Entrada de gringos em commodities leva Ibovespa a fechamento recorde
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 14, em alta de 1,96%, aos 165.145 pontos, renovando as máximas histórica de fechamento e intradiária


Exame.com
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 14, em alta de 1,96%, aos 165.145 pontos, renovando as máximas histórica de fechamento e intradiária, impulsionado pela forte entrada de investidores estrangeiros em ações de empresas de commodities.
Perto do fechamento, às 17h40, o principal índice da B3 renovou sua máxima intradiária, ao tocar os 165.049,18 pontos, com alta de 1,90%, superando a marca histórica anterior de 165.035,97 pontos, registrada em 5 de dezembro de 2025.
No encerramento, a referência acionária também superou a última máxima histórica registrada no dia 4 de dezembro, quando o índice atingiu 164.455,61 pontos.
O movimento favoreceu especialmente as ações de grandes empresas, as chamadas blue chips, como Vale e Petrobras, em um cenário de busca por papéis descontados, segundo análise de Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
"Os investidores estrangeiros têm entrado com capital forte em busca de empresas de commodities que estão descontadas. Nós acreditamos que essa tendência pode continuar e acreditamos que a tendência de alta deve permanecer nos próximos dias", afirmou Mollo.
A Vale (VALE3), que é mais de 11% na composição do Ibovespa, liderou as altas do dia com ganhos de 4,74%. Os papéis ordinários da Petrobras (PETR3), que chegaram também ao topo das maiores altas, recuaram um pouco nos ganhos, mas mesmo assim avançaram 3,63%. Assim como as preferenciais (PETR4), que anotaram ganho de 2,73%.
A alta da estatal foi seguida pelos demais papéis do setor petrolífero e acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional em meio a tensão geopolítica envolvendo o Irã e os Estados Unidos.
"Como o Irã é um player relevante, a ameaça dos Estados Unidos de impor tarifas pode reduzir a oferta global de petróleo nos próximos meses. Hoje há um excesso de 2 a 3 milhões de barris por dia, volume equivalente à produção iraniana. Se essa oferta sair do mercado, o equilíbrio tende a levar o barril a patamares mais altos, entre US$ 70 e US$ 80, no curto prazo", disse Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Após as quedas nos últimos dias, os grandes bancos também contribuíram para o movimento positivo, com as ações preferenciais do Itaú (ITUB), que respondem por cerca de 8,3% do índice, em alta de 1,10%.
Por que o Ibovespa subiu forte hoje?
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o cenário refletiu uma combinação de fatores, entre eles a expectativa de juros menores à frente e o reposicionamento gradual dos portfólios.
Além disso, os investidores também repercutiram a nova pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário eleitoral de 2026. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 45% das intenções de voto, ante 38%.
O mercado avaliou positivamente, porém, a leve redução do percentual de Lula em relação à pesquisa anterior, quando tinha 46%, enquanto Flávio Bolsonaro subiu de 36% para 38%.
Em uma eventual disputa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do governador.
No levantamento anterior, a vantagem era maior, de 45% a 35%, o que indicou um avanço de Tarcísio, movimento que também foi bem recebido pelos investidores.
"O mercado agora vai fazer conta se realmente Flávio tem potencial ou não, mas a gente vê ainda uma tendência positiva de adequação", diz o head da Veedha Investimentos.
Já no cenário externo, os agentes financeiros mantiveram no radar o embate entre Trump e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), e as tensões geopolíticas que, além do Irã, também envolvem a Groenlândia e a Venezuela. Segundo o analista do Daycoval, esses fatores devem manter a volatilidade nos mercados.
Mas, por outro lado, esse cenário pode favorecer mercados emergentes como o Brasil, já que o aumento da incerteza nos Estados Unidos leva investidores a retirar recursos de lá e direcioná-los para outros mercados.
"Acredito que esse cenário aumenta a volatilidade, mas, em vez de prejudicar mercados emergentes como o Brasil, pode até ajudar. Diante das incertezas nos Estados Unidos, investidores tendem a retirar recursos de lá e direcioná-los a outros mercados. É o que vemos hoje, com o Ibovespa subindo quase 2% e grandes empresas como Vale, Petrobras, Itaú e B3 avançando forte", afirmou Mollo.
O especialista acrescenta que sessão de recordes da bolsa brasileira foi marcada por uma compra generalizada de empresas de commodities, uma espécie de "compra de cesta", que também beneficiou companhias exportadoras como Gerdau (GGBR4) e Suzano (SUZB3), ainda que em menor intensidade.
"Acredito que o movimento seja de compra de commodities, com destaque para Vale e Petrobras, as duas maiores empresas do setor. No caso da Vale, o valuation estava muito descontado, o que atraiu compras relevantes de investidores estrangeiros", disse ele.
MRV tem a maior queda do dia
Na ponta negativa do índice, a maior baixa do dia ficou para os papéis da MRV (MRVE3).
Enquanto o Ibovespa avançava forte, as ações da companhia caíram 5,34%, após os resultados operacionais mostrarem a geração de caixa ainda pressionada, o que desagradou o mercado.
A MRV&Co encerrou o quarto trimestre de 2025 com avanço nas vendas, porém com uma queda nos lançamentos do segmento de incorporação nacional. De outubro a dezembro, a companhia lançou R$ 2,8 bilhões em valor geral de vendas (VGV), o que representa uma queda de 3% em relação ao mesmo período de 2024, mas uma alta de 21% sobre









