Haddad diz que caso Master pode ser a "maior fraude bancária da história do país"
Ministro defende a atuação do BC ao liquidar a instituição, afirmando que o trabalho da autarquia foi robusto


Caio Aquino
Amanda Klein
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o caso envolvendo o Banco Master "inspira muito cuidado" e que há a possibilidade ser a "maior fraude bancária da história do país". A declaração foi feita nesta terça-feira (13), durante um pronunciamento em que o ministro comentou o cenário econômico e fiscal.
Ao falar sobre notícias envolvendo o Master, Haddad alertou:
"O caso inspira muito cuidado, nós podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país, e temos que tomar todas as cautelas devidas com as formalidades."
Segundo o ministro, o episódio exige investigação rigorosa e acompanhamento institucional com transparência.
Contexto do caso Banco Master
O Banco Master tem sido alvo de apurações após irregularidades identificadas por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central. A controvérsia envolve o processo de liquidação da instituição e divergências iniciais entre os órgãos sobre a condução da fiscalização.
Nesta semana, o Banco Central anunciou que desistiu de questionar, no Supremo Tribunal Federal (STF), a inspeção determinada pelo TCU. Com isso, voltou a valer a decisão do tribunal que autoriza uma auditoria técnica sobre a atuação do BC no processo de liquidação do banco.
Bastidores e articulação institucional
De acordo a apresentadora Amanda Klein, no Central de Notícias, a fala de Haddad representa a primeira defesa pública do Banco Central desde o início da crise, num momento em que a autoridade monetária vinha se sentindo isolada institucionalmente.
A jornalista relembra que o ministro da Fazenda já vinha atuando nos bastidores, mantendo contatos frequentes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Haddad e Galípolo foram próximos no início do terceiro mandato do presidente Lula (PT), quando o presidente do BC ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Fazenda, antes de ser indicado para a diretoria e, posteriormente, para a presidência da entidade. Com o tempo, a relação teria esfriado, especialmente após divergências envolvendo episódios anteriores de comunicação entre as duas instituições.
Haddad também procurou o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo. Os dois teriam conversado por mais de uma hora na semana passada, justamente no dia em que o relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, determinou a realização de uma inspeção técnica no Banco Central e levantou a possibilidade de medidas cautelares.
Após a intensificação das conversas entre os envolvidos, representantes do Banco Central e do TCU se reuniram nessa segunda (12) e chegaram a um acordo para reduzir tensões institucionais. O entendimento levou o BC a retirar o recurso que questionava a inspeção, abrindo caminho para a auditoria nos moldes definidos pelo tribunal, com escopo mais delimitado.
O andamento das investigações segue sob acompanhamento dos órgãos competentes e deve orientar eventuais medidas administrativas ou legais relacionadas ao caso.








