Desenrola é paliativo e pressiona a inflação, diz economista
Para Marcus Labarthe, medida é benéfica para famílias, mas não soluciona o desequilíbrio fiscal que mantém os juros altos no país
SBT News
29/06/2026, 17:41 • Atualizado em 29/06/2026, 17:41
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O especialista em mercado de capitais Marcus Labarthe em entrevista ao SBT News | Reprodução
O programa Desenrola, que lançou nesta segunda-feira (29) uma linha especial para devedores adimplentes – os que estão com os pagamentos de parcelas em dia –, é paliativo e acaba por pressionar tanto a inflação quanto o aumento da taxa básica de juros. A avaliação foi feita pelo especialista em mercado de capitais Marcus Labarthe em entrevista ao SBT News.
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Para Labarthe, a iniciativa não corrige o problema estrutural do desequilíbrio fiscal na economia brasileira. Embora viabilize taxas de juros mais brandas do que as do cartão de crédito, rotativo ou cheque especial, o programa manterá o caráter contínuo se não for alinhado a um ajuste nas contas públicas, na avaliação do economista. Ele usou a metáfora de um carro, em que o governo pisa o pé no acelerador do crédito fácil, enquanto o Banco Central tenta frear os efeitos sob a inflação.
“O governo gasta muito mais do que arrecada e faz com que a taxa de juros seja alta, criando operações como essa do Desenrola, que iniciou em 2023, agora foi o Desenrola 2.0 e hoje o Desenrola Adimplentes. O certo dos países que a gente olha e se inspira é nunca precisar ter um Desenrola”, afirma.
A nova linha do programa permitirá que consumidores adimplentes troquem débitos contratados em modalidades de juros elevados por uma nova operação com taxa máxima de 1,99% ao mês.
Marcus Labarthe diz que, mesmo com a redução da taxa, o referencial brasileiro segue muito além do ideal – que estima entre 9% e 10% ao ano. “Uma taxa de 2% ao mês, para padrões normais, é alta. É porque estamos mal acostumados nesses últimos dois anos com uma taxa de juros tão alta que quando vemos uma taxa dessa parece positivo".
Desenrola Adimplentes
A nova etapa do Desenrola mira trabalhadores informais que não têm acesso a modalidades mais baratas, como o consignado de servidores, aposentados, pensionistas ou empregados com carteira assinada.
Pelas regras apresentadas pela Fazenda, poderão ser renegociadas dívidas com saldo de até R$ 15 mil. O consumidor deverá ter pago ao menos quatro parcelas da operação original, que precisa estar em dia ou com atraso de no máximo 90 dias. O limite de R$ 15 mil considera o saldo remanescente da dívida no momento da nova operação. Ou seja, o contrato original pode ter sido superior a esse valor, desde que o saldo restante esteja dentro do teto.
A nova operação será usada para quitar integralmente a dívida anterior. O prazo será equivalente ao período restante do contrato original, com possibilidade de ampliação por até seis meses, a depender do caso. A prestação da nova dívida não poderá superar 90% do valor da parcela antiga.
O programa também permitirá a contratação de crédito adicional de até 50% do saldo devedor da dívida original. As operações terão garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), com cobertura de 50% nas primeiras perdas da carteira e 100% de garantia por operação.
A Fazenda deve destinar cerca de R$ 3 bilhões do Tesouro para viabilizar o Desenrola Adimplentes.
Desenrola é paliativo e pressiona a inflação, diz economistaPara Marcus Labarthe, medida é benéfica para famílias, mas não soluciona o desequilíbrio fiscal que mantém os juros altos no país
Economia2026-06-29T17:41:47.190ZO programa Desenrola, que – os que estão com os pagamentos de parcelas em dia –, é paliativo e acaba por pressionar tanto a inflação quanto o aumento da taxa básica de juros. A avaliação foi feita pelo especialista em mercado de capitais Marcus Labarthe em entrevista ao SBT News. Para Labarthe, a iniciativa não corrige o problema estrutural do desequilíbrio fiscal na economia brasileira. Embora viabilize taxas de juros mais brandas do que as do cartão de crédito, rotativo ou cheque especial, o programa manterá o caráter contínuo se não for alinhado a um ajuste nas contas públicas, na avaliação do economista. Ele usou a metáfora de um carro, em que o governo pisa o pé no acelerador do crédito fácil, enquanto o Banco Central tenta frear os efeitos sob a inflação. “O governo gasta muito mais do que arrecada e faz com que a taxa de juros seja alta, criando operações como essa do Desenrola, que iniciou em 2023, agora foi o Desenrola 2.0 e hoje o Desenrola Adimplentes. O certo dos países que a gente olha e se inspira é nunca precisar ter um Desenrola”, afirma. A nova linha do programa permitirá que consumidores adimplentes troquem débitos contratados em modalidades de juros elevados por uma nova operação com taxa máxima de 1,99% ao mês. Marcus Labarthe diz que, mesmo com a redução da taxa, o referencial brasileiro segue muito além do ideal – que estima entre 9% e 10% ao ano. “Uma taxa de 2% ao mês, para padrões normais, é alta. É porque estamos mal acostumados nesses últimos dois anos com uma taxa de juros tão alta que quando vemos uma taxa dessa parece positivo". Desenrola Adimplentes A nova etapa do Desenrola mira trabalhadores informais que não têm acesso a modalidades mais baratas, como o consignado de servidores, aposentados, pensionistas ou empregados com carteira assinada. Pelas regras apresentadas pela Fazenda, poderão ser renegociadas dívidas com saldo de até R$ 15 mil. O consumidor deverá ter pago ao menos quatro parcelas da operação original, que precisa estar em dia ou com atraso de no máximo 90 dias. O limite de R$ 15 mil considera o saldo remanescente da dívida no momento da nova operação. Ou seja, o contrato original pode ter sido superior a esse valor, desde que o saldo restante esteja dentro do teto. A nova operação será usada para quitar integralmente a dívida anterior. O prazo será equivalente ao período restante do contrato original, com possibilidade de ampliação por até seis meses, a depender do caso. A prestação da nova dívida não poderá superar 90% do valor da parcela antiga. O programa também permitirá a contratação de crédito adicional de até 50% do saldo devedor da dívida original. As operações terão garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), com cobertura de 50% nas primeiras perdas da carteira e 100% de garantia por operação. A Fazenda deve destinar cerca de R$ 3 bilhões do Tesouro para viabilizar o Desenrola Adimplentes.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/desenrola-e-paliativo-e-pressiona-a-inflacao-diz-economista
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