Economia

GP de São Paulo une marcas e projeta impacto de R$ 2,5 bi

Ativações imersivas, ingressos VIP de R$ 30 mil e efeito da série da Netflix consolidam corrida de Interlagos como plataforma bilionária de negócios

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Por Antonio Souza
Mural feito pelo artista Kobra em Interlagos | JFDiorio/Prefeitura de São Paulo/Divulgação

Mural feito pelo artista Kobra em Interlagos | JFDiorio/Prefeitura de São Paulo/Divulgação

A chegada do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1 a Interlagos neste fim de semana consagra a principal categoria do automobilismo internacional como uma das mais rentáveis vitrines de negócios e entretenimento do mundo.

Essa movimentação fora dos limites do autódromo sustenta a estimativa da organização do evento de gerar um impacto econômico recorde de R$ 2,5 bilhões na capital paulista, aquecendo diretamente os setores de hotelaria, gastronomia, turismo e serviços especializados.

Muito além da competição esportiva no asfalto, a relação entre as marcas patrocinadoras e o público passou por uma reformulação profunda nos últimos anos, substituindo a tradicional exposição passiva de logotipos nos carros por um ecossistema complexo de experiências imersivas.

"A F1 se modernizou, e ficou claro que os conteúdos, da forma como eles são mostrados, especialmente com bastidores e novas experiências com público, são fundamentais para essa escalada de audiências e novas receitas", pontua Joaquim Lo Prete, diretor nacional da Absolut Sport no Brasil, agência voltada a experiências esportivas e pacotes para o GP.

O aquecimento econômico também impulsiona o segmento de hospitalidade de luxo em Interlagos. Entre os espaços corporativos confirmados para a edição está o Terrace 1, operado pela Soccer Hospitality, empresa especializada em camarotes premium nas principais arenas de futebol do país e que cumpre seu segundo ano no autódromo paulistano.

Com ingressos comercializados a R$ 30 mil para o pacote de três dias, a estrutura conta com capacidade limitada a 300 convidados diários.

"Chegar ao segundo ano do Terrace 1 reforça que estamos no caminho certo ao entregar uma experiência completa e de alto padrão. Nosso objetivo é seguir evoluindo, oferecendo um ambiente que une esporte, conforto e momentos inesquecíveis para os convidados e fãs da Fórmula 1", afirma Léo Rizzo, presidente executivo da Soccer Hospitality.

Ativações imersivas e invasão das marcas pela capital

Para amplificar o engajamento antes da largada oficial, os grandes patrocinadores da modalidade estruturaram ações que ocupam pontos estratégicos da cidade de São Paulo.

Empresas com acordos globais de patrocínio, como Heineken, American Express, McDonald's, KitKat, Doritos e a MSC Cruises, detentora dos direitos de nome (naming rights) da corrida brasileira, montaram verdadeiros centros de atração para os torcedores.

Na Avenida Faria Lima, coração financeiro da capital, a American Express instalou espaços temáticos com simuladores de velocidade e gastronomia refinada, conectando essas atividades às suas instalações na fanzone e no VIP Village dentro do autódromo.

A Heineken comemora uma década de parceria com o automobilismo promovendo torneios de kart com realidade virtual em bairros boêmios.

Paralelamente, marcas de consumo de massa, como a Doritos, espalharam campanhas integradas pelo mobiliário urbano, estações de metrô e redes de restaurantes para envolver o público que acompanha o evento tanto nas arquibancadas quanto pela televisão.

Para Thiago Freitas, diretor de operações da Roc Nation Sports no Brasil, agência de entretenimento liderada pelo cantor Jay-Z, essas imerções passaram a rivalizar em importância com a própria tabela de classificação.

"Está claro que, hoje, a forma como um evento esportivo é divulgado e transmitido é tão importante quanto o próprio evento. Novos ângulos, para muitas pessoas, são mais importantes que os resultados das provas. A corrida é, cada vez mais, um pretexto para que seja produzido conteúdo para pessoas."

A corrida será disputada neste domingo (8), às 14h (de Brasília). O fim de semana também será marcado por novidades dentro e fora das pistas, incluindo a estreia do brasileiro Rafael Câmara na categoria, a primeira corrida da Audi em solo brasileiro e uma série de reformas realizadas no circuito para receber a etapa.

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