São Paulo. Ele disputará uma das duas vagas do estado que estarão em jogo neste ano.

Também de colete à prova de balas, Amanda Vettorazzo adotou um tom bélico ao chamar a disputa eleitoral de “guerra”. De outro partido, a vereadora convocou os militantes a levar a campanha às ruas e distribuir materiais e adesivos do partido.

Bordão resume agenda contra o crime

O bordão repetido pela militância é usado por Renan para resumir sua proposta de endurecimento da segurança pública. O candidato promete reduzir o número de homicídios no País para menos de 10 mil por ano e acabar com territórios controlados por organizações criminosas até 2030.

Para isso, defende o uso de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), Estado de Defesa e até intervenções federais em estados onde facções exerçam controle territorial. O plano também prevê federalizar casos relacionados a essas organizações e ampliar o confisco de patrimônio de seus integrantes.

Renan também propõe adotar o chamado “Direito Penal do Inimigo” contra integrantes do crime organizado e construir superpresídios para isolar lideranças de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

O candidato cita como referência a política de segurança de El Salvador, presidido por Nayib Bukele, e já afirmou que pretende reproduzir no Brasil aspectos do modelo salvadorenho de retomada de territórios e combate às gangues.

“Já imaginaram se ao invés do maldito Flávio, formos nos no segundo turno contra o Lula? Imaginaram, no dia 6 de janeiro [dia seguinte à posse], quando iremos devastar nossos primeiros inimigos, tingir o chão de vermelho com o sangue desses vagabundos?”, afirmou, seguido pelo coro de “prendeu, matou” entre os apoiadores.

Em uma página criada para divulgar o “prendeu, matou”, o Missão defende pena mínima de 30 anos para crimes violentos, prisão perpétua para chefes de organizações criminosas, redução da maioridade penal para 14 anos, fim da progressão de regime, das saídas temporárias e do indulto nesses crimes, além de pena de morte para casos que o partido classifica como extremos, envolvendo crianças e pessoas vulneráveis.

Discurso mira Lula e Flávio

Durante a fala, Renan tentou apresentar sua candidatura como alternativa à polarização entre PT e bolsonarismo. Ao falar sobre a possibilidade de avançar ao segundo turno, atacou diretamente Flávio Bolsonaro e projetou uma disputa contra Lula.

A estratégia consiste em ultrapassar Flávio ainda no primeiro turno, em uma disputa por parte de um eleitorado semelhante no campo da direita, e enfrentar Lula no segundo.

"Nós tiramos os bandidos de direita no primeiro turno e no segundo turno tiramos os bandidos de esquerda", declarou.

Na pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14), Renan aparece com 4% das intenções de voto, numericamente empatado com Ronaldo Caiado (PSD). Lula lidera com 38% e Flávio tem 31%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Sobre Lula, Renan criticou o ato realizado pelo presidente no ABC Paulista e acusou o governo de manter uma relação de dependência com beneficiários de programas sociais. O candidato também disse que o País perdeu a perspectiva de futuro e classificou o cenário atual como o de uma “nação derrotada” e “sem esperança”.

O presidenciável ainda apresentou o comício deste domingo como o ponto de partida de uma campanha que pretende percorrer o Brasil.

“Este nosso comício é o primeiro de muitos outros comícios que nós vamos fazer ao longo dessa campanha, não só na cidade de São Paulo, mas ao redor de todo o País”, afirmou.

Em mais uma amostra de tom beligerante, Renan defendeu o uso das redes sociais como “ferramenta de guerra”. Também cobrou participação direta dos apoiadores na campanha, pediu que eles tentem convencer parentes, amigos e familiares a votar no Missão e que “adotem” candidatos do partido à Câmara e às Assembleias Legislativas para ajudar a eleger bancadas aliadas.

O candidato fez ainda um apelo aos eleitores da geração Z (nascidos entre 1997 e 2012), a quem atribuiu a tarefa de tentar mobilizar gerações anteriores que, segundo ele, perderam a esperança na política. Renan citou nomes como os de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Arthur Lira (Progressistas-AL) ao dizer que políticos tradicionais contribuíram para que os mais velhos desistissem de acreditar em mudanças.

Outras bandeiras da campanha

Além dos ataques aos adversários, Renan citou outras das bandeiras que pretende explorar na corrida presidencial, como ajuste fiscal, mudanças na legislação trabalhista, investimentos em infraestrutura e tecnologia e uma política externa voltada ao uso estratégico das terras raras e à transferência de tecnologia.

No cenário internacional, Renan criticou a posição do Brasil entre as duas maiores potências globais e disse considerar “humilhante” que o País tenha de escolher entre China e Estados Unidos “para ver quem o tutela".

Renan também criticou discussões identitárias sobre sexo e cor da pele, que classificou como “imbecilidades”, e se posicionou contra tratamentos hormonais em crianças trans.

"Somos pessoas que respeitamos o direito da pessoa ser feliz e amar quem quiser, só não somos otários e não ficaremos aceitando discurso amaldiçoado de pessoa demoníaca", declarou.

Ao final do ato, Renan puxou o jingle da campanha, cantado pelos apoiadores, e acompanhou a música no violão e na gaita. Além da atuação política, ele é vocalista, guitarrista e gaitista da banda Limão Rosa, formada com o ex-deputado Arthur do Val, na bateria, e Gustavo Moledo, no baixo. O grupo lançou em julho o primeiro álbum, Chão Pintado de Rubi.

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