Economia

Ibovespa retoma 167 mil pontos e dólar cai a R$ 5,45

'Onda azul' nas midterms dos EUA animou mercados; petróleo despencou mais de 8%, enquanto bolsas de Nova York fecharam em forte alta

Avatar de Exame.com
Por Exame.com
B3 | Germano Lüders/Exame

B3 | Germano Lüders/Exame

O Ibovespa interrompeu uma sequência de seis pregões consecutivos de queda e fechou em alta nesta quarta-feira (4), acompanhando o maior apetite por risco nos mercados internacionais. O principal índice da B3 avançou 1,23%, aos 167.563,47 pontos, após oscilar entre a mínima de 165.541,38 e a máxima de 167.986,37 pontos. O volume financeiro somou R$ 32,9 bilhões.

A recuperação ocorre em meio a um ambiente externo mais favorável, impulsionado pelo resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas midterms, e pela forte desvalorização do petróleo no mercado internacional. A perspectiva de um possível recuo nas ofensivas americanas contra o Irã ajudou a reduzir as preocupações com a inflação nos Estados Unidos e abriu espaço para uma busca maior por ativos de risco.

O movimento, porém, não elimina as incertezas que pressionaram os ativos brasileiros nas últimas sessões. Por aqui, os investidores também acompanharam a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que anuncia nesta quarta-feira, após o fechamento do mercado, o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic.

A alta da Bolsa foi acompanhada pelo desempenho positivo de boa parte das ações de maior peso no índice. Os bancos avançaram, com destaque para o Itaú Unibanco (ITUB4), que subiu 3,20% após divulgar seu balanço do terceiro trimestre.

O banco registrou lucro recorrente gerencial recorde de R$ 12,6 bilhões entre julho e setembro, crescimento de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025 e de 2,5% na comparação trimestral. Foi a 12ª alta consecutiva do lucro em relação ao trimestre imediatamente anterior.

As ações da Vale (VALE3) também contribuíram para o desempenho positivo do índice, com valorização de 3,63%.

Na direção oposta, os papéis da Petrobras tiveram um pregão de forte pressão, acompanhando o tombo das cotações internacionais do petróleo. As ações ordinárias (PETR3) caíram 7,26%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 6,92%, estendendo as perdas da véspera.

Entre as maiores altas do Ibovespa, a CSN Mineração (CMIN3) liderou os ganhos, com valorização de 11,93%. Na sequência, apareceram Vamos (VAMO3), que subiu 8,94%, Localiza (RENT3), com alta de 7,59%, Magazine Luiza (MGLU3), que avançou 7,07%, e Assaí (ASAI3), com ganho de 6,47%.

Na ponta negativa, Brava Energia (BRAV3) registrou a maior queda do dia, de 8,85%. A Prio (PRIO3) veio logo depois, com recuo de 8,49%. Também figuraram entre as maiores baixas BB Seguridade (BBSE3), com desvalorização de 7,26%, e Petrobras.

Dólar cai com maior apetite por risco

O dólar à vista recuou diante do real nesta quarta-feira, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana frente a seus pares no exterior e o maior apetite por risco nos mercados doméstico e internacional.

A forte queda do petróleo após o resultado das eleições americanas ajudou a reduzir as preocupações com uma eventual pressão adicional sobre a inflação nos Estados Unidos e, consequentemente, com a possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed).

No cenário doméstico, também contribuiu para o alívio a expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordará a responsabilidade fiscal em um pronunciamento à nação previsto para domingo, 8. A informação de que o presidente deverá afirmar que não abrirá mão do compromisso com as contas públicas trouxe maior tranquilidade aos investidores.

O dólar comercial encerrou em queda de 0,64%, a R$ 5,452, próximo da mínima do dia, de R$ 5,451. Na máxima, a moeda chegou a R$ 5,498.

"A queda do dólar hoje parece estar relacionada, em parte, a uma correção das altas recentes, depois da forte desvalorização do real nos últimos dias, mas também reflete o resultado das eleições americanas. Apesar desse movimento, o câmbio continua bastante pressionado. A incerteza sobre a condução da política fiscal e a composição da equipe econômica mantém o mercado cauteloso, assim como a expectativa pela decisão do Copom", afirma Cristiane Quartaroli, economista chefe do Ouribank.

Petróleo despenca após eleições americanas

Os contratos futuros do petróleo registraram fortes perdas nesta quarta-feira, 4, levando o barril do WTI ao menor patamar desde agosto. O movimento ocorreu após a vitória expressiva do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos reforçar as expectativas de uma possível redução das tensões entre Washington e Teerã.

Os sinais de abertura diplomática entre os dois países e as declarações do presidente Donald Trump de que não pretende intensificar as ofensivas militares contra o Irã contribuíram para reduzir o prêmio de risco incorporado às cotações da commodity.

O petróleo Brent, referência internacional, com entrega para janeiro, encerrou em queda de 8,67%, cotado a US$ 94,62 por barril, na ICE. Já o WTI, referência americana com vencimento em dezembro, recuou 8,29%, a US$ 88,12 por barril, na Nymex.

Bolsas de Nova York disparam com resultado das midterms

Em Nova York, as bolsas registraram altas expressivas nesta quarta-feira, impulsionadas pelo resultado das eleições americanas e pelo recuo acentuado do petróleo.

A chamada "onda azul", em referência ao avanço democrata, foi recebida com otimismo pelos investidores, diante da possibilidade de maior equilíbrio político no Congresso e de uma redução das incertezas sobre os rumos da política econômica americana.

As declarações de Trump sobre a possibilidade de não ampliar os ataques ao Irã também ajudaram a derrubar as cotações do petróleo. Com isso, diminuíram as preocupações com a inflação americana, favorecendo a redução de posições defensivas e a busca por ativos de maior risco.

O Dow Jones disparou 3,03%, aos 53.356,12 pontos. O S&P 500 avançou 1,58%, aos 7.688,62 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 1,44%, aos 25.736,51 pontos.

Últimas notícias